Atualmente considerada uma praga quarentenária presente no estado do Mato Grosso, o Amaranthus palmeri é uma planta daninha que vem se destacando pelo rápido crescimento (é uma planta com mecanismo C4, com altas taxas de crescimento quando comparada a soja, por exemplo), elevada produção de sementes e alta habilidade competitiva. A planta pode crescer de 3 a 4 cm por dia, alcançando alturas médias 0,5 a 2,5m, a depender da cultura que esta infestando e, além disso, cada planta de A. palmeri pode produzir até 600.000 sementes (Tuesca et al., 2016).

Essas sementes são dispersadas com facilidade, tendo como principais agentes dispersantes, animais como bovinos e pássaros, e máquinas agrícolas como colhedoras. Com isso em vista, é comum observar vários fluxos de emergência da daninha em áreas de cultivo da soja e outras culturas anuais.



Figura 1. Amaranthus palmeri

A habilidade competitiva do caruru pode causar drásticas reduções de produtividade de culturas agrícolas. Segundo Klingaman & Oliver (1994), uma planta de A. palmeri por metro linear pode causar uma redução de produtividade da soja de até 32%. Da mesma forma, avaliando a interferência de biótipos de A. palmeri sobre a cultura da soja, Chandi et al. (2012) observaram que 0,37 planta.m² pode reduzir em até 21% a produtividade da soja. Confira na tabela 1 a relação entre a densidade de plantas de A. palmeri e a redução na produtividade de soja observada por Klingaman & Oliver (1994).

Leia +:  Na Argentina o caruru ocupa mais hectares que a soja

Tabela 1. Relação entre plantas de A. palmeri por metro linear e a redução da produtividade da soja.

Adaptado: Klingaman & Oliver (1994)

Não para por aí, além de uma expressiva redução da produtividade da soja, o caruru pode causar considerável redução na produtividade de outras culturas como o milho. Avaliando a interferência do A. palmeri na cultura do milho, Massinga et al. (2001) observaram redução da produtividade do milho de 11 a 91% conforme o aumento da densidade populacional da planta daninha de 0,5 para 8 planta.m-1, destacando a habilidade competitiva do A. palmeri.

I Em cada lavoura, teremos um cenário de produção, de potencial produtivo, de clima, de matocompetição, de controle, mas estes dados podem nos fornecer embasamento para afirmar: o Caruru é uma planta daninha com alto potencial para causar redução de produtividade! I

Uma preocupante planta daninha que se mal manejada pode se tornar um verdadeiro pesadelo, o caruru necessita de cuidados especiais para evitar sua dispersão e evolução da área infestada, sendo necessário medidas de manejo que contemplem seu controle em pré-emergência, a redução dos fluxos de emergência e o controle em pós-emergência ainda nos estádios iniciais do desenvolvimento da cultura. Controle esse, que pode ser extremamente dificultoso em virtude dessa daninha pra apresentar resistência conhecidas a herbicidas como inibidores da EPSPs, inibidores da ALS, inibidores do fotossistema II entre outros (Heap).

I Com muita dificuldades no controle, devido as resistências já registradas,  grande potencial dispersão e infestação de extensas áreas do Brasil (assim como já ocorre nos EUA e na Argentina que completam o ranking dos 03 maiores produtores de soja do mundo), devemos manter o monitoramento efetivo, controlando e evitando que as plantas se dispersem e atinjam altas populações dentro de nossos talhões. I

Referências:

CHANDI, A. et al. INTERFERENCE OF SELECTED PALMER AMARANTH (Amaranthus palmeri) BIOTYPES IN SOYBEAN (Glycine max). International Journal of Agronomy, 2012. Disponível em: < https://www.hindawi.com/journals/ija/2012/168267/ >, acesso em: 25/01/2021.

HEAP, I. BANCO DE DANOS INTERNACIONAIS DE PLANTAS DANINHAS RESISTENTES A HERBICIDAS. weedscience.org, Disponível em: < http://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 23/01/2021.

KLINGAMAN, E. T.; OLIVER, L. R. Palmer Amaranth (Amaranthus palmeri) Interferência na soja (Glycine max). Weed Science, vol. 42, n. 4, 1994. Disponível em: < https://www.jstor.org/stable/4045448?seq=1 >, acesso em: 25/01/2021.

LEGLEITER, T.; JOHNSON, B. PALMER AMARANTH BIOLOGY, IDENTIFICATION, AND MANAGEMENT. Purdeu Extension: Local Faces Countless Connections. Disponível em: < https://www.extension.purdue.edu/extmedia/WS/WS-51-W.pdf >, acesso em: 25/01/2021.

MASSINGA, R. A. et al. Interference of Palmer Amaranth in Corn. Weed Scienci, 2001. Disponível em: < https://www.jstor.org/stable/4046504?seq=1 >, acesso em: 25/01/2021.

TUESCA, D. et al. MANEJO DE MALEZAS PROBLEMA: Amaranthus palmeri (S.) Watson BASES PARA SU MANEJO Y CONTROL EN SISTEMAS DE PRODUCCIÓN. Aapresid, 2016. Disponível em: < http://www.aapresid.org.ar/rem-malezas/archivos/emergencias/documentos/tuesca-papa-y-morichetti-manejo-de-malezas-problema-amaranthus-palmeri-s-watson.pdf >, acesso em: 25/01/2021.


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