O objetivo do trabalho foi de avaliar a variabilidade espacial da RP e de outras propriedades físicas ligadas à sua estrutura.

Autores:  Jéssica Santi Boff1, Júlio Cesar Wincher Soares2, Claiton Ruviaro2, Daniel Nunes Krum1, Pedro Maurício Santos dos Santos1, Lucas Nascimento Brum1, Higor Machado de Freitas1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A resistência mecânica do solo à penetração das raízes (RP) é uma propriedade física importante para a avaliação da qualidade do solo (Souza et al., 2006). Os diferentes métodos de manejo e conservação do solo acarretam mudanças nas propriedades físicas e morfológicas dos solos, resultando num novo comportamento da RP.

A avaliação da variabilidade espacial da RP e de outras propriedades ligadas a estrutura dos solos, contribui para a adoção de práticas sustentáveis de manejo e conservação do solo. Com ênfase nessa abordagem, o objetivo do trabalho foi de avaliar a variabilidade espacial da RP e de outras propriedades físicas ligadas à sua estrutura.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi realizado no ano de 2018, numa catena de solos, com área de 1,17 ha, com soja, sob cultivo mínimo da Fazenda Escola da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Campus de Santiago. Nesta área, desenvolvem-se Neossolos Litólicos Distróficos e Neossolos Regolíticos Distróficos (EMBRAPA, 2013).

Para a descrição pedométrica foram instalados 52 pontos de prospecção, com intervalos regulares de 15 metros, na profundidade de 0,0 a 0,2 m. A locação dos pontos contou com o emprego de um receptor GNSS (Sistema global de navegação por satélite), com disponibilidade RTK (posicionamento em tempo real), utilizando o datum horizontal SIRGAS 2000, zona 21 S.

Nos pontos de prospecção foram coletadas amostras deformadas e indeformadas para a determinação das seguintes propriedades físicas: densidade do solo (DS), porosidade total (PT), argila e umidade volumétrica (UV), conforme Donagema (2011). O teor da matéria orgânica (MO) foi obtido pela transformação do carbono orgânico, determinado pelo método colorimétrico (Raij et al., 2001). E por fim, o teste de resistência mecânica do solo à penetração das raízes foi realizado na profundidade de 0,0 – 0,2 m, utilizando o penetrômetro digital, modelo Falker PLG 1020.

A avaliação da variabilidade das propriedades do solo se deu, primeiramente, através da análise estatística descritiva e a normalidade dos dados foi testada por Kolmogorov-Smirnov. Em seguida, foram realizados procedimentos geoestatísticos e os mapas das diferentes propriedades dos solos foram gerados utilizando o interpolador de krigagem ordinária do ArcGIS® 10.5.1.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Todas as propriedades avaliadas apresentam distribuição normal, conforme o teste de Kolmogorov-Smirnov, ao nível de 95% de confiança (TABELA 1).

Tabela 1. Análises estatísticas descritivas e testes de normalidade das propriedades físicas de Neossolos,com a cultura da soja, sob cultivo mínimo.

A RP demonstrou valor médio inferior ao considerado restritivo, de acordo com Miola et al. (2015). Os teores de argila dos solos amostrados classificaram-se como de textura média, já para a DS, o valor médio esteve longe da densidade crítica para a maioria das culturas (Reinert et al., 2001). Quanto a PT, de acordo com Kiehl (1979), o valor médio está próximo ao ideal, de 50%. Por fim, considerando o mesmo autor, o valor médio de MO também está próximo ao ideal, de 5% (TABELA 1).


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As viáveis: RP, DS e PT se ajustaram ao modelo Stable, demostrando alcance de 64,83; 44,13 e 28,84 m, respectivamente; com efeito pepita de 0,0 para todas as variáveis. Assim, o grau de dependência espacial para estas variáveis foi classificado como forte. Já os dados de Argila e MO ajustaram-se ao modelo Gaussiano, com alcance de 19,62 e 36,75 m, e efeito pepita de 2,02 e 0,0, respectivamente; perfazendo o grau de dependência espacial forte. Finalmente, para a UV os dados se ajustaram ao modelo Esférico, com alcance de 36,67 m e efeito pepita de 1,75, culminando no grau de dependência espacial fraco (TABELA 2).

Tabela 2 – Parâmetros dos modelos de semivariogramas ajustados para as propriedades físicas de Neossolos, com a cultura da soja, sob cultivo mínimo.

O cruzamento dos modelos digitais apresentados na figura 1, indica que, a elevação da massa de solo por unidade de volume, ocasiona maior densidade e maior RP, com redução da porosidade total e com maior ênfase no decréscimo dos poros de elevado diâmetro, como observado por Stone et.al, (2002). Desta forma, as modificações na estrutura do solo podem levar à redução no conteúdo de água disponível e má aeração, processos descritos por Voorhees (1983); alterando também, a ramificação, penetração, e distribuição das raízes no solo.

Figura 1 – Mapas de distribuição espacial das propriedades físicas de Neossolos, com a cultura da soja, sob cultivo mínimo.

CONCLUSÃO

A geoestatística possibilitou a descrição da variabilidade espacial das propriedades físicas estudadas, proporcionando a melhor visualização do seu comportamento na catena. Também, em linhas gerais, as propriedades físicas estudadas não apresentaram restrições para o desenvolvimento vegetal.

REFERÊNCIAS

DONAGEMA, G.K. et al. Manual de métodos de análise de solos. 2.ed. rev. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2011. 230p. (Embrapa Solos. Documentos, 132).

EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de Janeiro: EMBRAPA, 2013. 353p.

RAIJ, B. V. et al. Análise química para avaliação da fertilidade de solos tropicais. Campinas: Instituto Agronômico, 2001. 285p.

SOUZA, Z. M. et. al. Dependência espacial da resistência do solo à penetração e teor de água do solo sob cultivo de cana-de-açúcar. Ciência Rural, v.36, n.1, p.128-134, 2006.

STONE, L. F. et al. Compactação do solo na cultura do feijoeiro: efeitos nas propriedades físicohídricas do solo. Agriambi, v. 6, n. 2, p. 207-212, 2002.

MIOLA, E.C.C. et al. Intervalo hídrico ótimo em solo construído após mineração de carvão em diferentes limites críticos de resistência à penetração e umidade. R. Bras. Ci. Solo, 39:563-572, 2015.

REINERT, D.J. et al. Propriedades físicas de solos em sistema plantio direto irrigado. In: CARLESSO, R. et al, orgs. Irrigação por aspersão no Rio Grande do Sul. Santa Maria, Palloti, 2001, v.1, p.114-133.

VOORHEES, W.B. Relative effectiveness of tillage and natural forces in alleviation wheel induced soil compaction. Soil Sci. Soc. Am. J., v. 42, 1983. p. 129-133.

Informações dos autores:  

1Graduando (a) em Agronomia, Laboratório de Solos da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Campus Santiago;

2Professor Dr. do Curso de Agronomia. Laboratório de Solos da URI, Campus Santiago.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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