Amaranthus palmeri é uma das plantas daninhas mais difíceis de controlar devido suas características biológicas, como a alta capacidade adaptativa por ser dióica (favorece o cruzamento e diversidade genética), por produzir em média cerca de 200 mil sementes por planta, o formato da semente auxilia na rápida disseminação e em condições ideais possui um rápido crescimento (entre 2,5 e 4 cm por dia). Além disso, apresenta resistência a produtos químicos com diferentes mecanismo de ação.

Registros de casos de resistência de A. palmeri a herbicidas já foram feitos nos Estados Unidos, Israel, Brasil e Argentina [1]. O primeiro relato de sua presença no Brasil foi em 2015, no Estado do Mato grosso, e já foi identificado no país biótipos apresentando resistência múltipla ao glifosato (inibidor da EPSPs) e aos inibidores da ALS (Clorimurom-etílico e Cloransulam-metílico).

Os mecanismos de ação dos herbicidas podem ser classificados em duas categorias, sendo elas a “target site resistant” (TSR) que são relacionadas especificamente com o local de ação do herbicida e a “non-target-site resistant” (NTSR) que está relacionada aos meios que reduzem a quantidade de herbicida que chega ao local de ação. O mais comum de ocorrer é o TSR que envolve alteração no gene que codifica a proteína alvo do herbicida. Já o NTSR engloba alteração/redução na absorção e translocação do produto, como também compartimentação e desintoxicação metabólica.



Recentemente, um estudo publicado no jornal “Agricultural and Food Chemistry” relatou a caracterização dos mecanismos de resistência para glifosato de plantas de A. palmeri colhidas em uma lavoura de soja na Argentina.

Através de análises laboratoriais, os resultados confirmaram a resistência ao glifosato, porém não houve evidência de que o mecanismo de resistência foi do tipo TSR. Para averiguar o ocorrido, foi feita uma análise comparativa (em diferentes períodos após o tratamento) entre o potencial de absorção de plantas de A. palmeri suscetíveis e resistentes ao glifosato. Plantas suscetíveis absorveram cerca de 10% a mais de herbicida do que plantas resistentes. Além disso, as plantas suscetíveis translocaram cerca de 20% mais glifosato para o restante da parte aérea e das raízes, enquanto as plantas resistentes retiveram cerca de 60% do herbicida nas folhas tratadas.

Este é o primeiro caso de resistência ao glifosato em A. palmeri envolvendo exclusivamente mecanismos de NTSR. Isso é importante pois viabiliza estudos futuros sobre a biologia molecular do gene que codifica a enzima EPSP, possibilitando que estratégias de manejo da resistência sejam estabelecidas. É necessário que o produtor fique atento quanto a presença de A. palmeri na lavoura. O monitoramento feito periodicamente e a identificação precoce auxilia no controle da disseminação da espécie, evitando perdas significativas na produção.

Considerando a proximidade e intenso intercâmbio entre Brasil e Argentina, o relato de resistência de A. palmeri no país vizinho preocupa: até onde se saiba, não há relatos dessa planta invasora nos estados fronteiriços e a introdução de uma praga resistente seria duplamente um problema para os agricultores no sul do Brasil.

Nota:

[1] Weed Science

Texto originalmente publicado em:
Portal Defesa Vegetal.Net
Autor: Portal Defesa Vegetal.Net - Palma-Bautista et al. (2018)

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