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Aplicação de N em milho safrinha

Com o objetivo de avaliar a produtividade de grãos e outras características agronômicas do milho safrinha em função de doses e épocas de aplicação de nitrogênio (N), os pesquisadores Gilson Domingos do Mar; Marlene Estevão Marchetti; Luiz Carlos Ferreira de Souza; Manuel Carlos Gonçalves e José Oscar Novelino, publicaram um trabalho na revista Bragantia, Volume 62, Number 2, 2003, pp. 267-274(8). Disponível para acesso aqui.

O nitrogênio (N) é o nutriente requerido pelo milho em maior quantidade, sendo responsável em grande parte pela produtividade deste grão. E a forma de aplicação deste nutriente vem sendo estudada a muitos anos, onde alguns trabalhos mencionam que se deve aumentar as doses de N aplicadas na semeadura, com diminuição da adubação nitrogenada em cobertura (Coelho et al., 1991).  E outros que a adubação nitrogenada em cobertura se apresenta como bastante efetiva, diminuindo as perdas do nutriente aplicado, e isso levando em consideração a fenologia da cultura do milho, as condições climáticas e o tipo de solo, para que não haja prejuízos econômicos posteriores (França et al., 1994).

Assim buscando estudar a melhor dose e época de aplicação de N em milho safrinha e tendo em vista que existem inúmeros estudos e recomendações quanto a aplicação total e racionalizada de N e cada um com sua peculiaridades quanto a solo, região, hibrido e clima, o trabalho foi feito com base nas recomendações para as regiões produtoras de milho segunda safra no MS.



A cultivar de milho safrinha utilizada foi AG 3010, estudaram-se cinco doses de N (30; 60; 90; 120 e 150 kg.ha-1), aplicadas nas épocas E1 (todo na semeadura), E2, E3 e E4 (1/3 na semeadura e os restantes 2/3, quando a cultura apresentou quatro, oito e dez folhas completamente expandidas, respectivamente), além de um tratamento adicional, sem N.

Os resultados encontrados neste trabalho (citado no inicio do texto), evidenciam que:

O híbrido utilizado teve reposta positiva à adubação nitrogenada, em todos os critérios estudados, e a produtividade fortemente influenciada pelas doses e épocas de aplicação de nitrogênio, com as maiores produtividades de grãos obtidas com doses entre 90 e 120 kg. ha-1 de N.

Fonte: Gilson Domingos do Mar et al

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Em outro trabalho, anteriormente publicado no Portal Mais Soja (que você pode  conferir como foi feito e as informações dos autores e da publicação aqui),  Aildson Pereira Duarte e Claudinei Kappes estudando N em milho safrinha no MT, encontraram que a simples adição de N na semeadura elevou a produtividade média em 11%, 11% e 18% em Sapezal, Itiquira e Deciolândia respectivamente, e a produtividade foi maior na aplicação a lanço comparada ao sulco nos três locais, na ordem de 2% (Sapezal e Deciolândia) e 4% (Itiquira). Mas, não ocorreu diferença entre os modos para o tratamento N, em Itiquira e Deciolândia, e o tratamento NPKS, em Sapezal (dados não mostrados), veja Tabela abaixo:

Estudando a aplicação de N em safrinha para os estados MT e SP (trabalho anteriormente divulgado no Portal Mais Soja, confira o trabalho aqui), Claudinei Kappes, Aildson Pereira Duarte, Táimon Diego Semler  e Fábio Benedito Ono, objetivaram avaliar o efeito de épocas de aplicação do N, em sistema de semeadura direta. Em seus resultados encontraram que a adubação nitrogenada não deve ser negligenciada no milho safrinha, pois sua ausência limita o potencial produtivo da cultura em todos os locais. Uma única aplicação tardia de N, em V7, compromete o potencial produtivo, enquanto a aplicação no momento da semeadura é determinante e contribui para o incremento na produtividade de grãos.

Figura 1. Produtividade de grãos de milho em resposta ao momento de aplicação do N no Mato Grosso e em São Paulo (safrinha 2017). Letras distintas, dentro de cada local, indicam diferenças significativas entre as médias pelo teste de Student a 5%. ** e *: significativo a 1% e 5% de probabilidade, respectivamente.

Assim, a adubação de N em milho segunda safra, deve ser recomendada levando em consideração alguns fatores, sendo eles: analise de solo (teores existentes), demanda material utilizado (hibrido simples, duplo …), condições climáticas (precipitação), a cultura antecessora e sucessora, entre outros aspectos peculiares de cada região de cultivo. Como mencionada por um dos autores dos trabalhos acima citados, o fornecimento de N nesta cultura não deve ser rejeitado.

Referências citadas:

COELHO, A.M.; FRANÇA, G.C.; BAHIA, A.F.C. & GUEDES, G.A. Balanço de nitrogênio 15N em Latossolo Vermelho-Escuro, sob vegetação de cerrado, cultivado com milho. R. Bras. Ci. Solo, 95:187-193, 1991.

FRANÇA, G.E.; COELHO, A.M.; BAHIA FILHO, A.F.C. Parcelamento da adubação nitrogenada em cobertura na cultura do milho irrigado. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 10., 1994, Goiânia, GO. Resumos… Goiânia: ABMS/EMGOPA/CNPMS-EMBRAPA/UFG/EMATER-GO, 1994. p.101.

Equipe Mais Soja
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