O primeiro mês cotado em Chicago fechou a quinta-feira (22) em US$ 3,63/bushel, contra US$ 3,60 uma semana antes. Ou seja, o mercado reagiu um pouco na semana, porém, se mantendo ainda bem abaixo dos patamares existentes até o anúncio do relatório de oferta e demanda do dia 12/08.

Enquanto isso, empresas privadas estão realizando suas avaliações. Uma destas empresas, segundo análise de satélite, aponta a produtividade média do milho nos EUA em 10.230 quilos/hectare (170,5 sacos/ha), enquanto para a soja a mesma ficaria em 3.126 quilos/hectare (52,1 sacos/ha).

Uma produtividade acima de 10.213 quilos/hectare mantém as cotações nos atuais níveis. Abaixo disso, as mesmas deverão voltar a subir, segundo analistas privados. Isso porque os estoques finais para 2019/20, nos EUA, deverão recuar. Neste sentido, o mercado aguarda agora o relatório de oferta e demanda do próximo dia 12/09, o qual sairá praticamente às vésperas do início da colheita naquele país.

Por outro lado, o Crop Tour da Pro Farmer divulgou as primeiras estimativas de produtividade para o milho: Ohio com 9.104 quilos/hectare; Dakota do Sul com 9.674 quilos; Indiana com 10.137 quilos; e Nebraska com 10.834 quilos/hectare.

Estes números, que seriam altistas para as cotações, foram temperados pelo fato de que o clima continua favorável no Meio Oeste dos EUA e as exportações fracas, atingindo apenas 510.000 toneladas na semana anterior.

E isso, mesmo com a qualidade das lavouras de milho estadunidense recuando um pouco, ao ficar, em 19/08, com 56% entre boas a excelentes, contra 57% uma semana antes, 30% regulares e 14% entre ruins a muito ruins (13% uma semana antes).

Na Argentina a tonelada FOB de milho voltou a recuar, se estabelecendo em US$ 147,00 nesta semana, enquanto no Paraguai a mesma recuou para US$ 125,00.



E no Brasil o mercado começa a se preocupar com a paridade de exportação, essencial para escoar o alto volume de milho procedente da safrinha. Como o câmbio perdeu um pouco de força na semana, os preços recuaram um pouco nos portos, iniciando a semana entre R$ 35,00 e R$ 36,00/saco. Isso significa que no interior de São Paulo os preços ficariam abaixo dos R$ 30,00/saco para que o cereal tenha liquidez no porto de Santos.

Assim, o receio é que o produtor segure o produto, esperando novas elevações de preços. Ora, uma retenção de produto agora tende a comprometer os negócios de exportação para o período de outubro a janeiro (encerramento do atual ano comercial). Com isso, pode haver uma pressão interna de venda no mercado interno, derrubando ainda mais os preços, especialmente a partir de novembro quando os produtores precisarão desocupar seus armazéns para a safra de verão. (cf. Safras & Mercado)

Na prática, nesta semana a comercialização de milho esteve lenta, com pouca liquidez de exportação, apesar do câmbio estar acima de R$ 4,00 por dólar.

Em síntese, os preços continuarão se balizando pela paridade de exportação, onde o câmbio joga um papel fundamental, assim como as cotações em Chicago.

Diante de tal cenário, a média gaúcha no balcão fechou a semana em R$ 32,41/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 37,00 e R$ 38,00/saco. Nas demais praças nacionais os lotes giraram entre R$ 23,00 em Sorriso (MT) e R$ 38,00/saco em Videira (SC). No porto de Santos, para setembro, os valores ficaram entre R$ 36,00 e R$ 36,50/saco.

Enfim, a colheita da safrinha atingia a 97% da área total até o dia 16/08, estando agora praticamente encerrada. Já a comercialização da safrinha chegava a 50% do total na primeira quinzena de agosto, contra 51% em igual período do ano passado. (cf. Safras & Mercado)


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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