Comentários referentes ao período entre e 17/08/2018 a 23/08/2018

Autores:  Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações do milho em Chicago igualmente recuaram nesta semana. O fechamento da quinta-feira (23) ficou em US$ 3,46/bushel, contra US$ 3,65 uma semana antes.

A reunião entre EUA e China, na busca de soluções para o litígio comercial entre osdois países, ocorrida nos dias 22 e 23/08, embora não atinja diretamente o milho,acaba tendo efeitos nos mercados vizinhos da soja e do trigo, fato que respinga de alguma forma no milho.

O sentimento do mercado é de que “…se as tarifas voltarem a ser zeradas, os fundamentos retomam a normalidade, com a China retomando compras agressivas de soja nos EUA, com suporte para a Bolsa, bem como, derrubando acentuadamente os prêmios da soja brasileira. Isto segue importante para orientar 2019 e a curva de preços do milho.” (cf. Safras & Mercado) Por sua vez, os embarques de milho por parte dos EUA atingiram a 1,34 milhão de toneladas na semana anterior e 1,1 milhão na semana passada, sendo considerados fracos pelo mercado neste momento de finalização do atual ano comercial.

Entretanto, o que pesou igualmente sobre o mercado foram os primeiros resultados do Crop Tour da Pro Farmer. Os mesmos indicam uma excelente safra de milho nos EUA, mais uma vez. Em Ohio, a produtividade média esperada seria de 187,5 sacos/ha. Em
Indiana a mesma atingiria a 190,7 sacos/ha, com aumento de 6,5% sobre o ano anterior e superando a média dos últimos três anos. Em Nebraska, a produtividade média esperada bate em 187,4 sacos/ha, superando em 8,3% o registrado no ano passado e igualmente superando a média dos últimos três anos. Em Illinois, a produtividade deverá chegar próximo a 210 sacos/hectare. Em Dakota do Sul, a produtividade média está estimada em 186,3 sacos/ha que, se confirmada, será 15,2% superior à média dos três anos anteriores. Ou seja, às vésperas da colheita, a safra de milho nos EUA estaria indicando um volume que poderá ser recorde.

Assim, até o momento, tanto para o milho quanto para a soja, as especulações climáticas negativas, ocorridas entre junho e início de agosto, não se confirmam. Contrariando em parte este quadro, o USDA cortou em dois pontos percentuais as condições boas a excelentes junto às lavouras do cereal nos EUA, fixando as mesmas em 68% do total neste patamar até o dia 19/08.

Enquanto isso, na Argentina e no Paraguai, a tonelada FOB de milho fechou a semana em US$ 164,00 e US$ 147,50 respectivamente. Já no Brasil, os preços se mantiveram em alta. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 36,33/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 42,00 e R$ 43,50/saco.

Nas demais praças, os lotes oscilaram entre R$ 25,00 em Sorriso e Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 42,50/saco nas regiões catarinenses de Videira, Concórdia, Chapecó e Campos Novos. Por enquanto, o mercado físico brasileiro não apresenta tendência de se acomodar, havendo ainda espaço para novas altas de preços, apesar da entrada da safrinha.

Ocorre que esta safrinha se confirma bem menor do que a do ano anterior, estando já em fase de finalização. Além disso, a demanda interna se mantém importante e, no momento, a nova desvalorização do Real torna a exportação de milho ainda mais interessante.

Neste momento, o mercado igualmente vai absorvendo a ideia de que a safra de verão 2019 possa ser, de fato, pequena, diante dos altos preços da soja, fato que poderá complicar ainda mais a oferta interna nacional de milho no próximo ano.

Em termos de exportação, até o dia 19/08, o Brasil havia embarcado 1,6 milhão de toneladas de milho em agosto, porém, haveria nomeações de navios para totalizar 4,05
milhões de toneladas exportadas no corrente mês. No mercado paulista em particular, as ofertas de milho estão curtas e o CIF Campinas se mantém acima de R$ 43,00/saco. O câmbio, a partir de agora, ganha ainda mais importância na medida em que começa a refletir as pesquisas eleitorais que passam a ser divulgadas.

Aliás, as tradings, diante do atual câmbio, estão mais agressivas na compra do cereal visando a exportação. Assim, o abastecimento interno enfrenta maior concorrência dos exportadores, fato que reduz ainda mais a disponibilidade de milho para o abastecimento doméstico (cf. Safras & Mercado). No porto de Santos, por exemplo, a semana fechou com patamar de preços entre R$ 44,00 e R$ 45,00/saco para setembro.
Assim, a combinação de retenção de produto da safrinha por parte dos produtores, mais os poucos estoques em mãos de muitos consumidores importantes, somado à forte desvalorização do Real e a concreta possibilidade de um plantio menor na safra de verão, mantém os preços do milho nacional em elevação neste final de agosto.

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA Unijui
Autor: CEEMA Unijui

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