Autores: Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações do trigo em Chicago dispararam novamente nesta semana, com o primeiro mês cotado tendo chegado a US$ 5,35/bushel no dia 17/12. Este preço não era visto desde meados de agosto passado. Posteriormente, o mercado cedeu um pouco e o fechamento da quinta-feira (20) recuou para US$ 5,23/bushel.

No ano passado, nesta data, o trigo valia US$ 4,23/bushel, portanto, um dólar a menos. Ou seja, dos três grãos que aqui comentamos, o trigo é o que se valorizou substancialmente neste ano de 2018, nesta comparação ponta-a-ponta que realizamos. A soja perdeu valor e o milho pouco ganhou como vimos anteriormente.

As altas do trigo foram apoiadas pelas boas exportações do cereal por parte dos EUA, sendo que as mesmas atingiram a 754.100 toneladas na semana encerrada em 06/12, ficando 62% acima da média das quatro semanas anteriores.

O mercado esperava um volume entre 500.000 e 800.000 toneladas. Já as inspeções de exportação estadunidenses somaram 682.162 toneladas na semana encerrada em 13/12, enquanto o mercado esperava 450.000 toneladas.

Além disso, os preços mais altos do trigo na Rússia, devido ao clima ruim que provocou perdas nas lavouras daquele país, assim como chuvas que atrapalharam a colheita na Argentina, deram suporte igualmente aos preços em Chicago.

Mesmo com a tomada de lucros por parte dos operadores, mais para o final da semana, o recuo das cotações em Chicago não foi expressivo porque existe uma oferta mais apertada neste momento no cenário mundial. Por exemplo, cogita-se que a União Europeia venha a importar trigo neste restante de ano comercial, fato que não ocorre há 10 anos.

A colheita na Argentina chegava a 60% da área, contra 58% na média histórica para esta época do ano, e o volume final esperado se mantém ao redor de 19 milhões de toneladas.



Já no Mercosul, a tonelada FOB para exportação oscilou entre US$ 220,00 e US$ 230,00 na compra, enquanto a safra nova ficou em US$ 220,00. Na venda, os valores já atingem a US$ 240,00/tonelada em alguns portos argentinos.

No Brasil, o balcão gaúcho voltou a subir, fechando a semana em R$ 39,78/saco, ganhando 28 centavos sobre a média da semana anterior. Um ano antes o mesmo valia R$ 30,30. Quanto aos lotes, os mesmos subiram para R$ 46,80/saco.

No Paraná, o balcão ficou entre R$ 44,50 e R$ 46,50/saco, enquanto os lotes se estabeleceram entre R$ 52,80 e R$ 54,00/saco.

Em Santa Catarina o balcão se manteve entre R$ 42,00 e R$ 43,00/saco, enquanto os lotes, na região de Campos Novos, ficaram em R$ 50,40/saco.

O mercado brasileiro entrou na segunda quinzena de dezembro com uma fraca liquidez diante de moinhos abastecidos pelas importações e baixa oferta de trigo de qualidade superior nacional devido a frustração da safra deste ano.

Mesmo com um câmbio entre R$ 3,80 e R$ 3,90 por dólar, o mercado não tem alternativa senão importar mais trigo, fato que já aparece nas estatísticas nacionais.

Neste contexto, e em se mantendo um câmbio nestes níveis, permanece um forte viés de alta para os preços internos nos primeiros meses de 2019.

Na prática, o Rio Grande do Sul já está verificando, em algumas praças, valores de lotes entre R$ 48,00 e R$ 51,00/saco, enquanto no sul do Paraná chega a R$ 54,00 e R$ 57,00/saco.

A reação local de preços deverá se dar especialmente a partir de fevereiro, quando os moinhos tiverem que se reabastecer. (cf. Safras & Mercado)


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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