Comentários referentes ao período entre 20/07/2018 a 26/07/2018

Autores:  Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações da soja continuaram sua lenta recuperação nesta semana. O fechamento desta  quinta-feira (26) ficou em US$ 8,61/bushel, para o primeiro mês cotado, contra US$ 8,46 uma semana antes. Lembramos que o ponto mais baixo do mercado, nestes últimos 10 anos, foi em 13/07/18 quando o bushel bateu em US$ 8,14.

O mercado vai se aproximando novamente dos US$ 9,00/bushel na medida em que não há novidades na guerra comercial entre China e EUA, ao mesmo tempo em que os efeitos da mesma já estão precificados. Por outro lado, neste final de semana os EUA e a União Europeia chegaram a um acordo para eliminarem progressivamente seus protecionismos comerciais mútuos, sendo que os europeus teriam se comprometido, dentre outras coisas, a aumentarem suas importações de soja dos EUA. Se isto vier a ocorrer, ajuda a aliviar o corte nas vendas externas ocorridos para a China.

Neste contexto, o clima sobre o Meio-Oeste dos EUA e no resto do mundo passou a ser o elemento central das preocupações em Chicago. E, com isso, a especulação em torno do tema volta a ganhar força, variando de humor conforme os interesses dos Fundos  especulativos. Neste momento, por exemplo, fala-se de um clima mais quente e seco sobre as lavouras de soja estadunidenses, fato que teria potencial para reduzir a produtividade final, porém, o USDA, contraditoriamente, anunciou que as condições das lavouras de soja dos EUA, até o dia 22/07, melhoraram, com 70% agora entre boas a excelentes, 22% regulares e 8% entre ruins a muito ruins.

O fato é que Chicago baixou demais e é natural que, pelo menos até o início da colheita em setembro, haja um ajuste para cima nos valores do bushel, pois os Fundos estão muito vendidos e começam a recomprar posições. A partir de setembro será o real volume de safra a ser colhido nos EUA que ditará o rumo das cotações, salvo se tivermos desdobramentos novos no embate comercial entre chineses e estadunidenses.

Neste quadro, importante se faz salientar que os Fundos, durante esta semana, ainda possuíam 58.400 contratos vendidos.

Pelo lado das exportações estadunidenses de soja, mesmo com o cancelamento de três navios do produto para a China, nesta semana, os volumes gerais continuam surpreendentemente bons, indicando que outros mercados estão compensando a falta de compras diretas pela China. Na prática, pode estar havendo triangulação da soja,
com países intermediários na Europa e Ásia comprando mais soja do que o necessário e revendendo a mesma para a China a fim de os importadores chineses escaparem da tarifa de 25%.


Mais produtividade? Confira.


 

O fato é que os EUA esperam exportar um total de 55,5 milhões de toneladas no próximo ano comercial. Enquanto isso, na semana anterior as vendas líquidas estadunidenses de soja chegaram a 865.700 toneladas, ficando próximo do patamar mais elevado esperado pelo mercado, que era de um volume entre 300.000 a um milhão de toneladas. Já as inspeções de exportação atingiram a 722.048 toneladas na semana encerrada em 19/07, acumulando no ano comercial atual, iniciado em 1º de setembro, um total de 51,7 milhões de toneladas, contra 54 milhões um ano antes na mesma época.

Outro aspecto que ajudou a manter as cotações da soja em recuperação na semana foi o anúncio de que o governo dos EUA irá subsidiar seus produtores a fim de compensar os prejuízos relativos a menor venda de soja para a China. O volume total deste subsídios poderia alcançar US$ 12 bilhões (cf. Safras & Mercado).

Enfim, o mercado começa a olhar com atenção a data do 10/08, dia em que sairá o novo relatório de oferta e demanda do USDA. O mesmo deverá redefinir a produtividade e a produção final esperada para a safra de verão estadunidense.

Pelo lado da demanda, a China estaria deixando sua moeda se depreciar visando ganhar mais competitividade nas exportações, mesmo que isso torne mais caro, em moeda nacional, as importações.

Aqui no Brasil, o câmbio recuou fortemente e veio a R$ 3,70 em alguns momentos da semana. Este fato acabou retirando os ganhos procedentes de Chicago e os preços internos na soja ficaram praticamente estáveis em relação à semana anterior. A média gaúcha no balcão atingiu a R$ 75,93/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 80,00 e R$ 80,50/saco no Rio Grande do Sul. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre um mínimo de R$ 69,00/saco em Querência (MT) e um máximo de R$ 86,00/saco em Campos Novos (SC), passando por R$ 81,00 no norte do Paraná; R$ 73,50 em São Gabriel (MS); R$ 74,00 em Goiatuba (GO); R$ 67,50 em Pedro Afonso (TO) e R$ 69,50/saco em Uruçuí (PI).

Já os prêmios nos portos brasileiros se mantiveram firmes, embora um pouco mais fracos do que na semana anterior, registrando valores entre US$ 1,88 e US$ 2,27/bushel.

As projeções privadas nacionais (Safras & Mercado) dão conta de que, para 2019 (safra 2018/19) o Brasil irá colher 119,8 milhões de toneladas (Mt), contra 119,4 Mt neste corrente ano 2017/18. O país esmagará 44 Mt (43,2 Mt neste ano) e exportará 75 Mt (74,5 Mt). A produção de farelo ficará em 33,5 Mt (32,9 Mt), enquanto suas exportações chegariam a 15 Mt (17,2 Mt). Já a produção de óleo de soja somaria 8,7 Mt (8,6 Mt), com exportações de 1,1 Mt (1,2 Mt). O uso de óleo de soja para a fabricação de biodiesel seria de 3,8 Mt (3,75 Mt). Enfim, os estoques finais, em 2018/19, somariam apenas 429.000 toneladas de grãos de soja, contra 2,5 milhões de toneladas em 2017/18 e 3,7 milhões em 2016/17 (cf. Safras & Mercado).

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
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CEEMA UNJUI
Autor: CEEMA UNJUI

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