Temida pelos produtores, Bemisia tabaci popularmente conhecida como mosca branca, é praga problema em muitas culturas de interesse agrícola.  A sua gama de hospedeiros, bem como de sobrevivência mesmo em períodos secos, e sua infinidade de danos, sendo diretos pela sua atividade sugadora e indiretos por ter seu dano primário como porta de entrada para outros patógenos deixam este inseto no podium das pragas problema de maior relevância no contexto mundial.

“A mosca-branca do gênero Bemisia (Hemiptera: Aleyrodidae) compreende um complexo de espécies crípticas, com amplo espectro de hospedeiros vegetais e alto potencial de dano. No Brasil, a mosca-branca ataca culturas de importância econômica estratégicas para o país, como algodão, soja, feijão e olerícolas. Na cultura da soja, as perdas em decorrência do ataque dessa praga têm preocupado os produtores devido ao seu alto potencial de dano. Historicamente a mosca-branca ocorre em todos os estados brasileiros, e na safra passada, mesmo no Rio Grande do Sul, foram observadas altas infestações em diversas lavouras de soja, como nos municípios de Independência, Cruz Alta, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, entre outros.” Salienta o professor Jonas André Arnemann da UFSM.


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Buscando o combater este hemíptero, o Manejo integrado de pragas – MIP se configura em uma estratégia importante.  Diante da eficiência do controle químico para B. tabaci este vem sendo empregado com maior freqüência, e esta freqüência tanto de produtos como modos e mecanismos de ação podem conferir aos indivíduos de mosca-branca certa resistência. Entretanto cada vez mais cresce a necessidade de zelar pela manutenção dos ecossistemas, e com base nisso o controle a base de biológicos parece ser uma boa alternativa.

Os insetos predadores são organismos de vida livre durante todo o ciclo de vida, atacando sua presa, matando-a e a consumindo. Normalmente os predadores são maiores que suas presas e necessitam, geralmente, consumir mais de uma presa para completar o seu desenvolvimento (PARRA et al., 2002).

Como parte do grupo de grupo de parasitoides e predadores de B. tabaci podem ser elencados espécies pertencentes a ordem: Hemíptera, Neuróptera, Coleóptera e Díptera. A destacar os parasitoides: Encarsia, Eretmocerus e Amitus.

Além de predadores alguns entomopatogenos exercem controle sobre a mosca-branca , dentre os quais destacam-se Verticillium lecanii, Paecilomyces fumosoroseus, Aschersonia aleyrodis e Beauveria bassiana. Como principais vantagens elencadas pela EMBRAPA do uso dos microrganismos, podemos citar a eficiência de controle, assim como a facilidade de multiplicação, dispersão e produção em laboratório, bem como sua aplicação no campo. A ocorrência desses entomopatógenos é de grande importância para o MIP-Soja, uma vez que contribuem para o controle de pragas, reduzindo o uso de inseticidas químicos e podendo até dispensar a sua utilização em alguns casos.



Produtos biológicos registrados para controle

Tabela 1. Alguns Inseticidas biológicos a base de Beauveria bassiana registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para o controle da mosca-branca (nome comercial, agente de controle e registrante).


Fonte: Agrofit

“Perdas em lavouras do centro-oeste em decorrência de mosca branca chegam a 69%”
“Infestação de mosca-branca causa perdas de até cinco sacas de soja por hectare em Mato Grosso na safra 16/17”
Informações como estas preocupam os produtores e devem servir como motivação para novas pesquisas e desenvolvimento de novos produtos biológicos sustentáveis.

Resultados com o uso de controle biológico:

Trabalho feito na ESALQ mostra que apesar de não ter ocorrido diferença estatística entre os tratamentos contendo B. bassiana e Calypso, a média de mortalidade foi diretamente proporcional à concentração utilizada do inseticida químico, exceto, para a concentração de 150 ml/ha. Após a constatação de que é possível a redução da dosagem do produto químico sem perda da eficiência, foi realizado o experimento seguinte em condições de campo visando o controle associado da praga.


Outro trabalho na linha biológicos realizado pela UNESP objetivava avaliar a virulência de inimigos naturais em ninfas e adultos.

A mortalidade das ninfas variou de 63,3 a 100,0% após 7 dias de avaliação. Os isolados JAB07, IBCB18, LCMAP3790 e NOM1950 causaram maior mortalidade, diferindo significativamente dos demais isolados (F = 28,963; P 0,0001).

Os isolados JAB07 e IBCB18 de B. bassiana e o LCMAP3790 de L. muscarium foram os isolados que causaram as mais altas taxas de mortalidade de ninfas e ovos de B. tabaci. Dentre estes, JAB07 foi o isolado mais virulento para ovos e ninfas, podendo assim ser indicado para futuros testes a campo para o controle de B. tabaci.

Outra pesquisa da UNESP disponível nos anais do Congresso de Iniciação Científica da UNESP, no objetivo de Identificar se há ou não influência na virulência do fungo Beauveria bassiana, em diferentes concentrações, após sua pulverização e submissão à tecnologia de aplicação eletrostática, utilizando-o como agente de controle biológico de B. tabaci. Mostra que: o uso da tecnologia de aplicação eletrostática em conjunto com o produto Boveril® só é viável em doses elevadas do entomopatógeno. Na dose recomenda pelo fabricante atualmente, a ausência de carga apresentou melhores resultados de controle de ninfas da mosca-branca. No entanto, novos trabalhos devem ser conduzidos com a variação do nível de carga e dose do entomopatógeno para consolidação desses resultados.


De uma forma geral, o controle de B. tabaci com produtos biológicos vêm aumentando nos últimos anos, mas ainda existem poucos testes a nível de campo com os produtos registrados. Com este conhecimento, produtos biológicos poderão auxiliar na manutenção da eficácia dos produtos químicos registrados ou mesmo incrementar nossos atuais níveis de controle e produtividades.

Fique ligado. Novos materiais com esse tema virão por ai…

Elaboração: Daniela Moro¹ – Equipe Mais Soja

¹ Integrante do Molecular Insect Lab – Desenvolve pesquisas com Bemisia tabaci sob a orientação do Prof. PhD Jonas André Arnemann.

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