Autores: Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira, CEEMA UNIJUÍ

As cotações do milho, mais uma vez, pouco evoluíram nesta semana. O fechamento do dia 15/11 ficou em US$ 3,67/bushel, contra US$ 3,73 na semana anterior. Nota-se que as cotações do cereal estão bem mais estáveis do que a da soja, na medida em que o mesmo pouco está sendo atingido pelo litígio comercial entre China e EUA.

Dito isso, a forte alta do trigo em alguns momentos da semana não chegou a ter consequências sobre as cotações do milho em Chicago. Afinal, as exportações norteamericanas não apresentam surpresas e o ritmo da colheita da nova safra está dentro
da normalidade, se aproximando do final. Soma-se a isso, o clima positivo na América do Sul, o qual favorece o desenvolvimento da safra local do milho de verão.

As exportações de milho estadunidenses atingiram a 1,13 milhão de toneladas, ficando abaixo do registrado na semana anterior. Quanto à colheita, até o dia 11/11 a mesma chegava a 84% da área, contra a média histórica de 87% para esta data.



Enfim, o mercado segue com certo interesse, a possível retomada de negociações entre EUA e China visando destravar o comércio entre os dois países. Na reunião do G20, que na verdade acontecerá no final de novembro em Buenos Aires (Argentina), espera-se um encontro entre os presidentes dos dois países neste sentido.

Na Argentina, a tonelada Fob ficou cotada na média de US$ 164,00, enquanto no Paraguai a mesma permaneceu em US$ 115,00.

No Brasil, os preços do cereal voltaram a subir no centro do país, a partir da pouca oferta que, principalmente, os produtores paulistas estão praticando. Com isso, a média gaúcha, no balcão, ficou em R$ 34,79/saco, enquanto os lotes giraram entre R$ 37,00 e R$ 38,50/saco. Nas demais praças nacionais, os lotes oscilaram entre R$ 18,50/saco em Sorriso e Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 38,50/saco em Videira e Concórdia (SC). Já no interior paulista houve indicações de oferta a R$ 35,00/saco, enquanto no porto de Santos se trabalhou com valores entre R$ 36,00 e R$ 36,50/saco. No referencial Campinas, o valor ficou entre R$ 37,50 e R$ 38,00/saco, valor CIF.

Neste momento, os consumidores paulistas estariam encontrando dificuldades para formação de estoques, assim como em parte do país. Isso pressiona novamente os preços para cima.

Além disso, nova resolução da ANTT, sobre os fretes, foi anunciada durante a semana. Na mesma foram definidas regras para as multas pelo descumprimento da tabela de fretes, fato que poderá acarretar redução de R$ 1,50 a R$ 2,50 por saco de milho, especialmente nas praças onde o frete de retorno é mais difícil. Ao mesmo tempo, o mercado julga difícil que uma baixa nos preços FOB do cereal venha a compensar a alta dos fretes. (cf. Safras & Mercado).

Neste momento, novas baixas de preços no mercado físico parecem mais difíceis, com o mercado, por enquanto, tendo atingido seu nível de baixa há duas semanas. Neste sentido, conta muito a partir de agora o nível de exportações e o ritmo de plantio da nova safra de verão. No primeiro caso, novembro tem indicações de vendas externas de milho ao redor de 4,2 milhões de toneladas. Em caso de confirmação, seria a maior venda mensal do ano. A nova desvalorização do Real, nos últimos dias, voltou a tornar atrativa a exportação, embora em menor intensidade do que em meses passados, quando o câmbio chegou ao redor de R$ 4,20. Assim, para setembro/19 o porto de Santos continua com indicações de milho a R$ 36,50/saco. Quanto ao plantio, o mesmo avança normalmente, mas a área está sendo considerada apertada, fato que poderá não resolver o abastecimento interno no primeiro semestre, caso as exportações cresçam a partir de novembro. É bom lembrar que a última safrinha foi quase 20 milhões de toneladas menor do que a do ano anterior, tendo sido negociada, até esta primeira quinzena de novembro, ao redor de 70% do total, contra 61% no ano anterior nesta época.

Enfim, houve informações de que negócios teriam sido realizados na região de Jataí (GO), para a safrinha de 2019, a valores de R$ 24,50/saco com retirada em julho e pagamento em agosto. (cf. Safras & Mercado).

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA Unijui
Autor: CEEMA Unijui

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