As diferentes espécies de lagartas desfolhadoras associadas à cultura da soja apresentam certas particularidades quanto à sua localização no dossel das plantas, bem como seu padrão de atividade ao longo do dia.

Segundo Guedes et al. (2015), as lagartas da espécie Anticarsia gemmatalis (lagarta-da-soja) tendem a apresentar uma distribuição homogênea ao longo do perfil da planta, estando proporcionalmente espalhadas nos três terços do dossel (superior, médio e inferior). Já a espécie Chrysodeixis includens (falsa-medideira) apresenta maiores concentrações nos terços médio e inferior das plantas, principalmente durante o dia.

Por outro lado, as espécies do complexo Spodoptera demonstram um comportamento variável: durante o dia, essas lagartas podem ser encontradas no terço inferior, na base da planta ou mesmo no solo; já durante a noite, a concentração é maior nos terços médio e superior da planta (Figura 1). Isso ocorre devido à tendência dessas lagartas de proteger-se durante as horas mais quentes do dia, e exige um cuidado especial na amostragem para contabilizar os indivíduos presentes no solo ao redor da planta.

Figura 1. Padrão de distribuição das lagartas do gênero Spodoptera nos terços da planta de soja, durante o dia e a noite.

Fonte: Guedes et al., 2015.

Portanto, as particularidades envolvidas na distribuição das diferentes lagartas da soja demandam um rigoroso processo de amostragem visando à tomada de decisão no manejo de praga e evitando super ou subestimativas da população infestante. Além disso, as espécies com maior tendência de permanecerem no terço inferior do dossel são comparativamente mais difíceis de serem controladas por pulverizações de inseticidas, cuja deposição de gotas é tipicamente maior no terço superior da folhagem e menor no estrato inferior (Figura 2).

Figura 2. Deposição de gotas nos diferentes terços da planta de soja.

Fonte: Guilherme Arismendi (Coxilha-UFSM)

Desse modo, o controle das lagartas falsa-medideira e Spodoptera spp. exige uma atenção especial com a tecnologia de aplicação, já que os inseticidas precisam atingir as camadas mais inferiores do dossel da soja. Assim, recomenda-se o uso de pontas de pulverização com espectro de gotas uniforme e boa capacidade de cobertura, bem como a associação com adjuvantes que podem otimizar a penetração do ingrediente ativo no alvo.

Além de variar ao longo do perfil da planta, a distribuição das espécies de lagartas também está atrelada aos diferentes estádios de crescimento e desenvolvimento da soja.


Para saber mais sobre o comportamento das lagartas da soja em relação à fenologia da cultura, clique aqui!


Revisão: Prof. Jonas Arnemann, PhD. e coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Referências: 

GUEDES, J. V. C.  et al. Lagartas da soja: das lições do passado ao manejo do futuro. Revista Plantio Direto, v. 144, p. 6–18, 2015.

PERINI, C. R. et al. Ocorrência e manejo de pragas em soja Bt e não Bt no sul da América do Sul. Revista Plantio Direto, v. 175, p. 21-31, 2020.

POZEBON, H. et al. Arthropod invasions versus soybean production in Brazil: a review. Journal of Economic Entomology, v. 113, n. 4, p. 1591–1608, 2020.

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