As cotações cederam em Chicago nesta semana, tendo o bushel da soja, para o primeiro mês cotado, fechado a quinta-feira (06/06) em US$ 8,68, contra US$ 8,89 uma semana antes.

A melhoria do clima nos EUA, propiciando um avanço no plantio da oleaginosa, associado ao fato de que boa parte da área de milho, não semeada no período ideal naquele país, seria transferida para a soja, trabalharam como fatores baixistas locais. Lembramos que a janela ideal para a soja vai até o dia 15/06.

Neste sentido, nos primeiros quinze dias de junho estaria aberta uma janela de clima bom para o plantio nos EUA, fato que permitiria a recuperação do mesmo em boa parte do território, assim como não haveria, ainda, problemas que comprometam a produtividade local. Esta realidade, levou o mercado a um forte ajuste técnico baixista a partir de quarta-feira (05/06) em Chicago.

Dito isso, pelo menos até o dia 02/06 o plantio continuava muito atrasado. Apenas 39% da área de soja havia sido semeada nos EUA, contra a média histórica de 79% e um plantio de 86% nesta data no ano passado.

Neste contexto, volta a ter um peso maior sobre as cotações o conflito comercial entre EUA e China. E neste quadro pesa o fato de que o país asiático suspendeu novas compras de soja estadunidense, porém, não havendo indicativos de que haveria cancelamento de compras já realizadas.

Ao mesmo tempo, a China planeja criar uma lista de empresas estrangeiras e de outras entidades que o governo considera não confiável, após os EUA colocarem a empresa chinesa Huawei em uma lista negra, impedindo-a de fazer negócios com companhias estadunidenses. (cf. Safras & Mercado)

Para complicar ainda mais o quadro o governo dos EUA decidiu aplicar tarifas sobre a importação de produtos oriundos do México. Seriam 5% sobre os produtos procedentes daquele país a partir do dia 10/06, com a a tarifa aumentando gradualmente caso o problema da imigração ilegal procedente do México não seja resolvido. Obviamente isso não acontecerá tão cedo e, portanto, os operadores já esperam represálias mexicanas que podem atingir a soja estadunidense.



Enfim, as inspeções de exportação estadunidenses de soja somaram 498.881 toneladas na semana encerrada em 30/05, acumulando um total de 34,2 milhões de toneladas no ano comercial 2018/19, contra 46,8 milhões no mesmo período do ano anterior.

Vale ainda destacar que o mercado estará atento ao novo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 11/06, o qual deverá atualizar suas projeções para a futura safra de verão dos EUA e do mundo, assim como os estoques finais.

Aqui no Brasil, os preços iniciaram um movimento de baixa, puxados não somente pelo recuo de Chicago, mas igualmente pela revalorização do Real, a qual levou a moeda nacional, em alguns momentos da semana, a bater em R$ 3,85 por dólar. Ao mesmo tempo os prêmios nos portos nacionais se estabilizaram entre US$ 0,92 e US$ 1,20/bushel.

Com isso, o balcão gaúcho, na média, ainda registrou um preço interessante, ficando em R$ 72,75/saco, porém, com viés de baixa para a próxima semana. Já os lotes recuaram, oscilando entre R$ 77,50 e R$ 78,50/saco. Nas demais praças, os lotes registraram os seguintes valores: no Paraná, entre R$ 76,00 e R$ 77,00/saco; no Mato Grosso entre R$ 63,00 e R$ 69,00; no Mato Grosso do Sul entre R$ 68,00 e R$ 70,00; em Goiás R$ 67,00; em Santa Catarina entre R$ 78,50 e R$ 79,50; em Pedro Afonso (TO) R$ 71,00; e em Uruçuí (PI), R$ 73,00/saco.

Nesta balada, talvez a janela positiva de preços para a comercialização da soja no Brasil esteja novamente se fechando.

Enfim, entre janeiro e maio deste ano o Brasil já exportou 37,8 milhões de toneladas de soja, contra 35,8 milhões no mesmo período de 2018 e 34,8 milhões de toneladas em 2017.


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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