Atualmente, cada vez mais busca-se sistemas agrícolas mais produtivos, mais rentáveis economicamente e eficazes na utilização dos recursos, principalmente fertilizantes, cuja matéria-prima trata-se de recurso natural finito e de cada vez maior valor agregado. Nesse sentido, os sistemas integrados de produção agropecuária (SIPA) são uma importante ferramenta afim de promover a intensificação sustentável do uso da terra. Os SIPA são definidos pela alternância temporária entre o cultivo de grãos e pastejo de animais na mesma área, potencializando a ciclagem de nutrientes e intensificando a produção de alimentos por unidade de insumo (e.g. fertilizante) utilizado.

A maior eficiência dos SIPA se deve principalmente pelo fato do animal atuar como (re)ciclador de nutrientes, pois apenas uma pequena parte dos nutrientes ingeridos durante o processo de pastejo são exportados via carne, e a maioria volta para o sistema via fezes e urina. Alves et al. (2018) demonstraram, em estudo de 14 anos de SIPA com rotação de soja e milho no verão e ovinos de corte no inverno, que cerca de 95% do P e K foi exportado via grãos, e apenas 5% pela carne. Os nutrientes que retornam para o solo, via fezes e urina dos animais, podem ser reaproveitados pelas plantas submetidas ao pastejo e posteriormente para a cultura de verão, sobretudo quando é realizado um manejo adequado da intensidade de pastejo, seguindo um fluxo de reciclagem de nutrientes. Sendo assim, esses nutrientes dificilmente são perdidos por lixiviação ou escoamento superficial e permanecem no sistema produzindo alimento.


Dessa forma, justifica-se fazer uma adubação com expectativa de resposta para a soja no período hibernal, devido ao potencial reciclador de nutrientes do animal em pastejo nesse período, surgindo um novo conceito de adubação, a adubação do sistema para SIPA. Essa adubação do sistema consiste em uma antecipação da fertilização (P e K), que seria feita na semeadura da cultura de verão, favorecendo a produção da pastagem, aumentando os ganhos com a pecuária e ainda explorando a reciclagem do animal para disponibilizar o P e K, aplicado no período hibernal, para a cultura de verão.

Em experimento realizado na Estação Experimental Agronômica da UFRGS, em Eldorado do Sul, cujo objeto de estudo consiste em SIPA vs. adubação do sistema, verificou-se que a produção da soja não foi afetada pela época de adubação fosfatada e potássica, no inverno (estabelecimento do azevém – adubação do sistema) ou no verão (semeadura da soja – adubação tradicional), nem pela entrada (SIPA) ou não (plantio direto com plantas de cobertura) do animal em pastejo sobre o azevém durante o período hibernal (Figura 1).


Os resultados obtidos até o momento demonstram que a adubação com P e K pode ser realizada no inverno para otimizar o sistema operacional de fertilização e também explorar melhores preços de fertilizantes durante um período de menor demanda no mercado. Além disso, o pastejo hibernal agrega valor ao sistema de produção, sem causar diminuição na produtividade da soja no verão, intensificando o sistema produtivo e aumentando a produção de alimentos. No entanto, é importante estudos de longo prazo que verifiquem a repetição desse comportamento em diferentes condições meteorológicas e de solo, afim de se consolidar a adubação do sistema como uma alternativa de modo de adubação aos produtores rurais.



¹Eng. Agrônomo, Aluno de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Grupo Interdisciplinar em Biogeoquímica Ambiental (IRGEB), Universidade Federal do Rio Grande do Sul

²Eng. Agrônomo, Doutor em Ciência do Solo, Professor de Química do Solo, Departamento de Solos, Faculdade de Agronomia, IRGEB, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

³Eng. Agrônoma, Doutora em Ciência do Solo, Professora de Fertilidade do Solo, Departamento de Solos, Faculdade de Agronomia, IRGEB, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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