Este estudo objetivou avaliar a eficiência de saflufenacil associado a herbicidas no controle de buva em diferentes estaturas.

Autores: Isabel Schlegel Werle1; André da Rosa Ulguim2; Igor Ilmar Honnef1; Eduard Leichtweis1; Cassiano Salin Pigatto1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A alta habilidade reprodutiva, diversidade genética e capacidade de adaptação conferem à buva (Conyza spp.) uma rápida seleção e dispersão de biótipos resistentes a herbicidas (CONSTANTIN et al., 2013).

O método de controle mais utilizado para o manejo de buva é a aplicação herbicida, dentre os quais, destaca-se o uso de glifosato que caracteriza-se como um inibidor da a 5-enolpiruvilchiquimato 3-fosfato sintase (EPSPs). No entanto, os casos de resistência dessa planta daninha a esse herbicida dificultou o controle da mesma, demandando a adoção de novas estratégias. Neste cenário, a mistura de herbicidas torna-se promissora, visto que esta prática pode aumentar o número de plantas daninhas controladas e prevenir a incidência de espécies resistentes com o uso de diferentes mecanismos de ação (VIEIRA JÚNIOR et al., 2015).

O 2,4-D tem sido um dos herbicidas mais utilizados em associação com o glifosato, principalmente nas aplicações de dessecação em pré-semeadura. Mais recentemente o saflufenacil foi comercialmente introduzido no Brasil, tornando-se um herbicida alternativo para ser usado em mistura ao glifosato no controle de buva (GROSSMANN et al., 2010). Em vista do exposto, este estudo objetivou avaliar a eficiência de saflufenacil associado a herbicidas no controle de buva em diferentes estaturas.

O experimento foi conduzido a campo, em área experimental da Universidade Federal de Santa Maria, na safra agrícola 2017/18. O delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições, cujas unidades experimentais constaram de parcelas com as dimensões de 15m² e área útil de 10m².

A cultura da soja foi semeada no dia 18 de dezembro com a cultivar BMX Vanguarda, com espaçamento entrelinhas de 0,50m e 16 sementes por m-1. O fator de tratamento constou de diferentes combinações de herbicidas, totalizando sete tratamentos, e representaram aplicações de herbicidas 18 dias antes da semeadura (DAS), cujos alvos foram plantas de buva de diferentes tamanhos (Tabela 1).

Tabela 1 – Descrição dos tratamentos, doses herbicidas utilizados e condição das plantas de buva (Conyza spp.) em resposta à aplicação em pré-semeadura na cultura da soja. BS IRGA 1642. Santa Maria, 2018.

A aplicação dos tratamentos deu-se com pulverizador costal, pressurizado a CO2, calibrado para proporcionar um volume de aplicação de 150L ha-1. No momento da aplicação, a população média de plantas de buva na área foi de 39 plantas m-2. A estatura da população de buva foi definida de acordo com os tratamentos, sendo que naquelas com aplicação herbicida em plantas maiores de 30 cm, removeram-se as plantas de estatura menor, realizando-se o processo inverso para as aplicações naquelas menores de 30 cm. Para as plantas de buva com corte, utilizou-se roçadeira a gasolina, de modo a permanecer 20 cm de estatura.

A variável analisada foi o controle de buva aos 10, 20 e 30 dias após a aplicação dos tratamentos herbicidas (DAT). As avaliações foram realizadas em escala percentual, em que zero representou ausência de injúrias e cem a morte das plantas. Os dados foram submetidos à análise da variância (p≤0,05) e quando significativo, foram comparados pelo teste de Tukey (p≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise da variância evidenciou significância do fator de tratamento para a variável analisada. Observou-se que, aos 10 DAT, a mistura de glifosato com 2,4-D e saflufenacil aplicados em plantas de estatura inferior a 30 cm e nas plantas cortadas promoveu controle superior (Tabela 2). Esses tratamentos também foram superiores aos demais aos 20 e 30 DAT, apresentando diferença dos demais tratamentos, cujo controle foi superior ou igual a 89% (Tabela 2).


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Tabela 2 – Controle de buva (Conyza spp.) de diferentes tamanhos aos 10, 20 e 30 dias após o tratamento (DAT) de herbicidas em pré-semeadura da cultura da soja. Santa Maria, 2018.

Resultados semelhantes foram obtidos no controle de buva resistente ao glifosato em lavoura de algodão, onde a mistura de glifosato com saflufenacil e glifosato com dicamba forneceu mais de 90 e 70% controle, respectivamente (EUBANK et al., 2013). Esses resultados podem ser justificados devido à ação sinérgica decorrente da associação de saflufenacil ao glifosato, onde a presença do saflufenacil proporcionou um aumento na absorção do glifosato (EUBANK et al., 2013).


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O estádio da buva no momento da aplicação é essencial para um bom controle. Neste trabalho, quando comparado o efeito do tamanho de buva na eficiência dos tratamentos herbicidas, observa-se que, o melhor resultado deu-se nas aplicações em buva com menor estatura e nos casos onde houve o corte (Tabela 2). Todavia, mesmo nessas condições, somente os tratamentos que contaram com a adição de saflufenacil foram os que evidenciaram controle efetivo. Nesse sentido, a adição de saflufenacil na mistura promoveu aumento médio de controle de cerca de 60%. (Tabela 2).

CONCLUSÃO

O estádio fenológico das plantas de buva compromete significativamente o controle, de forma que medidas de manejo químico podem alcançar melhores resultados se forem aplicados em plantas mais jovens. Sendo assim, os resultados obtidos permitiram inferir que os tratamentos com o herbicida saflufenacil em mistura ao 2,4-D e glifosato foram efetivos no controle da buva com estatura inferior a 30 cm e cortada a 20 cm.

REFERÊNCIAS

CONSTANTIN, J.; OLIVEIRA JR., R.S.; OLIVEIRA NETO, A.M. Buva: fundamentos e recomendações para manejo. Curitiba: Omnipax, p. 104, 2013.

EUBANK, T. W. et al. saflufenacil efficacy on horseweed and its interaction with glyphosate. Weed Biology and Management, Malden, v. 13, n. 4, p. 135-143, 2013.

 GROSSMANN, K. et al. The herbicide saflufenacil (KixorTM) is a new inhibitor of protoporphyrinogen IX oxidase activity. Weed Science, Champaign, v. 58, n. 1, p. 1-9, 2010.

VIEIRA JÚNIOR, N.S.; JAKELAITIS, A.; CARDOSO, I.S; REZENDE, P.N.; MORAES, N.C.; ARAÚJO, V.T. Associação de herbicidas aplicados em pós-emergência na cultura do milho. Global Science and Technology, v.8, n.1, p.1-8, 2015.

Informações dos autores:  

1Acadêmicos do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

2Professor do Departamento de Fitossanidade, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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