A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja-MT) definiu em Assembleia Geral, a orientação para os associados, que a semeadura de soja semente para consumo próprio seja realizada na primeira quinzena de fevereiro. Segundo o presidente da Aprosoja, Antonio Galvan, na orientação divulgada aos associados da instituição, disponível no site da Aprosoja MT (acesse aqui), 80% dos 499 produtores rurais entrevistados, concordaram com a mudança da calendarização do plantio para fevereiro.

A Aprosoja argumenta que a recomendação do Instituto de Defesa Agropecuário de Mato Grosso (Indea), que determina o plantio até 31 de dezembro, segundo a instrução normativa 002/2015, estaria prejudicando os agricultores que querem produzir a própria semente, e que com esta restrição “Estão ignorando a experiência do campo do produtor rural. Este é um assunto econômico, que favorece as empresas de sementes”, de acordo com o posicionamento divulgado.

A redução da janela de semeadura para reduzir o número de aplicações na safra foi uma das medidas sugeridas pelo grupo de pesquisadores do Consórcio Antiferrugem, para reduzir a pressão de seleção do fungo P. pachyrhizi aos fungicidas na reunião de 2013/14 (Confira aqui).

Este prazo limitante ao período de semeadura é fundamentado por outras instituições, com base legal, buscando uma redução da pressão de inóculo da ferrugem asiática da soja, tendo em vista que o fungo sobrevive em plantas vivas de soja, objetivando uma manutenção do controle e como consequência preservação dos níveis de produtividade e custos.

Em resposta a orientação da Aprosoja-MT, diversas instituições manifestaram-se contrárias, dentre elas a Fundação MT que divulgou uma nota de esclarecimento, manifestando posição contrária a alteração proposta pela Aprosoja, segundo a nota “a fundação reforça a necessidade de priorizar estratégias que diminuam os riscos e aumentem a segurança da cadeia relacionada a cultura da soja.” A nota ainda reconhece o trabalho e posicionamento técnicos científicos da Embrapa, e manifestou apoio ao Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso, INDEA – MT e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).


Confira a nota da Fundação MT aqui.


O FRAC (Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas – FRAC Brasil) em seu manifesto contrário, menciona que a calendarização de plantio é uma ferramenta que auxilia na regulação do período em que a cultura e patógeno estão disponíveis no campo. Considerando que o inóculo de ferrugem asiática da soja aumenta exponencialmente ao longo deste período e que quanto mais extenso for este período, maior será a exposição e pressão de seleção da resistência aos fungicidas (independentemente do modo de ação e do histórico de resistência do fungicida).


Confira o posicionamento do FRAC.


A Associação Brasileira de Sementes e Mudas – ABRASEM  divulgou uma nota de posicionamento em relação a orientação a Aprosoja-MT, a nota ressalta os riscos do plantio fora da calendarização elevando o risco de agravamento dos problemas e frisou que  “tem um posicionamento contrário ao cultivo extemporâneo de soja, para qualquer finalidade, após o dia 31 de dezembro de cada ano.”


Acesse a nota de posicionamento da ABRASEM aqui.


Em nota oficial o CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil), condena e desaprova efetivamente o plantio de soja fora da época recomendada e definida por lei nos estados brasileiros.

Outro manifesto contrário reúne assinaturas de instituições públicas e privadas ligadas ao setor, no texto 23 instituições se disseram favoráveis a manutenção do período de restrição a semeadura, preservando a sustentabilidade da sojicultura brasileira e reconheceram o trabalho de pesquisas das instituições afirmando que “é consenso entre pesquisadores das diversas instituições de pesquisa e universidades renomadas e respeitadas em todo o Brasil, que a longa janela de cultivo agrava o problema com a resistência das pragas aos métodos de controle químico”.

O manifesto ainda diz “A formulação de políticas públicas deve priorizar a sustentabilidade em longo prazo de toda a cadeia produtiva e não permitir medidas que ameacem o agronegócio como um todo.” O manifesto sugere a implantação de um calendário nacional da soja no Brasil.


Leia o manifesto completo aqui.


Em nota de esclarecimento o Indea – MT (confira) informou que cumprirá com seu papel de fiscalização referente ao calendário de plantio, a norma vigente estabelece o período de 16 de setembro a 31 de dezembro para o plantio da safra. O agricultor que não cumprir a legislação está sujeito a multas, interdição de propriedade e danos na lavoura, a nota do Indea ainda reforça “que que tal medida é de extrema importância para prevenção e controle fitossanitário da ferrugem asiática, considerando a perda de eficiência e a reduzida disponibilidade de fungicidas (ingredientes ativos) que controlam a ferrugem asiática.”

Redação: Daniela Vargas – Equipe Mais Soja


Confira o depoimento do pesquisador Ricardo Balardin a respeito da semeadura da soja em fevereiro.

 

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