Culturas de serviço são gramíneas e leguminosas que, além de proteger o solo contra a erosão e incorporar carbono e nutrientes ao sistema, reduzem a densidade de ervas daninhas em até 60%. Especialistas do INTA-Argentina estão avaliando uma gama de opções e analisam os primeiros resultados dos testes.

No sudeste de Buenos Aires, a inclusão de culturas de serviços nos sistemas agrícolas tradicionais é uma questão permanente de discussão entre os produtores. No entanto, os testes conduzidos por especialistas do INTA e da Faculdade de Ciências Agrárias, com demonstraram que a incorporação de gramíneas e leguminosas  tem reduzido a densidade em 60% de ervas daninhas, além de ajudar a incorporar nutrientes e proteger o solo.

Em termos gerais, há um grande consenso sobre as ervas daninhas e seu impacto, especialmente após o desenvolvimento da resistência e/ou tolerância aos herbicidas produtos químicos: os atuais sistemas de produção agrícola modificaram as comunidades de plantas daninhas, simplificando o manejo no primeiro momento, porém neste momento muitas são complexas de manejar.

Essa situação, difícil de lidar, gerou a necessidade de avaliar tecnologias alternativas que possibilitem obter altos rendimentos sem negligenciar a sustentabilidade do sistema e do meio ambiente.



Pablo Barbieri, especialista em produção vegetal: “Além de proteger o solo contra a erosão, incorporar nutrientes para o sistema, reduzir a pressão de ervas daninhas estas plantas poderiam ajudar a reduzir a emissão de gases de efeito estufa e a lixiviação de nutrientes para as camadas mais profundas”, disse ele.

Foto: Inta

Após dois anos de avaliação e de acordo com os dados coletados, Barbieri alerta que a espécie ou mistura a ser utilizada na implantação de uma lavoura de serviços deve ser definida de acordo com os benefícios exigidos pelo sistema.

“Os resultados obtidos com a aveia, centeio e triticale foram satisfatórios, sendo implantados facilmente em uma ampla janela de plantio (Outono e no Inverno), e contribuíram com grande quantidade de massa seca” expressou Divito e acrescentou: “No caso destas gramíneas, não só eles competem bem com as ervas daninhas, mas eles conseguiram reduzir a densidade (quantidade) e a abundancia (número de espécies)”.

Durante o ciclo agrícola 2017/2018, em um dos campos as reduções na densidade de plantas daninhas observadas foram de até 69%, comparadas ao tratamento de pousio químico e sem cultivo de serviço. Tudo parece indicar que essa estratégia é benéfica para a competição com ervas daninhas, porque a cobertura precoce do solo pode prevenir ou retardar o nascimento e o crescimento de algumas ervas daninhas do ciclo outono-inverno-primavera.



Quanto às leguminosas, a Vicia faba (popularmente chamada de fava, fava-comum, feijão-fava) é uma cultura interessante por sua capacidade de fixar o nitrogênio atmosférico. “Porque exige uma temperatura mais elevada do que as gramíneas para crescer, é essencial planta-las cedo (entre meados de fevereiro e meados de março para a área), a fim de alcançar um bom crescimento de outono”, disse Hernán Panaggio, especialista em controle de plantas daninhas INTA Balcarce.

Da mesma forma, Panaggio apontou que a disponibilidade de herbicidas para o controle de ervas daninhas na safra de canola é limitada, por isso deve ser semeada em lotes limpos. “Alcançar uma implementação adequada é crucial para melhorar a capacidade da cultura de competir contra as ervas daninhas”, disse ele. “Testes realizados com diferentes herbicidas e misturas mostraram que dessecagem da cultura é simples”.

Em relação ao efeito das culturas de serviços nas propriedades do solo, Divito disse que “no curto prazo, não foram observadas mudanças significativas na densidade do solo, na resistência mecânica à penetração e na taxa de infiltração”.

No entanto, eles foram capazes de determinar mudanças na disponibilidade de nutrientes, principalmente nitrogênio e enxofre. No momento da semeadura das culturas de verão, a quantidade de ambos os nutrientes era maior quando a cultura de serviço estava contaminada do que quando era aveia ou controle sem cultivo prévio. “Isso afetou os rendimentos das culturas subseqüentes”, disse Barbieri.

Segundo Barbieri, a aveia foi a melhor antecessora a soja e a Vicia faba para o milho.



Fonte: INTA – Informa

Texto originalmente publicado em:
INTA Informa
Autor: INTA

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