Um pouco mais sobre a Iniciativa 2, 4-D: por uma agricultura efetiva

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A Iniciativa 2,4-D, grupo formado pela união entre o setor privado (Dow AgroSciences e Nufarm) e pesquisadores de instituições acadêmicas, possui o propósito de gerar informação técnica sobre o uso correto e seguro de defensivos agrícolas. Conversamos com o atual porta voz do grupo, Jair Maggioni, para sabermos mais sobre o herbicida 2,4-D, suas implicações na agricultura e o seu cenário no Brasil e no mundo.

Mais Soja (MS): Jair, do que se trata a INICIATIVA 2, 4-D:

Jair Maggioni (JM): A Iniciativa 2,4-D é um grupo formado por representantes das empresas Dow AgroSciences e Nufarm, que, com apoio acadêmico, tem como propósito gerar informação técnica sobre o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, além de apoiar projetos que abordem esta questão, como o “Acerte o Alvo – evite a deriva na aplicação de agrotóxicos”, realizado no Paraná. O grupo defende que o uso adequado das tecnologias de aplicação e a precaução para evitar a deriva são essenciais para garantir a eficácia e a segurança ambiental na utilização de defensivos agrícolas. Além disso, a Iniciativa 2,4-D é fonte de informação e esclarecimento, que, apoiada por estudos acadêmicos, visa desmistificar o emprego do herbicida 2,4-D.

(MS):  Quais os prós e contras do ingrediente ativo 2,4-D na agricultura?

(JM): O 2,4-D faz parte do grupo das auxinas, mimetizando reguladores de crescimento das plantas. É uma excelente opção para culturas resistentes a outros mecanismos de ação como, por exemplo, o glifosato. É importante lembrar que esta composição é desenvolvida para controlar “plantas daninhas” de folhas largas como por exemplo: corda-de-viola ou corriola, leiteira ou amendoim-bravo, guanxuma, poaia, serralha, erva-quente, além da trapoeraba, ervas daninhas de difícil controle, tal como a Buva entre outras.

Seu uso é totalmente eficaz e seguro, quando utilizado conforme as instruções do fabricante. Para isso, a Iniciativa 2,4-D desenvolve diversos treinamentos em todo o país, tendo reunido mais de 9 mil agricultores, técnicos e operadores de equipamentos em 190 palestras, além de qualificar outros 600 produtores rurais de 72 municípios paranaenses sobre técnicas de aplicação para evitar a deriva, por meio do programa Plante Seu Futuro.

(MS): No Brasil, qual a relevância do ingrediente ativo para os produtores agrícolas?

(JM):  Além do 2,4-D ter um amplo espectro de controle, ele apresenta uma ótima relação custo-benefício quando comparado com outras opções do mercado. É uma importante ferramenta para o manejo de “plantas daninhas” de difícil controle, aumentando a produtividade na lavoura.

(MS): Qual forma correta de uso do 2, 4-D?

(JM): Entre as técnicas adequadas de aplicação, é necessário respeitarmos condições climáticas como ventos inferiores a 12 km/h, com velocidade média de 3 a 10 km/h; umidade relativa superior a 50%; e temperatura inferior a 30ºC, além de ter atenção às regulagens de pulverizadores, certificar-se que eles estão em boas condições, usar pontas de pulverização que produzam gotas grossas, pressão correta e menores alturas de barras (1:1).

(MS): Quais são os cuidados que  produtor agrícola deve tomar ao usar o herbicida?

(JM): O 2,4-D é um produto seguro e deve ser usado na composição adequada e com as técnicas de aplicação indicadas pelo fabricante para que se obtenha a máxima eficácia, segurança e que não atinja culturas vizinhas. Por isso, é importante estar atento ao uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e seguir as orientações sobre as condições climáticas.

(MS): Sobre a renovação da União Européia, quanto ao uso do Herbicida 2, 4-D: porque isso é importante à agricultura mundial?

(JM): O 2,4-D é o ingrediente ativo de um dos herbicidas mais utilizados do mundo, eficaz para o controle de plantas daninhas, mantendo a produtividade na lavoura, em culturas de plantas com folhas largas. Membros da União Europeia renovaram por mais 15 anos a liberação do 2,4-D, englobando os 27 países. A validação formal foi emitida recentemente, após a aprovação do bloco de países tida em julho deste ano, quando decidiram em favor das aprovações do herbicida. As novas condições incluem a adoção de medidas de segurança e mitigação de risco, importantes de serem seguidas e que são defendidas pela Iniciativa 2,4-D.

Além de favorecer a agricultura, essa decisão é de grande relevância por mostrar que alguns dos países mais desenvolvidos do mundo atestam a qualidade e a segurança de uso. Junto aos mais de 40 mil estudos desenvolvidos acerca do 2,4-D, a decisão mostra que o herbicida pode ser utilizado, proporcionando maior produtividade e custo-benefício nas lavouras.

(MS):  Mundialmente qual o posicionamento de produtores Agrícolas sobre o ativo?

(JM): O 2,4-D é registrado em cerca de 100 países nos cinco continentes, incluindo todos aqueles em que a agricultura é uma atividade econômica importante. As restrições existentes em alguns países são meramente relativas a inexistência de mercados relevantes ou a formulações voláteis, tal como ésteres de cadeia curta (Exemplo: 2,4-D Éster Butílico), retirado do mercado brasileiro em 1999.

(MS):  No Brasil, qual a situação legislativa do herbicida?

(JM):  No Brasil, ele tem uso registrado na esfera federal e cadastro em todos os estados da União. A sistemática legal hoje vigente, prevista na Lei 7.802/89, cuida de regular de modo amplo a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins. O registro, concedido pelos órgãos federais, representa uma garantia de qualidade e segurança desses produtos.

(MS): Quais as atividades realizadas na INICIATIVA 2,4-D?

(JM): Para auxiliar os produtores rurais na utilização correta deste herbicida, a Iniciativa 2,4-D realiza palestras e treinamentos disponibilizando material técnico com informações sobre esta molécula, bem como conceitos de tecnologia de aplicação.

Ao todo, desde 2014, foram 190 treinamentos em 13 estados, contando com a participação de 9 mil agricultores, técnicos e operadores de equipamentos.

O grupo apoia ainda projetos como o “Plante Seu Futuro” e o “Acerte o Alvo”, programas que também capacitam agricultores para evitar a deriva e contribuir com a segurança do trabalhador do campo. Além disso, mantém um portal na internet com estudos e informações atualizadas sobre a molécula e um canal aberto para consulta com especialistas.

Para saber mais sobre a Inciativa 2,4 D clique aqui.

Elaboração: Elisa Campos, Equipe Mais Soja

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