Autores: Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações do milho em Chicago subiram nesta semana, rompendo o teto dos US$ 3,80/bushel, algo que não acontecia desde o início de junho passado. No dia 18/12 o fechamento chegou a US$ 3,85/bushel, porém, no final de semana o mercado cedeu e o fechamento da quinta-feira (20) ficou em US$ 3,75. No ano passado, nesta mesma data, o bushel de milho valia US$ 3,49.

Auxiliou neste comportamento altista o fato de que a Rússia voltou a indicar possibilidade de limitar suas exportações de trigo, além de surgirem dúvidas quanto ao tamanho real da safra argentina do cereal. Com isso, os preços do trigo subiram em Chicago, oferecendo sustentação igualmente ao milho.

Pelo lado das exportações, todavia, o quadro não foi positivo, com as mesmas sendo fracas e atingindo a 903.200 toneladas na semana anterior. Na semana que passou, o volume foi ainda menor, com 885.000 toneladas.

E, por enquanto, Chicago ainda não está levando em conta os problemas climáticos na América do Sul, onde já há perdas nas lavouras de milho e soja, especialmente no Brasil.

Na Argentina e no Paraguai, a tonelada FOB de milho fechou esta semana valendo US$ 174,00 e US$ 115,00 respectivamente.

Já no Brasil, o mercado se mostrou baixista, apesar de elementos que lhe dão um viés de alta para as semanas futuras. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 33,83/saco (R$ 34,11 na semana anterior), contra R$ 27,30 um ano antes.

Enquanto isso, os lotes ficaram estacionados entre R$ 37,00 e R$ 38,00/saco nesta semana. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 19,00/saco em Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 38,00/saco em Videira (SC).

Existe grande preocupação com o clima na América do Sul, especialmente no Brasil, onde as chuvas são poucas e esparsas. Já ocorrem perdas em muitas lavouras. Na Argentina igualmente o clima preocupa, porém, as chuvas por lá têm sido melhores.



Por sua vez, no mercado paulista o milho procedente de outros Estados escasseou e o impasse na questão dos fretes continua atrapalhando o mercado.

Além disso, neste restante de mês o mercado paralisa parcialmente as atividades devido as festas de final de ano. Se os consumidores não se prepararam para tal situação, haverá pressão de compra na virada do ano, elevando os preços do milho.

Assim, especialmente no mercado paulista, o mês de janeiro poderá assistir a uma pressão altista nos preços do cereal. Espera-se um abastecimento complicado de milho em São Paulo, pelo menos até maio/19, devido a uma safra de verão menor neste ano. (cf. Safras & Mercado)

Soma-se a isso o fato de que as exportações, aproveitando-se de um câmbio favorável, estarem positivas, embora ainda um pouco distantes do esperado. Para dezembro a programação de embarques chega a 4,5 milhões de toneladas, com negócios realizados em Santos ao redor de R$ 39,00/saco.

Para janeiro já haveria um milhão de toneladas programadas para embarque. Esta realidade está enxugando os estoques nacionais e potencializando a alta dos preços do milho no início deste próximo ano. Para a safrinha de 2019 o porto de Santos já trabalha com valores ao redor de R$ 38,00/saco.

Dito isso, não se pode esquecer que a entrada da nova safra de soja, em fins de janeiro, tende a modificar o quadro de fretes e a logística em geral no centro-sul brasileiro. Isso poderá prejudicar o escoamento do milho.

Além disso, o impasse no que diz respeito a tabela de fretes continua. Neste contexto, o referencial Campinas (SP) poderá atingir valores entre R$ 42,00 e R$ 44,00/saco CIF no primeiro trimestre de 2019.

Resta verificar o volume e a qualidade da safra de verão que logo mais entrará no mercado. A mesma, dependendo, pode frear o ímpeto altista do mercado no início do ano, embora haja perdas climáticas já detectadas em diferentes regiões produtoras.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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