O objetivo deste trabalho foi avaliar a interferência de diferentes coberturas vegetais na melhoria da estrutura física do solo, bem como no posterior rendimento da cultura do milho (Zea mays L.) em um Nitossolo Vermelho Distroférrico típico.

Autores: Paulo Ritter (1); Clovis Darli Marcolin(2); Melina Maschio(3); Rodrigo Oliveira Lamb(4)

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O termo compactação do solo refere-se ao processo de decréscimo do volume de solos não saturados quando uma certa pressão externa é aplicada, a qual pode ser causada pelo tráfego de máquinas, equipamentos de transporte e animais (LIMA, 2004). De acordo com Canillas & Salokhe (2002) a compactação dos solos é apontada como sendo um dos principais causadores da degradação dos solos agrícolas.

Este termo vem se destacando mundialmente, por se tratar de um limitante em se tratando do processo produtivo, bem como para que níveis mais elevados de produtividade sejam alcançados. Além disso pode ocasionar alterações no volume total de poros e no funcionamento do solo, primariamente, os fluxos de água e gás são reduzidos pela compactação do solo. O fluxo de água é reduzido de acordo com o decréscimo do diâmetro do microporo, enquanto o fluxo de gás é reduzido pela diminuição no diâmetro dos macroporo e aumento da saturação de água (HORN, 2003). Consequentemente estes pontos elencados afetam o desenvolvimento das plantas, além do impedimento do normal crescimento radicular da mesma (BARROS, 2011).

Estes efeitos desfavoráveis podem ser causados pelo manejo inadequado, tráfego de animais e máquinas agrícolas podendo provocar problemas de compactação superficial do solo ao longo do tempo, principalmente quando essas operações se realizam quando o solo apresenta excesso de umidade (CUBILLA et al., 2002). Para diminuir a intensidade da compactação pode-se utilizar uma cobertura verde, preferencialmente optando por espécies vegetais com sistema radicular bem agressivo. Desta forma as raízes auxiliam na descompactação. Já a palhada sobre o solo, ajuda na dissipação da carga sobre o solo, diminuindo a pressão e risco de compactação. (SANCHEZ, 2012).

Partindo da premissa de que com a utilização de plantas de cobertura com sistema radicular mais agressivo é possível que a compactação do solo seja revertida, estudos sobre o assunto são de grande valia.

Deste modo, o objetivo deste trabalho foi avaliar a interferência de diferentes coberturas vegetais na melhoria da estrutura física do solo, bem como no posterior rendimento da cultura do milho (Zea mays L.) em um Nitossolo Vermelho Distroférrico típico.


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MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na área experimental do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Sertão, localizado nas proximidades da RS 135 km 25, durante o período de junho de 2016 a abril de 2017.

O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro repetições e seis tratamentos, com as dimensões de 8x8m de cada parcela. Os tratamentos foram: Nabo Forrageiro (Raphanus sativus L); Aveia Preta (Avena strigosa); Triticale (Triticosecale rimpaui W); consórcio de Aveia Preta com Nabo; consórcio de Triticale com Nabo; e testemunha sem cobertura vegetal. Para cada tratamento foram utilizadas as seguintes quantidades de semente, respectivamente, 27 kg/ha, 70 kg/ha, 70 kg/ha, 65 kg/ha mais 15 kg/ha, e 70 kg/ha e 15 kg/ha.

Na primeira quinzena de setembro de 2016 fora coletada a massa verde de todas as parcelas, sendo a dimensão da amostra de um metro quadrado, realizou-se a pesagem dos materiais, após foram destinados para a secagem na estufa, sendo dez por cento do peso das amostras, posteriormente realizou-se pesagem do material seco e análise dos dados.

Também fora realizada a coleta de dados referentes a resistência mecânica a penetração (RP), que é um indicador de compactação, esta análise teve como intuito avaliar a diferença de um tratamento para outro em relação a descompactação de solo, através do sistema radicular de cada tratamento, esta análise foi realizada antes da semeadura do milho. Cada amostra foi composta por sete pontos amostrais dentro de cada parcela, analisando as camadas de 0 a 5 cm, 5 a 10 cm ,10 a 15 cm e 15 a 20 cm.

A colheita do milho foi realizada em meados da segunda quinzena de março de 2017, foram colhidos 16,2 metros quadrados por parcela manualmente e debulhadas no debulhador de parcela da própria instituição.

Todos os dados obtidos foram submetidas à análise da variância (ANOVA) e quando apresentaram resultados significativos pelo teste F, foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de variância.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Figura 1 são encontrados os valores proporcionais de biomassa das culturas antecessoras à cultura do milho. Observa-se que os tratamentos em que se utilizou aveia preta + nabo e posteriormente triticale + nabo foram os tratamentos que apresentaram as maiores quantidades de matéria seca provenientes da biomassa vegetal. Altos valores de porcentagem de cobertura do solo verificados representam benefícios para o agroecossistema, pois esta cobertura pode diminuir a erosão e manter a temperatura do solo mais estável (DERPSCH et al., 1991).

Figura 1. Matéria seca (ton/ha) dos tratamentos utilizados

A medida que ocorre a degradação desta matéria seca, há o fornecimento de alimento para a rede de organismos do solo, responsáveis estes por processos importantes de reciclagem de nutrientes e formação de agregados estáveis no solo (SCORIZA et al., 2016).

Os resultados referentes ao rendimento da cultura do milho de acordo com as coberturas de solo que sucederam o cultivo encontram-se na Tabela 1. Pode-se observar que apesar do rendimento ter alcançado valores maiores posteriormente ao cultivo da cobertura de nabo + aveia preta (10165 kg/ha), bem como um valor menor quando se trata da testemunha (pousio) de 8992 kg/ha, os rendimentos obtidos de acordo com os tratamentos realizados não apresentaram significância a 5% do teste de Tukey.

Tabela 1. Rendimento do milho em relação às diferentes coberturas de solo.

Como hipótese se levanta a questão de que com a sucessiva utilização de coberturas com boa produção de matéria seca, bem como com bom desenvolvimento e expansão radicular este fator seja revertido e pela relação direta de melhoria das propriedades físicas do solo com a produtividade de certa cultura, a mesma seja incrementada significativamente.

Já se tratando da Resistência Mecânica do solo à penetração (RP) encontrada na Tabela 2 constata-se que conforme ocorria o aumento da profundidade do solo os tratamentos não apresentavam diferenças estatísticas quanto a este quesito. As diferenças permaneceram apenas para as camadas 0-5 e 5-10 cm de profundidade.

Tabela 2: Resistência Mecânica a Penetração (Kpa) de acordo com os tratamentos utilizados

Para a camada de 0-5 cm os menores níveis de resistência mecânica à penetração foram observados onde havia sido cultivada aveia preta, e posteriormente para aveia preta + nabo, triticale e triticale + nabo. Em se tratando da camada seguinte, de 5-10 cm de profundidade, os tratamentos que apresentaram menores índices de RP foram respectivamente, aveia preta, triticale + nabo, aveia preta + nabo e triticale. A camada de 10-15 cm apresentou os valores mais elevados de RP, sendo superiores até mesmo que a camada seguinte de 15-20 cm de profundidade.

CONCLUSÕES

Os rendimentos obtidos para a cultura do milho de acordo com as plantas de cobertura utilizadas para cada tratamento não apresentaram diferenças estatísticas entre si.

Conforme houve um incremento da profundidade os valores referentes a RP foram se igualando, não havendo diferença estatística entre os tratamentos nas camadas 10-15 e posteriormente 15-20 cm de profundidade.

AGRADECIMENTOS: Ao IFRS – Campus Sertão pelo fomento através da bolsa de iniciação científica.

REFERÊNCIAS

American Society of Agricultural Engineers (1984) Soil cone penetrometer – ASAE S313.1. In: ASAE Standard. St. Joseph, p.45

Barros JFC, Calado JG. Descompactação do Solo, Preparação da Cama da Semente e Enterramento de resíduos; 2011.

Canillas EC, Salokhe, VM. A decision support system for compaction assessment in agricultural soils. Soil Tillage Research, Amsterdam, v.65, n.2, p.221-230, 2002.

Cubilla MMA, Reinert DJ, Aita C, Reichert JM, Ranno SK. Plantas de cobertura do solo em sistema de plantio direto – uma alternativa para aliviar a compactação. Universidade Federal de Santa Maria, Dep. de Solos, CCR, CNPQ, Santa Maria-RS, 2002, e XIV Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água. Cuiabá, MT, 2002.

Derpsch R, Roth CH, Sidiras N, Kopke U, Krause R, Blanken J. Controle da erosão no Paraná, Brasil: sistemas de cobertura de solo, plantio direto e preparo conservacionista do solo. Eschborn: GTZ, 1991, 272p.

Eschborn: GTZ; Londrina: IAPAR, 1991. 272 p.Horn R. Stress- strain effects in structured unsaturated soi ls on coupled mechanical and hydraul ical processes. Geoder ma, 116:77-88, 2003.

Klein VA. Densidade relativa – um indicador da qualidade física de um Latossolo vermelho. R Ci Agroveterinárias, v.5, p.26-32, 2006.

Sanchez E. Propriedades físicas do solo e produtividade de soja em sucessão a plantas de cobertura de inverno; Guarapuava-PR, 2012.

Scoriza RN, Correia MEF, Espíndola JAA, Araújo ES. Efeito do cultivo de plantas de cobertura sobre a fauna edáfica. Revista Brasileira de Agroecologia, [S.I.], v.11, n.4, dec.16. ISSN 1980-9735.

Informações dos autores:

(1)Estudante; Instituição (Instituto Federal de Ciências Educação e Tecnologia Campus Sertão);

(2)Professor; Instituição (Instituto Federal de Ciências Educação e Tecnologia Campus Sertão);

(3)Estudante; Instituição (Instituto Federal de Ciências Educação e Tecnologia Campus Sertão);

(4)Estudante; Instituição (Instituto Federal de Ciências Educação e Tecnologia Campus Sertão).

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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