As previsões de safras em SC

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Por Ivan Ramos – Diretor Executivo da Fecoagro, disponível no site do Sistema Fecoagro.

A Secretaria de Agricultura do Estado divulgou recentemente a primeira previsão de safras para 2016/2017, cujo levantamento baseia muito mais nas intenções de plantio, do que efetivamente em cima da previsão de colheita. Embora incipientes, os dados já mostram uma tendência de aumento de área de quase todas as culturas, com exceção do feijão.

O dado positivo apurado pelo CEPA da Epagri é a reversão da tendência de queda da área plantada de milho em nosso Estado. Desde o ano 2000, a área de milho em SC tem caído em média seis por cento ao ano, provocando redução de 1 milhão de hectares para menos de 500 mil no último ano, considerando milho destinado a grão e milho para silagem. Além da redução da área total, também se ampliou a opção para milho silagem em detrimento ao destinado a grão para ração. Na contramão dessa realidade, ocorreu a ampliação do consumo de milho pelos criadores e agroindústrias, ampliando a cada ano, culminando com dependência de outros Estados e países, de mais outro tanto do que se produz, em comparação com o consumo.

E o que estamos fazendo para reduzir essa dependência, já que nosso parque agroindustrial está instalado e solidificado em nosso Estado? O Governo do Estado tem feito sua parte. Há mais de 15 anos vem estimulando o plantio do milho, especialmente nas pequenas propriedades, com subsídios no custo da semente e do calcário, e incentivando o uso de tecnologias mais avançadas nas sementes e demais insumos para a lavoura. Não fosse esse estímulo governamental, certamente nosso problema de insuficiência de milho seria muito maior. Neste ano, o novo Programa de Incentivo ao Plantio do Milho em SC idealizado pela Secretaria da Agricultura, e executado em parceria com a Fecoagro e as cooperativas, foi uma importante iniciativa, embora, em função das condições do mercado deste ano, não tenha tido a adesão pretendida.

O novo programa pretendia ampliar a área plantada e também a produtividade, em busca de maior volume de produção interna. A proposta, além de oferecer os insumos para pagamento com o produto colhido, garantia um preço final de parte da produção com margem de lucro mínimo de 30% aos plantadores, se as vendas fossem feitas antecipadas. O alto preço desse ano, não estimulou os agricultores venderem antecipadamente, na expectativa de conseguir ganho ainda maior, baseado nos preços irreais deste ano. Hoje a realidade de preço já é outra e até a época da colheita, não se sabe o que vai acontecer.

As cooperativas, baseada no volume de vendas de sementes e fertilizantes, acreditam que mesmo com esse problema haverá aumento de área de pelo menos 12 por cento em média, e a produtividade bem melhor, números que só serão confirmados após todo o plantio.

O importante é que o programa existe, e que a preocupação em SC é ampliar a produtividade, já que as áreas são escassas e dificilmente se retirará áreas de outras culturas para plantar milho. A Secretaria da Agricultura tem uma meta: até 2.020, atingir produtividade mínima de 10 mil kg por hectare, cerca de 170 sacos. Tecnologia para isso existe, basta que o agricultor queira chegar lá. As cooperativas estão aí para ajudar. O milho é o nosso grão de ouro. Pense nisso.

Fonte: Sistema Fecoagro

Texto originalmente publicado em:
Sistema Fecoagro
Autor: Ivan Ramos – Diretor Executivo da Fecoagro

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