Por: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

As nações comercializam porque não conseguem ser autossuficientes em todos os produtos. Isso porque para muitos destes produtos as nações não possuem os fatores de produção (trabalho, capital, terra, tecnologia, capacidade gerencial…) suficientes, tornando, assim, a produção destes bens muito mais cara do que outras nações os produzem.

Desta forma, a lógica da abertura comercial é justamente, na teoria, propiciar que as nações vendam no mercado internacional os produtos que utilizam maior quantidade dos fatores de produção que elas têm em abundância, sendo assim mais competitivas em relação às nações concorrentes, e importem os produtos que usam fatores de produção que para elas são raros e, portanto, mais caros de produzir localmente do que importá-los.

Para que este processo funcione, e gere bem-estar para a população em geral, através de acesso a bens mais baratos e de melhor qualidade, o livre comércio é essencial. Ora, toda vez que um governo decide aplicar políticas comerciais que prejudiquem esta lógica, o mesmo está se utilizando de políticas que tornam o comércio internacional desleal, pois retiram e/ou oferecem competitividade artificial aos bens atingidos


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Em outras palavras, nestes casos não são as leis de oferta e demanda, vantagens absolutas e/ou comparativas que determinam a participação competitiva de uma nação no mercado mundial, mas sim a interferência estatal, muitas vezes sob a forma de aporte de recursos via o seu Tesouro Nacional, artificializando sua capacidade competitiva.

São muitas as políticas comerciais protecionistas postas em prática comumente pelas diferentes nações: tarifas aduaneiras, contingenciamento, subsídios de toda ordem, dumping etc. Neste momento, o mundo assiste a um litígio comercial entre EUA e China onde a arma protecionista é a tarifa aduaneira. Este litígio, por iniciativa do governo Trump, se espalha para o mundo inteiro, causando prejuízos econômicos e sociais (desemprego) para todos os países, na medida em que, em sendo atacado, o outro país responde com retaliações comerciais, bloqueando ainda mais o comércio mundial.

Assim, o custo de vida aumenta para todas as nações atingidas, pois se obrigam a consumir produtos mais caros (e geralmente de menor qualidade). Ao mesmo tempo, muitas empresas se veem obrigadas a fechar as portas, gerando desemprego, pois não conseguem competir nesta situação artificializada pelos Estados.

Então, por que proteger? Geralmente porque os governos cedem a pressões de setores locais de sua economia, que em não sendo competitivos diante dos produtos externos, forçam o governo a protegê-los de alguma forma. Assim, para defender poucas empresas e empregos o governo adota políticas nocivas que atingem ao conjunto da Nação, com reflexos sobre o resto do mundo.

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Fonte: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum (Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.

Texto originalmente publicado em:
Ceema
Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum (Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.

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