A grande variedade de espécies de plantas daninhas presentes em áreas de produção agrícola dificulta o controle delas, especialmente com relação ao posicionamento de herbicidas, uma vez que algumas espécies apresentam resistência conhecida a determinados mecanismos de ação de herbicidas. A matocompetição de plantas daninhas com cultivadas por água, radiação solar e nutrientes pode resultar em perdas consideráveis da produtividade de culturas agrícolas, além disso, grande parte das plantas daninhas também pode atuar como plantas hospedeiras de pragas e doenças, contribuindo para a sobrevivência desses organismos no período entressafra das culturas.

Umas das plantas daninha mais agressivas e preocupantes observadas em lavouras é a Parthenium hysterophorus ou losna branca como é popularmente conhecida. Essa daninha pertence à família Asteracea, possui reprodução por sementes, vegeta praticamente o ano inteiro e apresenta um longo período de florescimento. Em virtude de suas características fisiológicas e competitivas, a losna branca pode ser considerada uma das dez plantas daninhas mais agressivas do mundo (Maciel et al., 2017).

Conforme observado por Shehzad et al. (2016), a losna branca pode apresentar certo efeito alelopático sobre culturas como a soja, causando reduções significativas na emergência, crescimento e produtividade da soja. Sendo assim, o controle eficiente dessa daninha é fundamental para a obtenção de boas produtividades de soja. Atrelado a essas características dessa planta daninha, a losna branca apresenta casos de resistência conhecida a herbicidas, fato que dificulta ainda mais o manejo e controle eficiente dessa daninha.

Segundo Heap (2022), até então existe relato de quatro casos de resistência de Parthenium hysterophorus a herbicidas no mundo, sendo um no Brasil (2004); um na Colômbia (2004), um nos Estados Unidos da América – Florida (2014) e um no México (2017). No Brasil, o caso de resistência foi relatado no estado do Paraná, onde se observou resistência de Parthenium hysterophorus a herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS), contemplando os herbicidas: clorimuron-etil, cloransulam-metil, foramsulfuron, imazethapyr e iodosulfuron-metil-Na. Já os demais casos relatados nos países citados anteriormente, remetem a resistência de Parthenium hysterophorus ao glifosato.

Dessa forma, fica evidente a necessidade de cautela no manejo e controle da losna branca, a fim de evitar a ocorrência de novos casos de resistência no Brasil, em especial ao glifosato, ao qual a espécie já apresenta resistência em outros países.


Veja mais: Alternativas de controle químico na dessecação de Losna branca (Parthenium hysterophorus) em pré-semeadura do milho


Referências:

Heap, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE. Disponível: < www.weedscience.org >, acesso em: 10/01/2022.

MACIEL, R. V. et al. ALTERNATIVAS DE CONTROLE QUÍMICO NA DESSECAÇÃO DE LOSNA BRANCA (Parthenium hysterophorus) EM PRÉ-SEMEADURA DO MILHO. XIV Seminário Nacional Milho Safrinha, 2016. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1081707/1/Alternativascontrole1.pdf >, acesso em: 10/01/2022.

SHEHZAD, M. et al. ALLELOPATHIC EFFECT OF SANTA MARIA (Parthenium hysterophrous) MULCH ON GROWTH AND YIELD OF SOYBEAN (Glycine max). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 34, n. 4, p. 631-638, 2016. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pd/a/vXKmPBYSwzgvg6pvHjKQ4Dp/?format=pdf&lang=en >, acesso em: 10/01/2022.

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