O objetivo deste trabalho foi comparar o ciclo de cultivares de soja em diferentes épocas de semeadura.

Autores:  Isabeli Wolski Brendler1; Charles Patrick de Oliveira de Freitas2; Luiz Felipe Vieira Sarmento1; Bruna San Martín Rolim Ribeiro2; Alexandre Ferigolo Alves2

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O Brasil é o segundo maior produtor de Soja na safra 17/18, sendo o Rio Grande do Sul o terceiro estado que mais produz no país (CONAB, 2018). O aumento da produtividade da cultura da soja está relacionado às novas tecnologias de produção, que vem trazendo mudanças no manejo, como exemplo as mudanças no tipo de crescimento e na redução da duração do ciclo de desenvolvimento das cultivares mais novas (Zanon, 2015).

A classificação dos ciclos não é mais eficaz em descrever a maturidade relativa sobre uma faixa ampla de ambientes e latitudes (Alliprandini et al., 2009). Sendo assim, o termo grupo de maturidade relativa (GMR) está substituindo a antiga abordagem de ciclos, a duração do ciclo de desenvolvimento da soja, hoje, é classificada como GMRs, ou seja, da semeadura até a maturidade fisiológica, em dias. O GMRs é determinado pelo fotoperíodo, práticas de manejo e área geral de adaptação das cultivares de soja (Zanon et al., 2018).

As “cultivares padrão” foram lançadas com nomes a partir da sua duração do ciclo de desenvolvimento com diferentes GMRs, sendo levado em consideração a latitude, altitude e a interação genótipo x ambiente. Porém, essas cultivares obteram bons resultados para as semeaduras da primeira quinzena de novembro, pelo fato da variação do fotoperíodo e da temperatura (Zanon et al., 2018).

O objetivo deste trabalho é comparar o ciclo de cultivares de soja em diferentes épocas de semeadura. Pois, o estado ótimo da radiação solar, do fotoperíodo e da temperatura média do ar depende da época, ou seja, nos meses de setembro até dezembro vai aumentando e nos meses de janeiro até abril vai diminuindo. O ciclo de desenvolvimento da cultura depende da temperatura e do fotoperíodo (Kantolic, 2008), sendo diferente em cada genótipo e estágio de desenvolvimento (Setiyono et al., 2007).

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento de campo foi realizado no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, em Santa Maria, RS. Foram utilizadas as cultivares de soja NS 4823 RR, BMX Elite IPRO, BMX Ícone IPRO, com crescimento indeterminado, sendo, respectivamente, os grupos de maturidade relativa 4.8, 5.5, e 6,8. As datas de semeadura realizadas foram 17/10/2017, 21/11/2017, 19/12/2017 e 16/02/2018.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições, com linhas de 4 m de comprimento espaçadas em 0,45 m e 3,15 m de largura. Apresentando uma densidade de 30 plantas por m-2. E o manejo de adubação e calagem seguiu as recomendações para alcançar 6 Mg ha-1.

Segundo a classificação de Köppen, o clima do local é do tipo Cfa, subtropical úmido com verões quentes e sem estação seca definida (Kuinchtner & Buriol, 2001).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Quanto maior o GMR maior o ciclo (Zanon, 2015). As cultivares de GMR menor (NS 4823 RR, GMR 4,8 e BMX Elite IPRO, GMR 5,5) resultaram menor duração total do ciclo do que a cultivar com GMR 6,8, em todas as épocas de semeadura (Figura 1).

Figura 1: Duração total e dos subperíodos do ciclo de desenvolvimento semeadura (SM), emergência (EM), início do florescimento (R1) e maturidade de colheita (R8) das cultivares de soja em três épocas de semeadura no ano agrícola 2017/2018, em Santa Maria – Campus/UFSM.

O efeito do fotoperíodo no desenvolvimento da cultura está nítido no encurtamento do ciclo de desenvolvimento (EM-R8) juntamente com o atraso da semeadura (Figura 1). Já na semeadura de novembro as cultivares BMX Elite IPRO e BMX Icone IPRO, obtiveram a duração do ciclo total de 126 e 139 dias, respectivamente (Figura 1).

Observando todas as épocas de semeadura, a menor duração da fase vegetativa é na cultivar NS 4823 RR e BMX Ícone IPRO, semeadas em 16/02/2018, elas antecipam a passagem para a fase reprodutiva (EM-R1), quando semeadas em fevereiro (Figura 1), pois como o fotoperíodo nessa época é em torno de 13,71 h, a planta tem uma alta taxa de indução ao florescimento, então, o ciclo total também será menor.


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Em relação à fase reprodutiva, há aspectos positivos da maior duração da fase em que se pode inferir um provável aumento do potencial produtivo (Zanon, 2015), a cultivar NS 4823 RR apresentou maior duração, semeada em 17/10/2018, isso ocorre pelo fato do fotoperído estar em crescimento juntamente com a temperatura. A menor duração foi com a cultivar NS 4823 RR e BMX Elite IPRO semeadas no dia 16/02/2018, que ao contrário do mês de outubro, o fotoperíodo e a temperatura começam a decrescer, isso confere maior ciclo para o mês de outubro por ser algo gradativo e menor ciclo no mês de fevereiro.

CONCLUSÃO

Portanto, foi possível concluir que quando é antecipada a semeadura a variação do ciclo de desenvolvimento em cultivares com GMR 4.8, 5.5 e 6.8 é de 14, 15 e 17 dias a mais no ciclo, em relação ao de novembro que é a data aproximada do estimado GMR das cultivares. Já quando é atrasada a semeadura a variação para o mês de fevereiro é de 19, 22 e 29 dias a menos no ciclo, em relação ao de novembro.

REFERÊNCIAS

ALLIPRANDINI, L. F.; ABATTI, C.; BERTAGNOLLI, P. F.; CAVASSIM, J. E.; GABE, H. L.; KUREK, A.; MATSUMOTO, M. N.; OLIVEIRA, M. A. R.; PITOL, C.; PRADO, L. C.; STECKLING, C.; Understanding soybean maturity groups in brazil: environment, cultivar classification, and stability. Crop Science, v. 49, p. 801-808, 2009.

Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB. Acompanhamento de safra brasileira: grãos. Brasília, DF: CONAB, 2018.

KANTOLIC, A. G. Control ambiental y genético de la fenologia del cultivo de soja: impactos sobre elrendimiento y laadaptación de genótipos. Revista da Facultad de Agronomía UBA, v. 28, p.6388, 2008.

KUINCHTNER, A. & BURIOL, G. A. Clima do estado do Rio Grande do Sul segundo a classificação climática de Köppen e Thornthwaite. Disciplinarum Scientia, v. 2, p. 171-182, 2001.

SETIYONO, T. D., WEISS, A., SPECHT, J. E., BASTIDAS, A. M., CASSMAN, K. G., & DOBERMANN, A. Understanding and modeling the effect of temperature and daylenght on soybean phenology under high-yield conditions. Field Crops Research, v. 100, p. 257-271, 2007.

ZANON, A. J.; WINCK, J. E. M.; STRECK, N. A.; ROCHA, T. S. M.; CERA, J. C.; RICHTER, G. L.; LAGO, I.; SILVA, P. M.; MACIEL, L. R.; GUEDES, J. V. C.; MARCHESAN, E.; Desenvolvimento de cultivares de soja em função do grupo de maturação e tipo de crescimento em terras altas e terras baixas. Bragantia. v. 74, n. 4, p. 400-411. 2015b.

ZANON, A. J.; SILVA, M. R.; TAGLIAPIETRA, E. L.; CERA, J. C.; BEXAIRA, K. P.; RICHTER, G. L.; DUARTE JUNIOR, A. J.; ROCHA, T. S. M.; WEBER, P. S.; STRECK, N. A.; ECOFISIOLOGIA DA SOJA VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria – RS : Palotti, 2018, v.1. p.136. Meio de divulgação: Impresso, ISBN: 9788554856144.

Informações dos autores:  

1Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS;

2Pós-Graduação, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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