Vale a pena investir no uso de drones na agricultura? Parte II

558

Com o objetivo de reduzir os custos e aumentar a produtividade, os produtores vêm cada vez mais incorporando a tecnologia no campo. Os drones despontam como uma excelente ferramenta para identificar a situação das lavouras e facilitam o trabalho do produtor rural.

Confira a segunda parte da entrevista com Saulo Penna Neto e Eduardo Engel gestores da Auster Tecnologia, que atua no ramo do agronegócio, através do desenvolvimento de aeronaves e algoritmos para monitoramento de lavouras.

Quer conferir a primeira parte desta entrevista: clique aqui.

MS: Quanto à cartografia obtida através de dados gerados pelos drones: qual a precisão que podemos esperar de um mapeamento com drones? Como são captadas as informações que possibilitam a geração dos mapas? Que informações são essas?

Saulo: “Os drones geram mapas georreferenciados obtendo as coordenadas geográficas e altitude de cada foto durante o voo. A precisão do georreferenciamento dependerá da qualidade do sistema GNSS embarcado, podendo ser convencional ou RTK. Se for necessário melhorar ainda mais a confiabilidade dos dados, podem ser posicionados em solo alguns pontos de controle com coordenadas conhecidas para realizar o ajuste fino durante o processamento.  Em resumo, os sistemas mais simples normalmente têm precisão de um ou dois metros (dependerá da qualidade do processamento), mas utilizando RTK, pontos de controle ou ambos, é possível obter precisão inferior a 5 centímetros. Para as aplicações de sensoriamento remoto na agricultura, a acurácia de um metro é suficiente na maior parte dos trabalhos”.

MS: Esses mapas que são gerados têm o objetivo de mostrar a real situação da área e ajudar o produtor na tomada de decisão (aplicação de produtos, irrigação, etc). Esses mapas conversam com outros tecnologias já usadas pelos produtores (como por exemplo sistemas de GPS presentes nos equipamentos agrícolas)?

Saulo: “Sem dúvida. A integração das tecnologias é essencial para aproveitar ao máximo os benefícios que os drones podem oferecer. Quando é feito um mapeamento para observar estado nutricional de plantas, por exemplo, é possível gerar um arquivo de recomendação com taxa variável, que fornece ao equipamento de aplicação a taxa exata que deve ser dispersada/pulverizada em cada ponto da lavoura. Outras possibilidades como mapeamento de plantas daninhas ou reboleiras de nematoides também são exemplos onde é possível gerar mapas de recomendação que podem gerar economias significativas para o produtor, uma vez que o insumo é depositado apenas onde há real necessidade”.

MS: Na safra 17/18 vocês fizeram o monitoramento de áreas. É a primeira vocês que vocês realizaram efetivamente esse trabalho? Em que região ou em que cidades que vocês desenvolveram esse monitoramento?

Eduardo: “Realizamos o acompanhamento de algumas áreas na safra anterior (16/17), mas foram mapeamentos em caráter mais experimental, para pesquisas. Nesta safra, sobrevoamos lavouras em todas as regiões do país. Foram 15 estados percorridos e aproximadamente 80 áreas sobrevoadas, localizadas em sua maioria na região Sul do país”.

MS: Como foi esta experiência e como os produtores tem interagido com essa nova tecnologia?

Eduardo: “Estes serviços nos possibilitaram acessar regiões com realidades diferentes de clima, bioma e a forma como o plantio é conduzido. Assim, percebemos que cada local possui sua peculiaridade e os desafios/problemas encontrados pelos produtores podem variar bastante. No geral os produtores tem demonstrado curiosidade pela tecnologia e nos questionam muito sobre as possibilidades que a ferramenta proporciona. Então explicamos sobre as soluções que podem ajudá-lo a produzir de maneira mais eficiente. Deixamos claro as limitações e barreiras que impossibilitam a detecção de certos problemas na lavoura, pelo menos por enquanto”.

MS – Quais os objetivos ou resultados iniciais alcançados nesta safra?

Eduardo: “O nosso objetivo principal tem sido agregar o máximo de informação sobre sensoriamento remoto na agricultura para poder oferecer informações confiáveis e de alto valor aos nossos clientes. Estamos no início deste trabalho, mas conseguimos bons resultados auxiliando no manejo de áreas infestadas com nematoides, bem como em nutrição gerando mapas de recomendação para aplicação de insumos a taxa variável”.

MS – Quais são os próximos passos para continuar a desenvolver e inovar no setor?

Saulo: “Para que essa tecnologia se torne ainda mais viável, é necessário que a operação dos equipamentos e processamento das imagens sejam tarefas simples, que não exijam extrema atenção ou perícia dos envolvidos.  A legislação também precisa sofrer algumas adaptações para que o setor seja regulamentado da forma mais correta possível, permitindo que as atividades de mapeamento comercial com drones ocorram de maneira mais descomplicada e menos burocrática. Para os próximos meses devem surgir também novas tecnologias de sensores no mercado, desenvolvidos especialmente para a agricultura, que irão aumentar significativamente a riqueza e confiabilidade dos dados gerados pelos drones.  Para as empresas e consultores agrícolas que ainda não pensaram em inovar e utilizar drones em seus serviços, aconselhamos a se manterem atentos nesse mercado, pois está evoluindo de forma muito acelerada e certamente é uma tecnologia que estará cada vez mais presente nas lavouras e estações experimentais a partir de agora”.

 

Redação: Bruna Eduarda Meinen Feil  – Assessora de Comunicação Equipe Mais Soja

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.