O trabalho tem como objetivo identificar a dose de sulfato de cobre associado a estrobirulina e triazol que proporciona a maior eficiência de controle destas doenças.

Autores: SILVA, T.R.1; CEBALLOS, G.A.1; GUARNIERI, C.C.O.1; PAES JUNIOR, R.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A cultura da soja (Glycine max L.) tem um importante papel no cenário econômico do Brasil, correspondendo a 35,8 milhões de hectares e produtividade média de 3168 kg ha-1 (CONAB, 2019). Um dos fatores mais limitantes para obtenção de altos rendimentos são as doenças foliares. Entre estas doenças destacam-se Phakopsora pachyrhizi e Erysiphe diffusa. O oídio na soja é causado pelo patógeno E. diffusa e em cultivares de soja suscetíveis, as perdas de produtividade podem chegar a 50% (Igarashi et al., 2010). A ferrugem-asiática da soja causada pelo fungo P. pachyrhizi tem alto potencial de dano, sendo facilmente disseminada pelo vento e favorecida pelo extenso cultivo. Populações de P. pachyrhizi menos sensíveis à inibidores da desmetilação (triazóis), inibidores da quinona externa (estrobirulinas) e os inibidores de succinato desidrogenase (carboxamidas) já foram detectadas (FRAC, 2017; Klosowski et al., 2015; Schmitz et al., 2013; Simões et al., 2017 apud Seixas et al., 2018).

Os fungicidas podem ser classificados de acordo com o modo de ação, em sítio-específicos ou multissítios. Fungicidas que tem ação específica atuam apenas em um ponto da via metabólica do patógeno ou contra uma enzima ou proteína necessária para o desenvolvimento do fungo. Fungicidas multissítios interferem em vários locais metabólicos do fungo provocando um colapso interno e posterior morte do patógeno (McGrath et. al., 2004). Desta forma a associação de fungicidas de modos de ação diferentes com produtos multissítios vão de encontro aos princípios de manejo integrado de doenças e corresponde a um pilar importante no manejo de anti-resistência. Portanto, o trabalho tem como objetivo identificar a dose de sulfato de cobre associado a estrobirulina e triazol que proporciona a maior eficiência de controle destas doenças.

Material e Métodos

O experimento foi realizado no município de Artur Nogueira, SP nas coordenadas 22º31’48” S e 47º07’01” O com 710 m de altitude. O clima é quente e temperado e pode ser caracterizado como Cwa na classificação de Köppen com 19,8°C de temperatura média e 1295 mm de pluviosidade média anual. O solo da área foi identificado como Latossolo Vermelho férrico de textura média. A cultivar utilizada foi a BMX Potencia RR semeada no dia 28/02/2018, tendo como cultura antecessora o milho. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, constituído de nove tratamentos e quatro repetições. Cada parcela continha 3,0 m de largura por 5,0 m de comprimento, totalizando 15,00 m². Os tratos culturais (tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas, adubação de base, aplicação de inseticidas e herbicidas) foram realizadas conforme padrão local. Os tratamentos eram compostos por: picoxistrobina + ciproconazole (Dupont) associado a seis diferentes doses de sulfato de cobre (Rotam), picoxistrobina + ciproconazole + hidróxido de cobre (Oxiquímica), picoxistrobina + ciproconazole + mancozebe (UPL), testemunha sem aplicação, cujas doses dos fungicidas estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1. Tratamentos de fungicidas para controle de ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) e oídio (Erysiphe diffusa) da soja. Arthur Nogueira, SP, safra 2017/18.

A aplicação dos tratamentos foi realizada utilizando pulverizador costal pressurizado com CO2, acoplado a uma barra de pulverização de seis pontas do tipo leque (Teejet Turbojet Série 110 02) e volume de calda de 200 L ha-1. As aplicações foram realizadas em R1 (início do florescimento), R3 (início da formação de legumes) e R5 (enchimento de grãos) de acordo com a escala de Yorinori (1996), correspondendo à 36, 48 e 57 dias após a semeadura. Foram realizadas quatro avaliações de severidade de ferrugem asiática e oídio. Para as avaliações de P. pachyrhizi utilizou-se a escala proposta por Godoy et al. (1997). Avaliou-se quatro pontos nas linhas centrais de cada parcela, nos terços médio e superior das plantas, totalizando oito folíolos por parcela.

A quantificação de E. diffusa foi realizada atribuindo nota geral de desenvolvimento da doença de acordo com a escala proposta por Mattiazzi et al. (2003). Para elaboração da área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) os valores médios de severidade foram adicionados ao software ARM® versão 9.1.0. A eficiência de controle foi calculada de acordo com a equação ((AACPDtest – AACPDtrat)/AACPDtest)*100) onde AACPDtrat e AACPDtest são os valores de AACPD do tratamento analisado e da testemunha respectivamente. Para obtenção da dose que proporcionasse o potencial máximo de controle das doenças foi utilizado o modelo de regressão polinomial. Os dados foram submetidos à análise de variância, teste F, a 5% de probabilidade, e quando verificado efeito significativo, procedeu-se a comparação de médias pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

Em relação a AACPD de ferrugem asiática todos os tratamentos diferiram estatisticamente da testemunha. Porém, entre os fungicidas testados, menores níveis da doença foi observado no tratamento picoxistrobina + ciproconazole + sulfato de cobre (0,40 + 0,30 L p.c ha-1). Para oídio, os tratamentos picoxistrobina + ciproconazole + sulfato de cobre (0,40 + 0,12 L p.c ha-1), picoxistrobina + ciproconazole + sulfato de cobre (0,40 + 0,21 L p.c ha-1), picoxistrobina + ciproconazole + sulfato de cobre (0,40 + 0,30 L de p.c ha-1) apresentaram redução no desenvolvimento da doença assemelhando-se a picoxistrobina + ciproconazole + hidróxido de cobre (0,40 + 0,50 L p.c ha-1) e picoxistrobina + ciproconazole + mancozebe (0,40 + 1,50 L ou kg p.c ha-1) (Tabela 2).

Tabela 2. Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) de Phakopsora pachyrhizi e Erysiphe diffusa em função dos tratamentos aplicados durante o ciclo da cultura da soja. Artur Nogueira, SP, safra 2017/18.

Todos os tratamentos apresentaram valores superiores a 90 % de controle para ambas as doenças avaliadas (Tabela 3).

Tabela 3. Eficiência de controle de Phakopsora pachyrhizi e Erysiphe diffusa em função dos tratamentos aplicados durante o ciclo da cultura da soja. Arthur Nogueira, SP, safra 2017/18.

Através da regressão polinomial as doses que apresentaram máximo potencial de controle para P. pachyrhizi e E. diffusa estão entre 0,12 e 0,13 (L p.c ha-1) de sulfato de cobre (Figura 1).

Figura 1. Eficiência de controle de Phakopsora pachyrhizi (A) e Erysiphe diffusa (B) em função da dose de sulfato de cobre.

Conclusão
De acordo com a análise de regressão, as doses (L p.c ha-1) entre 0,12 e 0,13 de sulfato de cobre associado à picoxistrobina + ciproconazole (0,40 L p.c ha-1) foram as que atingiram potencial máximo de controle de P. pachyrhizi e E. diffusa, sendo uma importante ferramenta no manejo anti-resistência desses patógenos.


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Referências

CONAB. Acompanhamento da safra brasileira: grãos: safra 2018/2019. Brasília: CONAB. 2019. Disponível em: <https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos>. Acesso em: 15 mai. 2019.

GODOY, C. V., CARNEIRO, S. M. T. P. G., IAMAUTI, M. T., DALLA PRIA, M., AMORIM, L., BERGER, R. D.; BERGAMIN FILHO, A. Diagrammatic scales for bean diseases: development and validation. Zeitschrift für Pflanzenkrankheiten und Pfanzenschutz, v. 104, p. 336-345, 1997.

IGARASHI, S.; OLIVEIRA, G. M.; CAMARGO, L. C. M.; FALKOSKI FILHO, J.; GARDIANO, C. G.; BALAN, M. G. Danos causados pela infecção de oídio em diferentes estádios fenológicos da soja. Arquivos do Instituto Biológico, v. 77, n. 2, p. 245-250, 2010.

MATTIAZZI, P. Efeito do oídio (Microsphaera diffusa Cooke & Peck) na produção e duração da área foliar sadia da soja. 2003. 49 f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba.

MCGRATH, M. T. What are fungicides? The Plant Health Instructor. 2004. DOI: 10.1094/ PHI-I-2004-0825-01.

SEIXAS, C. D. S.; HARGER, N.; OLIVEIRA, F. T. DE; SERATTO, C. D.; GHELLER, J. A.; OLIVEIRA, A. B. de. Monitoramento de Phakopsora pachyrhizi na safra 2017/2018 para tomada de decisão do controle da ferrugem-asiática da soja. Londrina: Embrapa Soja, 2018. 19 p. (Embrapa Soja. Circular técnica, 141).

YORINORI, J. T. Doenças da soja no Brasil. In: FUNDAÇÃO CARGILL. Soja no Brasil Central. Campinas: Fundação Cargill, 1996. p. 301-363.

Informações dos autores

1Rotam do Brasil Agroquímicos Ltda, Campinas, SP.

Disponível em: Anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja. Londrina – PR, Brasil.

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