Efeitos de herbicida graminicida associado ao glyphosate na fisiologia da soja

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O objetivo deste trabalho foi determinar a possível influência do herbicida glifosato ao graminicida na fisiologia da soja.

Autores: Leandro Rissieri Licorini1, Bruno Cavenaghi1  & Dana Katia Meschede2

1Universidade Estadual de Londrina – UEL, Londrina-PR

Glyphosate
Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O uso de herbicidas no controle de plantas daninhas em soja tem sido cada vez mais intensificado e necessário, na busca de um resultado satisfatório para o controle das plantas daninhas. Porém, muitas das vezes tem-se utilizado produtos associados para obter resultados satisfatórios. Além das opções do uso de herbicidas já conhecidos no controle das plantas daninhas, utilizados em variedades convencionais, cada vez mais, novas tecnologias têm sido disponibilizadas no mercado agrícola, como opção ou alternativa no controle das plantas daninhas. O herbicida glifosato (N-fosfonometil glicina) foi originalmente sintetizado em 1964, como potencial agente quelante industrial e seu uso como herbicida foi descrito em 1971. É um potente herbicida de pós-emergência, de largo espectro, não seletivo, pertencente ao grupo químico dos derivados de glicina (RODRIGUES, 2005) atuando na rota do ácido chiquímico, a qual é responsável pela produção de aminoácidos aromáticos essenciais para a síntese de proteínas e divisão celular nas regiões meristemáticas da planta (HESS, 1994).

A absorção do glifosato ocorre pelas regiões clorofiladas das plantas, principalmente pelas folhas e outros tecidos verdes (AMARANTE JÚNIOR et al., 2002; GALLI & MONTEZUMA, 2005), inibindo especificamente a enzima 5-enolpiruvil-chiquimato-3-fosfatosintase (EPSPS) que catalisa a condensação do ácido chiquímico e do fosfato piruvato, interrompendo a síntese de três aminoácidos essenciais – triptofano, fenilalanina e tirosina (JAWORSKI, 1972; ZABLOTOWICZ & REDDY, 2004). Esta a desregulação da via do chiquimato pode ser acompanhada por um distúrbio metabólico geral que inclui a via dos fenilpropanóides que produz numerosos produtos secundários de plantas, tais como antocianinas, lignina, promotores e inibidores de crescimento e compostos fenólicos secundários (GRUYS & SIKORSKI, 1999).

Entre as plantas daninhas com alto potencial competitivo na cultura da soja, destacam-se as espécies pertencentes à família das gramíneas. O controle destas gramíneas é realizado na cultura da soja, através dos herbicidas inibidores da enzima acetil-CoA carboxilase (ACCase). Estes promovem a inibição enzimática, bloqueando a síntese de lipídeos nas plantas suscetíveis (Burke et al., 2006), prejudicando a formação das paredes celulares e desestruturando os tecidos em formação (Nalewaja et al., 1994). Os principais sintomas promovidos pela ação desses herbicidas são: paralisação do crescimento, amarelecimento das folhas, coloração arroxeada ou avermelhada nas folhas mais velhas, seguida de morte apical (DeFelice et al., 1989).

O objetivo deste trabalho foi determinar a possível influência do herbicida glifosato ao graminicida na fisiologia da soja.

O experimento foi desenvolvido na Fazenda Bom Sucesso, no município de Ibiporã, Estado do Paraná, em dezembro de 2015. A variedade utilizada foi a Intacta, resistente ao glyphosate. As coordenadas geográficas S 23o 11‘ 13,2‘’ W 051o 04‘ 15,3‘’. O solo é classificado de textura muito argilosa tipo 3, com argila 72%, Silte 18% e areia 10%. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso com oito tratamentos e cinco repetições. Os tratamentos utilizados foram: 1- Testemunha capinada, 2- Testemunha capinada + genium plus 0,6 L ha-1, 3- glyphosate 4,0 L ha-1, 4- glyphosate 4,0 + genium plus 0,6 L ha-1, 5- clethodim 0,45 + Lanzar 1,0 L ha-1, 6- clethodim 0,45 + genium plus 0,6 + Lanzar 1,0 L ha-1, 7- glyphosate 4,0 + clethodim 0,45 + Lanzar 1,0 L ha-1, 8- glyphosate 4,0 + clethodim 0,45 + genium plus 0,6 L ha-1. Os herbicidas utilizados foram glyphosate (Roundup original 480 g/L concentração de sal de isopropilamina), o clethodim (Select 240 g/L), acrescido de óleo mineral Lanzar.

A aplicação dos herbicidas foi realizada no estádio da soja V4 na data 12 de fevereiro de 2016 e R1 na data de 04 de março de 2016. Para a aplicação dos herbicidas, foi utilizado pulverizador costal pressurizado a CO2, com pressão constante de trabalho de 200 kPa (29 PSI), uma vazão de 0,65 L min.-1, equipado com lança contendo 4 pontas de pulverização do tipo jato plano modelo XR110 02 a uma altura de 50 cm do ápice das plantas e a velocidade de 1 m.s.-1, proporcionando uma taxa de aplicação de 200 L ha-1.

Foram coletadas folhas de soja aos 7 e 14 dias após a aplicação em estádio V4 para as análises de extrato proteico. A metodologia utilizada para coleta foi 5 folhas por parcela, as quais foram enroladas em papel alumínio e mantidas no gelo em uma caixa térmica, para posterior congelamento.

As análises foram realizadas através do extrato proteico para quantificação de proteínas totais, foi obtido através da coleta de 0,5 g de tecido vegetal fresco, o qual foi macerado em almofariz previamente resfriado contendo 3 ml de tampão fosfato de potássio 0,1 M, pH 7,5 sendo em seguida acondicionado em tubo eppendorf, e centrifugado a 12.000 rpm a 4ºC por 15 min. Para quantificação de proteínas totais seguiu o método descrito por Bradford (1976). Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias das variáveis significativas, pelo critério de Tukey a 5% de significância.

Ao se analisar os dados, foi possível observar diferença significativa no tratamento capinada (sem micro), o qual obteve a menor quantidade de proteína diferenciando dos demais. O tratamento clethodim (sem micro) obteve a maior quantidade de proteína diferenciando somente do tratamento capinada (sem micro) e não apresentou diferença estatística aos demais tratamentos, na avaliação aos 7 DAA, conforme (quadro 1).

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Figura 1. Quantidade de proteína total (mg) aos 7 e 14 dias após a aplicação de herbicida germicida e glyphosate. Ibiporã/PR.

Após 14 DAA verificou-se que os tratamentos glyphosate + clethodim (sem micro), clethodim (sem micro) e glyphosate (com micro) não diferenciaram entre si, porém diferenciaram dos demais e o tratamento clethodim (sem micro) obteve a maior quantidade de proteína. Concluiu-se que o herbicida clethodim sem adição de micronutriente obteve a maior quantidade de proteína.

Tabela 1. Analises de Proteína Total aos 7 e 14 dias após a aplicação de herbicida germicida e glyphosate. Ibiporã/PR, 2015-2016.

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Referências

AMARANTE JÚNIOR, O. P.; SANTOS, T. C. R.; BRITO, N. M.; RIBEIRO, M. L.Glifosato: propriedades, toxicidade, usos e legislação. Química Nova, São Paulo, v. 25, n. 4, p. 589-593, 2002.

BURKE, I. C. et al. A seedling assay to screen aryloxyphenoxypropionic acid and cyclohexanedione resistance in johnsongrass (Sorghum halepense). Weed Technol., v. 20, n. 4, p. 950-955, 2006.

DEFELICE, M. S. et al. Weed control in soybeans (Glycine max) with reduced rates of postemergence herbicides. Weed Sci., v. 37, n. 3, p. 365-374, 1989.

GALLI, A. J. B.; MONTEZUMA, M. C. Alguns aspectos da utilização do herbicida glifosato na agricultura. São Paulo: Monsanto do Brasil, 2005. 60p.

GRUYS, K.J.; SIKORSKI, A. Inhibitors of tryptophan, phenylalanine, and tyrosine biosynthesis as herbicides. In: SINGH, B.K. (Ed.). Plant amino acids – biochemistry and biotechnology. New York: Marcel Dekker, Inc., 1999. p. 357-365.

HESS, F. D. Mechanism of action of inhibitors of amino acid biosynthesis. In: Herbicide action: an intensive course on the activity, selectivity, behavior, and fate of herbicides in plants and soil. West Lafayette: Purdue University, p. 344-365. 1994.

JAWORSKI, E.G. Mode of action of N-phosphonomethylglycine: inhibition of aromatic amino acid biosynthesis. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 20, n. 6, p. 1195-1198, 1972.

NALEWAJA, J. D.; MATYSIAK, R.; SZELEZNIAK, E. F. Sethoxydim response to spray chemical properties and environment. Weed Technol., v. 8, n. 3, p. 591-597,1994.

RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas. 5. ed. Londrina: RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. (Eds), 2005. 592 p.

ZABLOTOWICZ, R.M. & REDDY, K.N. Impact of glyphosate and Bradyrhizobium japonicum symbiosis with glyphosate-resistant transgenic soybean: a minireview. Journal of Environmental Quality, v. 33, p. 825-831, 2004.

Fonte: V Simpósio Internacional sobre Glyphosate

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