O retorno das chuvas sobre as regiões produtoras dos EUA, atrapalhando o plantio da soja neste final de janela ideal para a sua realização, trouxe para cima novamente as cotações da oleaginosa em Chicago. O bushel fechou o dia 13/06 (quinta-feira) em US$ 8,88, contra US$ 8,68 uma semana antes, após ter chegado a US$ 8,56 no dia 07 de junho. Esta cotação não era vista desde meados de abril naquela Bolsa.

O mercado, diante de novas chuvas, começa a especular que a área de soja possa igualmente se reduzir, podendo não haver transferência do milho para a oleaginosa. Entretanto, por enquanto, isso ainda é um tanto cedo para se confirmar, já que há espaço para a continuidade do plantio nos próximos dias. Aliás, o relatório do USDA, do dia 11/06, confirma uma safra normal de soja nos EUA, pelo menos por enquanto.

O referido relatório indicou, para a soja, os seguintes números: 

1) Projeção de safra 2019/20 nos EUA em 113 milhões de toneladas, repetindo o número do relatório de maio;
2) Estoques finais estadunidenses, para este novo ano comercial, em 28,4 milhões de toneladas, acima do indicado em maio;
3) Preço médio ao produtor estadunidense em US$ 8,25/bushel para 2019/20, contra US$ 8,50 no corrente ano e US$ 9,33 em 2017/18;
4) Produção brasileira em 123 milhões de toneladas e argentina em 53 milhões;
5) Produção mundial total em 355,4 milhões de toneladas, sem mudanças em relação a maio;
6) Estoques finais mundiais em 112,7 milhões de toneladas, com recuo de 300.000 toneladas sobre maio;
7) Importações chinesas mantidas em 87 milhões de toneladas.

De forma geral, o relatório foi considerado neutro a baixista pelo mercado. Assim, a elevação das cotações nos últimos dias desta semana se devem exclusivamente ao retorno das chuvas nas regiões produtoras dos EUA. Lembramos que o relatório de plantio definitivo será divulgado em 28/06.

Dito isso, esse plantio, até o dia 09/06 havia avançado acima das expectativas do mercado, alcançando 60% da área esperada, contra 88% na média histórica para a data. O mercado esperava 56%.

Quanto ao litígio comercial entre EUA e China os problemas continuam e não há solução à vista no curto prazo, porém, um dia ou outro o mesmo terá que ser resolvido. Por enquanto, o mesmo trabalha contra uma elevação das cotações. Da mesma forma, a peste suína africana na China continua a fazer estragos e os problemas nesta área não se resolverão tão cedo por lá.



Neste sentido, as exportações líquidas de soja pelos EUA somaram 510.000 toneladas na semana encerrada em 30/05, ficando 86% acima da média das quatro semanas anteriores. Para o novo ano comercial 2019/20 o volume superou as 70.000 toneladas, fazendo que o somatório dos dois anos superasse o esperado pelo mercado.

Já as inspeções de importação somaram 714.627 toneladas na semana encerrada em 06/06, igualmente superando o esperado pelo mercado. Todavia, no acumulado do ano comercial atual as mesmas chegam a 34,9 milhões de toneladas, contra 47,5 milhões no ano anterior na mesma época.

Aqui no Brasil, apesar da reação de Chicago, o câmbio, ao se manter ao redor de R$ 3,86 por dólar, somado a prêmios portuários estáveis entre US$ 0,90 e US$ 1,25/bushel, acabou por reduzir um pouco os preços médios.

Neste sentido, o balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 71,35/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 77,00 e R$ 78,00/saco. Nas demais praças, os lotes oscilaram da seguinte maneira: no Paraná, entre R$ 76,50 e R$ 77,00; no Mato Grosso entre R$ 64,00 e R$ 70,00; no Mato Grosso do Sul entre R$ 69,50 e R$ 72,00; em Goiás, em R$ 68,00; em Santa Catarina entre R$ 78,00 e R$ 79,00; em Pedro Afonso (TO), R$ 69,50; e em Uruçuí (PI), R$ 71,50/saco.

Quanto à comercialização da atual safra nacional de soja, a mesma, até o dia 07/06, havia sido negociada em 63%, contra 69% em igual momento do ano anterior. A melhoria dos preços nas últimas três semanas acelerou um pouco tais vendas. No Mato Grosso as vendas atingiam a 72%, contra 80% no ano anterior; no Paraná 60%, ficando no mesmo nível do ano anterior; no Rio Grande do Sul 43%, contra 51%; e em Goiás 68%, contra 78%. (cf. Safras & Mercado)

Já as vendas antecipadas relativas a futura safra de soja 2019/20, no país as mesmas atingiam, até o dia 07/06, ao redor de 12%, contra 6% na média histórica, demonstrando que os produtores consideram os atuais preços interessantes diante da perspectiva de custos de produção mais elevados e possibilidade de redução nos valores futuros da oleaginosa. No Mato Grosso e no Paraná a venda antecipada chegava a 13%, contra 7% no corrente ano, enquanto no Rio Grande do Sul havia 5% negociado, contra 3% na média, e em Goiás 19%, contra 6%. (Cf. Safras & Mercado)


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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