Seja um macro ou macronutriente, a deficiência de algum desses pode resultar em redução da produtividade da soja, limitando-a mesmo que os demais nutrientes estejam disponíveis em quantidades suficientes. Com o Zinco (Zn) não é diferente, o micronutriente é cofator de enzimas e componente estrutural em proteínas. Alguns importantes processos bioquímicos afetados pelo Zinco nas plantas incluem síntese de proteínas, regulação de hormônios e produção de energia (IPNI), e sua deficiência pode resultar em baixa produtividade da soja.

Embora o Zinco seja requerido em pequenas quantidades pelas plantas, ele pode ser ofertado na forma de fertilizantes em culturas agrícolas como a soja, sendo o Sulfato de Zinco uma das fontes mais conhecidas.

Tabela 1. Fontes comuns de fertilizantes contendo Zinco.

Fonte: IPNI

Segundo Gitti & Roscoe (2017), para expectativa de produtividade média de 3 t.ha-1 de soja, são extraídos cerca de 183 g.ha-1 e exportados cerca de 120 g.ha-1 de Zinco. Ainda que pareçam quantidade pequenas, em comparação a outros micronutrientes como Molibdênio e Cobre, o Zinco é exportado e extraído em maiores quantidades.



Tabela 2. Extração e exportação de macro e micronutrientes pela cultura da soja em função da produtividade de grãos.

Fonte: Embrapa (2013), citado por Gitti & Roscoe (2017)

Tendo em vista a importância do micronutriente, em algumas situações é possível realizar a adunação com Zinco para elevar os níveis do nutriente no solo, aumentando a produtividade da soja, caso os demais nutrientes e fatores de manejo e ambientais estejam de acordo com as exigências e necessidades da cultura.

Avaliando “diferentes doses e épocas de aplicação de Zinco na cultura da soja”, Oliveira et al., (2017) observaram respostas positivas da soja á adubação com Zinco. Para compor o estudo, os autores realizaram a adubação com Zinco em dois estádios do desenvolvimento da soja, V9 e R1, avaliando diferentes doses de zinco (0, 3, 6, 9 e 12 kg ha-1), utilizando como fonte do nutriente o sulfato de Zinco, o qual foi fornecido via solo.

Os autores observaram influência significativa das doses de Zinco em componentes de produtividade da soja como número de nós por planta e número de legumes por planta, sendo valores maiores desses componentes observados quando o fornecimento de Zinco ocorreu em R1.  Com relação a produtividade, os autores destacam haver diferença significativa entre as épocas de fornecimento do Zinco, sendo observadas maiores produtividade quando o micronutriente foi fornecido em V9.

No que diz respeito as doses de Zinco e produtividade da soja, Oliveira et al. (2017) observaram relação linear positiva para a variável, sendo possível visualizar aumento de produtividade da soja a medida que a dose de Zinco é aumentada. Com base nos resultados obtidos por Oliveira et al. (2017) as diferenças de produtividade variaram de 2754 kg.ha-1 a 3153 kg.-1, representando um acréscimo de quase 15% na produtividade quando fornecidos 12 kg.ha-1 de Zinco.

Figura 1. Produtividade de grãos de soja (kg.ha-1) em função de diferentes doses de Zinco.

Fonte: Oliveira et al. (2017)

Os autores também avaliaram outras variáveis tais como peso de 100 grãos e teor foliar de Zn, as quais apresentam diferenças significativas, demonstrando o importante papel no micronutriente no crescimento e desenvolvimento da soja. Para acessar o trabalho completo de Oliveira et al. (2017) clique aqui!

Tendo em vista os aspectos observados e os resultados obtidos por Oliveira et al. (2017), é possível afirmar que o Zinco apresenta papel significativo na produtividade da cultura da soja, sendo sua contribuição visível não só na produtividade propriamente dita, mas também em alguns componentes de produtividade da soja. Dessa forma, a adubação com Zinco é uma importante ferramenta para a obtenção de altas produtividades, servindo como ajuste fino da fertilidade, entretanto, cabe destacar que de nada ela servirá caso haja outros desbalanços nutricionais no solo, visto que conforme a conhecida Lei de Liebig ou Lei do Mínimo, a produtividade de uma cultura é limitada pelo nutriente em quantidades abaixo da requerida pela cultura, mesmo que os demais estejam em quantidades mais que suficientes.


Veja também: A Lei de Liebig (ou Lei do mínimo) e a produtividade das lavouras



Referências:

GITTI, D. C.; ROSCOE, R. MANEJO E FERTILIDADE DO SOLO PARA A CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2016/2017, 2017. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/267/267/5ae094693ac7eb62b18892214e39e87c4db50d63f6523_capitulo-01-manejo-e-fertilidade-do-solo-para-a-cultura-da-soja-somente-leitura-.pdf >, acesso em: 18/02/2021.

IPNI. NUTRI-FATOS: INFORMAÇÃO AGRONÔMICA SOBRE NUTRIENTES PARA AS PLANTAS, ZINCO. IPNI. Disponível em: < http://www.ipni.net/publication/nutrifacts-brasil.nsf/0/7FF295229A55F5E58325818600450E82/$FILE/NutriFacts-BRASIL-8.pdf >, acesso em: 18/02/2021.

OLIVEIRA, F. C. et al. DIFERENTES DOSES E ÉPOCAS DE APLICAÇÃO DE ZINCO NA CULTURA DA SOJA. Revista de Agricultura Neotropical, Cassilândia-MS, v. 4, Suplemento 1, p. 28-35, dez. 2017. Disponível em: < https://core.ac.uk/download/pdf/234766345.pdf >, acesso em: 18/02/2021.

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