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Antracnose em soja: Conheça um pouco mais sobre essa doença que pode acometer a soja em qualquer estádio do seu desenvolvimento

Uma das doenças fungicidas mais frequentes na cultura da soja é a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum truncatum. Segundo Guimarães (2021) antracnose é uma das principais doenças da soja na região do Cerrado brasileiro, pois a cultura é suscetível à infecção em todas as fases de desenvolvimento.

Os sintomas em decorrência da doença podem variam em função do período em que o fungo acomete a cultura, podendo causar morte de plântulas, manchas negras nas nervuras das folhas, hastes, legumes e necrose dos pecíolos (Henning et al., 2014). O inóculo proveniente de restos culturais e sementes infectadas pode causar necrose dos cotilédones, podendo se estender para o hipocótilo, causando o tombamento de pré e pós-emergência e consequentemente a redução do estande de plantas (Grigolli & Grigolli, 2019).

Figura 1. Sintomas de antracnose na haste (A), em folhas (B), em sementes (C) e nos cotilédones (D) de plantas de soja.

Fonte: Embrapa (2009), apud Grigolli & Grigolli (2019)

Quando a doença ocorre durante o período reprodutivo da soja, os legumes infectados nos estádios de R3-R4 adquirem coloração castanho escura a negra e normalmente ficam retorcidos. Nos legumes em granação, as lesões iniciam-se por estrias de anasarca e evoluem para manchas negras. As partes infectadas geralmente apresentam várias pontuações negras que são as frutificações do fungo (Henning et al., 2014).

Figura 2. Sintomas de antracnose em legumes de soja.

Antracnose – Foto: Rizobacter

Nechet et al. (2003) destacam que as perdas de produtividade em resposta a incidência da antracnose em soja podem variar de 5% a 35% dependendo da severidade e estádio em que ocorre a infecção. Além de causar redução do estande de plantas nos estádios iniciais do desenvolvimento da soja, quando ocorre no período reprodutivo da cultura a doença pode depreciar os grãos, causando perdas quantitativas e qualitativas.

Borkert et al. (1994) enfatizam que além de causar redução do número de legumes por planta, a antracnose pode induzir a planta à retenção foliar e haste verde, sendo esse, um sintoma típico da doença durante o final do ciclo da soja. O fungo sobrevive em restos culturais, logo, além de sementes infectadas, resíduos culturais contendo inóculo da doença podem ser a fonte inicial do desenvolvimento da antracnose em lavouras de soja.



Segundo Henning et al. (2014), elevadas precipitações e altas temperaturas favorecem o desenvolvimento da antracnose, sendo mais preocupante em anos muito chuvosos. Em algumas situações, caso mais severos podem representar perdas de até 100% em decorrência da doença, inviabilizando a colheita. Atrasos na colheita da soja, seguidos pela ocorrência de chuvas podem contribuir para o aumento das infecções em sementes.

O uso de sementes certificadas, com boa qualidade sanitária e livres da patógeno, assim como a rotação de culturas e o tratamento de sementes com fungicidas específicos constituem algumas das principais estratégias de manejo da antracnose em soja. Outras medidas que contribuem para a redução da incidência e severidade da doença são o adequado espaçamento entre linha, permitindo o bom fluxo de ar e ventilação entre as fileiras, o controle de plantas daninhas e o adequado manejo nutricional do solo, em especial do potássio.

Veja mais: Aumento da população de Telenomus podisi resulta em melhora do controle biológico?

Referências:

BORKERT, C. M. et al. SEJA O DOUTOR DA SUA SOJA. POTAFOS, Arquivo Agronômico, n. 5, 1994. Disponível em: < https://www.npct.com.br/npctweb/npct.nsf/article/BRS-3140/$File/Seja%20Soja.pdf >, acesso em: 10/08/2022.

GRIGOLLI, J. F. J. GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2018/2019, 2019. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Soja-Safra-20182019.pdf >, acesso em: 10/08/2022.

GUIMARÃES, G. R. MORFOLOGIA, PATOGENICIDADE E SENSIBILIDADE À FUNGICIDAS DE ISOLADOS DE Colletotrichum truncatum (Schw.) Andrus & WD Moore. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Uberlândia, 2021. Disponível em: < https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/31595/4/MorfologiaPatogenicidadeSensibilidade.pdf >, acesso em: 10/08/2022.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/991687/manual-de-identificacao-de-doencas-de-soja >, acesso em: 10/08/2022.

NICHET, K. L. et al. ANTRACNOSE (Colletotrichum truncatum): DOENÇA IMPORTANTE PARA A SOJA (Glycine max) NOS CERRADOS DE RORAIMA. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 05, 2003.  Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/690875/1/cot005003antracnosesojakatia.pdf >, acesso em: 10/08/2022.

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Equipe Mais Soja
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