Comentários referentes ao período entre e 24/08/2018 a 30/08/2018

Autores:  Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações da soja voltaram a recuar em Chicago neste final de agosto, com o primeiro mês cotado fechando a quinta-feira (30) em US$ 8,19/bushel, contra US$ 8,42 na semana anterior. Trata-se da mais baixa cotação em mais de 10 anos.

Três elementos estão presentes na pressão baixista, sendo dois já conhecidos e outro uma novidade. Em primeiro lugar, o clima positivo nas regiões produtoras estadunidenses de  oja, às vésperas do início da colheita, aponta para uma safra recorde nos EUA. Os números
finais, oriundos do Crop Tour realizado pela Pro Farmer dão conta de uma colheita de 127,5 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 3.564 quilos/hectare ou 59,4 sacos/ha. Tais números são bem superiores ao último relatório oficial do USDA, que apontava 124,8 milhões de toneladas de colheita e produtividade média de 57,8 sacos/ha. No ano passado os EUA colheram 119,5 milhões de toneladas. Ou seja, para este ano desenha-se um aumento de 6,7% na safra de soja daquele país. No próximo dia 12/09 haverá outro relatório de oferta e demanda, no qual se espera uma revisão para cima na produção e estoques finais estadunidenses para 2018/19.

Em segundo lugar, as negociações comerciais entre EUA e China não chegaram a nenhum acordo, pelo menos por enquanto, fato que esfriou o pouco ânimo que havia no mercado a este respeito. As reuniões dos dias 22 e 23/08 entre os dois países não trouxeram nenhum avanço neste sentido. Na semana passada as tarifas protecionistas começaram a ser  paticadas por ambos os países.

Em terceiro lugar, e este é o fato novo, surgiu a febre suína africana junto aos rebanhos suinícolas chineses. A mesma é mortal e começa a interferir na demanda de farelo de soja, já que diminui o volume consumido de rações animais. Com isso, teme-se que a doença se alastre e atinja em cheio a demanda de soja e derivados na China, podendo inclusive se espalhar pelo mundo. Por enquanto, os efeitos nocivos ainda são pequenos, porém, o mercado já está realizando o fato.

Por outro lado, o governo dos EUA anunciou que deverá pagar US$ 1,65/bushel de subsídio para seus produtores de soja a fim de compensar os prejuízos causados pela guerra comercial com a China. Ao câmbio deste final de agosto, isto representa ao redor de R$ 15,00/saco de subsídio. No total serão de 5 a 7 bilhões de dólares de subsídios apenas para a soja. Isto deverá manter o produtor local interessado na produção de soja para o próximo ano.

 Paralelamente, os Fundos continuaram vendendo contratos de soja, liquidando posições.
Enfim, corroborando a tendência de safra cheia, o relatório semanal das condições das lavouras estadunidenses da oleaginosa apontaram uma melhoria no lado bom a excelente, agora com 66% das mesmas nestas condições (ganho de um ponto percentual sobre a semana anterior). Já as lavouras em condições regulares somam 23%, enquanto outros 11% estão entre ruins a muito ruins.

Por sua vez, as exportações líquidas estadunidenses de soja, referentes a 2017/18 (ano iniciado em 01/09/17) chegaram a 152.700 toneladas na semana encerrada em 16/08. O volume é 37% inferior à média das quatro semanas anteriores. Para 2018/19, contudo, as vendas externas somaram 1,15 milhão de toneladas. Na soma dos dois anos comerciais, o volume ficou acima do esperado pelo mercado. Enquanto isso, as inspeções de exportação de soja pelos EUA somaram 901.620 toneladas na semana encerrada em 23/08,   cumulando no atual ano comercial 2017/18 um total de 55,5 milhões de toneladas, contra 57,1 milhões um ano antes.


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Vale destacar que os produtores estadunidenses ainda possuem boa quantidade de soja da safra anterior e pressionam suas vendas para abrir espaço à nova safra que se aproxima. Já pelo lado da Argentina, o número final oficial consolidado, ainda referente à safra 2017/18, é de 37,8 milhões de toneladas. Isso significa que houve uma quebra de 31,3% em relação a safra do ano anterior e de aproximadamente 20 milhões de toneladas em relação ao esperado para esta safra recentemente colhida.

No Brasil, os preços da soja recuaram um pouco no balcão, enquanto os lotes subiram. A manutenção da desvalorização cambial, com o Real chegando a R$ 4,21 por dólar nesta quinta-feira (30/08) – a mais baixa cotação do Real desde sua implantação em julho de 1994 -, segurou os preços da soja, mesmo com o novo recuo em Chicago.

Assim, o balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 77,66/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 85,00 e R$ 85,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 72,30/saco em Querência (MT) e R$ 87,50/saco em Campos Novos (SC), passando por R$ 85,50 no centro e norte do Paraná; R$ 77,00 em São Gabriel (MS), R$ 78,00 em Goiatuba (GO); R$ 74,00 em Pedro Afonso (TO) e R$ 76,00 em Uruçuí (PI).

Enfim, os prêmios nos portos brasileiros giraram entre US$ 1,68 e US$ 2,17/bushel, recuando um pouco em relação a semana anterior.

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA Unijui
Autor: CEEMA Unijui

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