A soja é uma cultura exigente em fertilidade do solo, água e radiação solar. A competição entre plantas cultivadas e plantas daninhas por tais recursos pode reduzir a produtividade da cultura, implicando em menor lucratividade do cultivo. Sendo assim, o controle de plantas daninhas é essencial para a obtenção e manutenção de boas produtividades de soja.

Além disso, plantas daninhas presentes na área de cultivo, tanto no período de safra quanto na entressafra, podem atuar como hospedeiras de pragas ou patógenos que podem interferir negativamente na produtividade da soja, causando redução da qualidade e/ou quantidade dos grãos ou sementes.

Embora uma imensa variedade de espécies de plantas daninhas possa ser encontrada nas áreas de produção, algumas plantas se destacam por apresentar rápido crescimento e desenvolvimento, elevada produção de sementes, dispersão facilitada dessas sementes e controle dificultoso, em virtude desses e de outros fatores como a resistência a herbicidas. Uma dessas plantas é o caruru (Amaranthus spp.), planta daninha pertencente à família Amaranthaceae.

Dentre as principais espécies de caruru encontradas nas lavouras brasileiras podemos destacar o Amaranthus hybridus, cujos as principais variedades são o Amaranthus hybridus var. paniculatus, conhecido popularmente como caruru-roxo, e o Amaranthus hybridus var. patulus, conhecido vulgarmente como caruru-branco.

Conforme destacado por Sylvio Bidel, professor do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Santa Maria, as plantas da família Amaranthaceae podem ser encontradas em grande parte do território brasileiro, sendo o Amaranthus palmeri encontrado principalmente no Mato Grosso; enquanto que as espécies de Amaranthus hybridus ocorrem principalmente na região Sul do Brasil, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.



Figura 1. Espécies do gênero Amaranthus. A – Amaranthus hybridus var. paniculatus; B – Amaranthus hybridus var. patulus; C – Amaranthus palmeri; D – Amaranthus retroflexus.

Embora a presença do Amaranthus Palmeri em um primeiro momento tenha sido observada apenas no estado do Mato Grosso, Bidel destaca que a presença da planta daninha em território nacional preocupa. Isso porque em outros países como Estados Unidos e Argentina, o Amaranthus Palmeri causa grande impacto sobre a produtividade de culturas como soja e milho, sendo uma planta daninha de difícil controle.

Apesar das espécies de Amaranthus hybridus atuarem como principais representantes da família Amaranthaceae no conjunto de plantas daninhas nas lavouras brasileiras, a grande produção de sementes, elevada dispersão dessas e facilita reprodução das daninhas dessa família faz com ambas as espécies pertencentes à família possam se tornar potencialmente prejudiciais nos sistemas de produção agrícola.

Dentre as características do Amaranthus hybridus, Bidel destaca o rápido crescimento da planta; a elevada capacidade germinativa de suas sementes, as quais podem germinar o ano todo, mesmo em períodos mais frios; os frequentes fluxos de emergência da planta daninham e as dificuldades de controle utilizando o manejo químico.

Veja também: Controle de Caruru (Amaranthus hybridus) resistente ao glifosato

Com relação ao controle das plantas daninhas pertencentes a família Amaranthaceae, Bidel enfatiza que é necessário buscar alternativas de manejo que possibilitem não apenas o controle das daninhas, mas também a redução das sementes do banco de sementes do solo. Sendo assim, além do controle químico, é essencial o uso de práticas de manejo que possibilitem o uso de métodos eficientes de controle, tais como o controle cultural e mecânico.

“Fazer as coisas certas no momento certo”, utilizando um adequado posicionamento de produtos e possibilitando uma boa cobertura do solo. Assim como o controle do Amaranthus spp. nos períodos entressafra que é fundamental para o estabelecimento de um programa de controle eficiente dessa planta daninha.

Em virtude da dificuldade de controle da planta daninha em pós-emergência da soja, Bidel destaca que semeadura no limpo, sem a presença da planta daninha é uma das melhores alternativas para evitar a matocompetição e a disseminação da espécie em meio ao cultivo da soja.

Confira o vídeo abaixo com as dicas do Professor Sylvio Bidel.


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Referências:

LORENZI, H. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS: PLANTIO DIRETO E CONVENSIONAL. Instituto Plantarum, ed. 7, 2014.

UTDA JARDIM BOTÂNICO. Amaranthus retroflexus. Disponível em: <https://jb.utad.pt/especie/Amaranthus_retroflexus>, acesso em: 03/11/2020.

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