Ameaças fitossanitárias: controle de Ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) com fungicidas multissítios e fertilizantes (resultados dos ensaios de rede da safra 14/15)

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2027

Dentre os principais modos de ação utilizados no controle de doenças na cultura da soja destacam-se os Metil Benzimidazol Carbamato (MBCs), os Inibidores de Desmetilação (DMIs), os Inibidores de Quinona Oxidase (QoIs) e, mais recentemente, a nova geração de moléculas Inibidoras da Succinato Desidrogenase (SDHIs). Apesar da grande contribuição que os fungicidas sistêmicos, sítio-específicos, proporcionam no controle de doenças, seu uso intensivo pode ter como consequência a seleção de isolados de fungos menos sensíveis ou resistentes. Populações do fungo C. cassiicola resistentes a MBC e de P. pachyrhizi menos sensíveis a DMI têm sido relatadas (XAVIER et al., 2013; SCHMITZ et al., 2014).

O número limitado de modos de ação de fungicidas disponíveis para controle de doenças na cultura da soja, associado a populações menos sensíveis de fungos já observadas no campo, e a baixa eficiência de ingredientes ativos isolados, dificultam a utilização de estratégias de manejo de resistência como a rotação de modos de ação. A avaliação da eficiência de fungicidas com diferentes modos de ação é essencial para aumentar as opções de controle de doenças na cultura da soja. O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados sumarizados dos ensaios cooperativos com fungicidas multissítios e fertilizantes, realizados na safra 2014/15, para controle de doença na cultura da soja.

Foram realizados dois protocolos nos seguintes locais: clique para visualizar,.

locais 14 15

O primeiro protocolo foi realizado com os fungicidas multissítios e fertilizantes isolados (Tabela 2) e o segundo com os produtos utilizados em associação aos fungicidas piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1 (Opera®, BASF) e piraclostrobina + fluxapiroxade 116,55 + 58,45 g i.a. ha-1 (Orkestra SC®, BASF) (Tabela 3).

A lista de tratamentos (Tabelas 2 e 3), o delineamento experimental e as avaliações foram definidos com protocolo único, para a realização da sumarização conjunta dos resultados dos ensaios. Os fungicidas dos tratamentos 2 a 5, 8, 9, 12 a 14 (Tabela 2) apresentam registro no MAPA para controle de Cercospora kikuchii (tratamentos 2 a 5, 13 e 14), Septoria glycines (tratamentos 4, 5, 9, 13 e 14), Corynespora cassiicola (tratamentos 4, 5 e 14), Phakopsora pachyrhizi (tratamentos 12 a 14), Sclerotinia sclerotiorum (tratamentos 8 e 12), Microsphaera diffusa (tratamento 14), Colletotrichum truncatum (tratamento 14), Rhizoctonia solani (tratamento 14) e Peronospora manshurica (tratamento 9).

Os fungicidas dos tratamentos 7 e 10 apresentam Registro Especial Temporário (RET) III. Os produtos dos tratamentos 6 e 11 são registrados no MAPA como fertilizantes na cultura da soja.

O delineamento experimental foi blocos ao acaso com quatro repetições. Cada repetição foi constituída de parcelas com, no mínimo, seis linhas de cinco metros. As aplicações iniciaram-se no pré-fechamento das linhas de semeadura e os dois protocolos foram conduzidos na mesma área em cada local.

No primeiro protocolo (Tabela 2) foram realizadas cinco aplicações, com intervalo médio de 11 dias entre a primeira e a segunda aplicação, 11 dias entre a segunda e a terceira, 10 dias entre a terceira e a quarta e 9 dias entre a quarta e a quinta aplicação. No tratamento 14 (trifloxistrobina + protioconazol) foram realizadas três aplicações com intervalos médios de 23 e 14 dias após a primeira e a segunda aplicação, respectivamente.

 Abaixo os tratamentos constantes no protocolo 02:

ingrediente ativo 14 15

No segundo protocolo (Tabela 3) foram realizadas três aplicações com intervalos médios de 21 e 15 dias após a primeira e a segunda aplicação,  respectivamente.

ingredientes ativos dos tratamentos

Foram realizadas avaliações da severidade e/ou incidência das doenças no momento da aplicação dos produtos; da severidade periodicamente e após a última aplicação; da desfolha quando a testemunha apresentou ao redor de 80% de desfolha; da produtividade em área mínima de 5 m2 centrais de cada parcela e do peso de 1000 grãos. Para a análise conjunta, foram utilizadas as avaliações da severidade, realizadas entre os estádios fenológicos R5 (início de enchimento de grãos) e R6 (vagens com 100% de granação) e da produtividade. Foram realizadas análises de variância exploratória, para cada local. Nas análises individuais foram observados o quadrado médio residual, o coeficiente de variação, o coeficiente de assimetria, o coeficiente de curtose, a normalidade da distribuição de resíduos (SHAPIRO; WILK, 1965), a aditividade do modelo estatístico (TUKEY, 1949) e a homogeneidade de variâncias dos tratamentos (BURR; FOSTER, 1972). O teste de comparações múltiplas de médias de Tukey (p=0,05) foi aplicado à análise conjunta, a fim de se obter grupos de tratamentos com efeitos semelhantes. Todas as análises foram realizadas em rotinas geradas no programa SAS® versão 9.1.3. (SAS/ STAT, 1999).

A doença comum nos ensaios e que foi possível realizar a sumarização conjunta foi a ferrugem (Phakopsora pachyrhizi). No momento da primeira aplicação dos tratamentos, em 16 ensaios não havia sintomas de ferrugem e em três havia traços de ferrugem.

No protocolo com aplicação dos produtos isolados, as menores severidades foram observadas para o tratamento com três aplicações de trifloxistrobina + protioconazol 60 + 70 g i.a. ha-1 (T14 – 20,6%) (Tabela 4). Entre os multissítios, a menor severidade foi observada para o tratamento com mancozebe 1500 g i.a. ha-1 (T5 – 24,9%), seguido dos tratamentos com mancozebe 1125 g i.a. ha-1 (T4 – 31,2%), oxicloreto de cobre 588 g i.a. ha-1 (T3 – 32,7%), clorotalonil 1000 g i.a. ha-1 (T9 – 32,5%) e fluazinam 500 g i.a. ha-1 (T8 – 33%). A correlação (r) da variável severidade com produtividade foi de -0,98 (p<0,001). A maior produtividade foi observada para o tratamento com três aplicações de trifloxistrobina + protioconazol 60 + 70 g i.a. ha-1 (T14 – 3363 kg ha-1).

Entre os multissítios, a maior produtividade foi observada para os tratamentos com mancozebe 1500 g i.a. ha-1 (T5 – 3104 kg ha-1), mancozebe 1125 g i.a. ha-1 (T4 – 3016 kg ha-1), fluazinam 500 g i.a. ha-1 (T8 – 3020 kg ha-1) e clorotalonil 1000 g i.a. ha-1 (T9 – 3012 kg ha-1). Na análise conjunta dos ensaios do protocolo dois, com associação dos protetores, foram eliminados os locais 1 e 5 para a variável severidade e local 1 para a variável produtividade, por não atenderem os pressupostos para realização da ANOVA. A severidade de todos os tratamentos foi inferior à da testemunha sem controle (T1 – 80,4%) (Tabela 5).

A tabelas abaixo apresentam a sumarização dos resultados obtidos:

Resultados obtidos com os fungicidas e fertilizantes isolados: clique nas imagens para visualização

severidade e controle de ferrugem
Resultados obtidos com os fungicidas e fertilizantes aplicados em conjunto com os fungicidas piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1 (Opera®, BASF) e piraclostrobina + fluxapiroxade 116,55 + 58,45 g i.a. ha-1: clique nas imagens para visualização

severidade e controle de ferrugem 20 tratamentos

Para os tratamentos em aplicação associadas à piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1, somente a severidade dos tratamentos com fosfonatos orgânicos/ ácido carboxílicos/ fosfitos/ Mn (T10 – 63,3%) e cloretos de etilbenzalcônio (T11 – 60,7%) não diferiram significativamente do tratamento com piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1 sem associação (T2 – 62,4%). A menor severidade foi observada para a associação com mancozebe 1125 g i.a. ha-1 (T4 – 37,3%), seguido de oxicloreto de cobre 294 g i.a. ha-1 (T3 – 44,1%), metiram 1050 g i.a. ha-1 (T9 – 44,2%), clorotalonil 1000 g i.a. ha-1 (T8 – 45,6%) e sulfato de cobre 113,85 g i.a. ha-1 (T5 – 46,6%). Apesar da redução significativa da severidade com a aplicação associada, nenhum tratamento com piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1 se igualou ao tratamento com piraclostrobina + fluxapiroxade 116,55 + 58,45 g i.a. ha-1 isolado (T12 – 34,7%).

Para as aplicações associadas ao fungicida piraclostrobina + fluxapiroxade 116,55 + 58,45 g i.a. ha-1, de forma semelhante ao tratamento com piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g. i.a. ha-1, a severidade dos tratamentos com associações de fosfonatos orgânicos/ ácido carboxílicos/ fosfitos/ Mn (T20 – 36,5%) e cloretos de etilbenzalcônio (T21 – 34,3%) não diferiram significativamente do tratamento sem associação (T12 – 34,7%). As menores severidades foram observadas para os tratamentos com mancozebe 1125 g i.a. ha-1 (T14 – 25,7%), fluazinam 500 g i.a. ha-1 (T17 – 26,1%), clorotalonil 1000 g i.a. ha-1 (T18 – 28,2%) e metiram 1050 g i.a. ha-1 (T19 – 28,1%) seguido de oxicloreto de cobre 294 g i.a. ha-1 (T13 – 29,1%), sulfato de cobre 113,85 g i.a. ha-1 (T55 – 30,2 %) e propinebe 1400 g i.a. ha-1 (T16 – 29,7%). A correlação (r) da variável severidade com produtividade foi de -0,98 (p<0,001).

Todos os tratamentos apresentaram produtividade estatisticamente superior à testemunha sem controle (Tabela 5). Para as aplicações associadas ao fungicida piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1, somente a produtividade dos tratamentos com fosfonatos orgânicos/ ácido carboxílicos/ fosfitos/ Mn (T10 – 2549 kg ha-1) e cloretos de etilbenzalcônio (T11 – 2545 kg ha-1) não diferiram significativamente do tratamento com piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1 sem associação (T2 – 2497 kg ha-1).

A maior produtividade foi observada para a associação com mancozebe 1125 g i.a. ha-1 (T4 – 2920 kg ha-1), seguido de oxicloreto de cobre 294 g i.a. ha-1 (T3 – 2827 kg ha-1), clorotalonil 1000 g i.a. ha-1 (T8 – 2800 kg ha-1) e metiram 1050 g i.a. ha-1 (T9 – 2802 kg ha-1). Apesar do aumento significativo de produtividade com a aplicação associada, nenhum tratamento com piraclostrobina + epoxiconazol 66,5 + 25 g i.a. ha-1 se igualou ao tratamento com piraclostrobina + fluxapiroxade 116,55 + 58, 45 g i.a. ha-1 isolado (T12 – 3079 kg ha-1).

Para as aplicações associadas ao fungicida piraclostrobina + fluxapiroxade 116,55 + 58,45 g i.a. ha-1, a produtividade dos tratamentos com associações de fosfonatos orgânicos/ ácido carboxílicos/ fosfitos/ Mn (T20 – 2995 kg ha-1), cloretos de etilbenzalcônio 50 g i.a. ha-1 (T21 – 3040 kg ha-1), clorotalonil 1000 g i.a. ha-1 (T18 – 3166 kg ha-1) e metiram 1050 g i.a. ha-1 (T19 – 3190 kg ha-1) não diferiram significativamente do tratamento sem associação (T12 – 3079 kg ha-1). As maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com associações de fluazinam 500 g i.a. ha-1 (T17 – 3331 kg ha-1), oxicloreto de cobre 500 g i.a. ha-1 (T13 – 3243 kg ha-1), mancozebe 1125 g i.a. ha-1 (T14 – 3289 kg ha-1), sulfato de cobre 113,85 g i.a. ha-1 (T15 3220 kg ha-1) e propinebe 1400 g i.a. ha-1 (T16 – 3224 kg ha-1).

 A eficiência de controle com os melhores fungicidas multissítios, com cinco aplicações, variou de 59% a 69% (Tabela 4). Na aplicação associadas aos fungicidas sítio-específicos Opera® e Orkestra SC®, com exceção dos fosfonatos orgânicos/ ácido carboxílicos/ fosfitos/ Mn e cloretos de etilbenzalcônio, os tratamentos proporcionaram redução na severidade da ferrugem (Tabela 5). Os resultados desse trabalho são de pesquisa e não devem ser utilizados como recomendação no campo. Com exceção dos fungicidas dos tratamentos 12 a 14 (Tabela 2), os demais não possuem registro no MAPA para controle de P. pachyrhizi e os produtos dos tratamentos 6 e 11 (Tabela 2) não possuem registro como agrotóxico. Os fungicidas multissítios podem ser uma ferramenta importante em programas de manejo da ferrugem-asiática na soja, sendo necessário o registro no MAPA para a sua utilização.

Devido a importância deste tema e os danos potencias causados pela ocorrência do fungo, assim como pela performance distinta entre os diferentes fungicidas disponíveis no mercado a Equipe Mais Soja recomenda a leitura da Circular Técnica 113 na íntegra.
Também parabenizamos e agradecemos todos os pesquisadores envolvidos e todas as empresas que apoiam esta importante contribuição ao manejo fitossanitário da soja brasileira, pois apenas com uma rede estruturada pode-se produzir resultados sólidos em diferentes locais do país.

Para acessar a publicação completa clique aqui.

Fonte: Circular técnica 113 – Eficiência de fungicidas multissítios e fertilizantes no controle da ferrugem asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2014/15: resultados sumarizados dos ensaios cooperativosсстеклокерамическая посуда0623.com.uahouses for rent in north miami beachmassage singaporeраскрутка сайтов

Texto originalmente publicado em:
EMBRAPA
Autor: Godoy et al, 2015

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