A competição provocada pelas plantas daninhas em uma lavoura de soja pode resultar em perdas significativas, reduzindo em mais de 90% a produção da cultura. Também pode dificultar a operação de colheita, prejudicando a qualidade do grão ou da semente.

Contudo, a necessidade pelos recursos como a água, a luz e os nutrientes variam dentro do ciclo da cultura, razão pela qual torna-se importante conhecer as fases onde a interferência das plantas daninhas pode ser mais prejudicial para a soja.


Veja também: Interferência de capim-amargoso sobre a produtividade da soja


O capim-amargoso é uma espécie daninha, perene, altamente competitiva que tem se tornado de grande importância nos últimos anos, devido ao fato de algumas populações terem sido selecionadas como resistentes ao glifosato e mais recentemente a inibidores de ACCase.

A planta se propaga principalmente através de sementes, mas depois de entouceirada também se propaga por rizomas, dificultando ainda mais o seu controle. Pode florescer e disseminar sementes com baixos níveis de dormência durante o ano todo e possui grande relevância em lavouras de algodão, milho e soja.

Seu grande potencial como invasora se dá em virtude da possibilidade das sementes serem carregadas pelo vento a grandes distâncias e por terem bom poder germinativo (Kissmann & Groth, 1997), pela manifestação de biótipos resistentes e pelo uso de subdoses para seu controle.

Em trabalho onde avaliou-se os efeitos da convivência do capim-amargoso na produtividade da soja, pode-se observar uma redução de 44% no rendimento, ou 25 sacos ha-1 de perdas devido à presença do capim-amargoso.

As figuras 1 e 2, abaixo, podem ser observados os resultados obtidos pelos autores.

Fonte: Embrapa.
Fonte: Embrapa.

Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Leandro Albrecht, Dr. e pesquisador da UFPR, e Juliano Lorenzetti, Engenheiro Agrônomo e aluno de doutorado da UFPR, comentaram a respeito da matocompetição de plantas daninhas na cultura da soja, enfatizando sobre os prejuízos que as plantas podem ocasionar ao produtor.



 

Inicialmente, a dupla comentou sobre danos causados pela interferência da buva na cultura da soja, para acessar esse material, clique aqui. Neste segundo momento, o professor Leandro juntamente com o Engenheiro Agrônomo Juliano da UFPR, falaram um pouco sobre o capim amargoso, a maior planta daninha do Brasil, ocupando a maior área em relação às demais plantas daninhas do nosso país.

Diferentemente da buva, que está mais concentrada nas regiões sul, centro-sul e em uma pequena parte do cerrado, o capim-amargoso está presente em todo o Brasil, apresentando-se de difícil controle para o produtor rural, além do prejuízo que causa na produtividade.

Dessa forma, Juliano destaca que em trabalhos realizados pelo grupo do Supra Pesquisa onde avaliou-se a interferência de plantas entouceiradas de capim-amargoso sobre a produtividade da soja, contatou-se que apenas 1 planta de capim-amargoso por metro quadrado entouceirada reduz a produtividade da soja em até 21%.

Quando aumentou-se de 1 para 4 plantas por metro quadrado, o potencial de redução na produtividade da soja foi de 43%. Já, quando os pesquisadores utilizaram 8 plantas por metro quadrado, que foi a maior densidade utilizada no experimento, a interferência na cultura da soja foi de 59%.

Veja esses resultados obtidos pelos autores na figura abaixo.

Conforme destacado por Juliano, pode-se perceber com essa análise que o capim-amargoso possui um alto potencial de redução de produtividade na cultura da soja, com isso, o que cabe ao produtor rural é não permitir que essa planta chegue a formar a touceira dentro da lavoura, realizando o controle de forma preventiva, em estádios de desenvolvimento inferiores ao entouceiramento.

Conforme destacado pelo professor Leandro, diferentemente da buva, o capim-amargoso é uma planta perene. Dessa forma, se ele não for controlado, permanecerá por muito tempo no sistema, alojando-se na área e aumentando sua população.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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