O controle biológico vem crescendo de forma exponencial nos últimos anos, em alguns países a principal razão para isso é a demanda por alimentos livres de produtos químicos. A preocupação com o meio ambiente também é uma questão muito pertinente, isso porque tem se observado ao longo dos anos que o agro ecossistema lavoura foi acometido por serias mudanças. Por estes e outros motivos, é que universidades, empresas de pesquisa públicas e privadas investem seu tempo e estrutura (tecnológica e humana) para aperfeiçoar as técnicas em torno do controle biológico.

A muito tempo atrás o controle biológico induzido vinha sendo trabalho em todo mundo, principalmente para controle de pragas que assolavam os plantios da época. Com o surgimento de moléculas como DDT e os organofosforados em 1930, foram deixados de lado o emprego dos agentes biológico. Só que o uso desenfreado do mesmo mecanismo de ação, o desrespeito a dose, carência do produto, entrada de produtos fronteiriços ilegais, entre outras medidas foram responsáveis por trazer a tona novamente a importância de controlar com agentes que já fazem isso naturalmente.

“A Europa é o maior mercado comercial de agentes de controle biológico de invertebrados, enquanto a América do Norte tem as maiores vendas de micróbios. Um forte crescimento no uso de agentes biológicos de controle, particularmente de agentes microbianos, está ocorrendo na América Latina, seguido pela Ásia “(van Lenteren et al., 2017).



No que diz respeito a introdução do controle biológico em solo brasileiro, logo nos deparamos com o modelo de agricultura vigente. Poucas espécies em cultivo, grande parte grãos e cereais, e mudar todo o fluxograma de manejo é quase que impossível. No entanto, embora não se possa desconstruir e remontar, é possível melhorá-lo, e isso a partir de técnicas que realmente possam ser estudadas e aplicadas em grandes extensões de lavoura. Outra ferramenta que muito contribuiria para o avanço do controle biológico seria de forma com que a informação (palpável) chegasse tanto ao técnico quanto produtor.

Estudos da ABC Bio na safra 2017-18 mostram que atual área tratada com biodefensivos no Brasil é de 10 milhões de hectares, sendo soja, cana, café, hortaliças e frutas as principais culturas que usam o insumo, e o segmento responde pela movimentação anual de R$ 528 milhões. Alinhado ao crescente uso, no Brasil, cresce o número de produtos registrados, de acordo com a ultima atualização emitida pelo MAPA, que você pode conferir abaixo:

Na América, no ano de 2014, com objetivo de mostrar a real situação do controle biológico na América Latina e Caribe, autores lançaram um livro “Control biológico de enfermedades de plantas en América Latina y el Caribe”, que trouxe à tona também riscos e potencialidades desta ferramenta nas localidades contempladas pelo regionalismo usado.

Em países do Hemisfério Norte o controle biológico já é antigo. Como é o caso do uso de parasitoides em mosca-branca em tomateiro, ornamentais entre outras plantas cultivadas em estufas. O destaque deste Hemisfério para uso, fica com a Europa, em paços largos a Holanda, que usa de 90 a 95% os biológicos.

Serviços de estudos do Parlamento Europeu, Eurostat, Eurobarômetro, FIBL

Quando se pensa em controlar de forma biológica a principal dúvida que paira é sobre a real eficiência, como caso de sucesso em cultivos brasileiros podemos citar o uso de controle biológico para Diatrea saccharalis, praga em cultivos de cana-de-açúcar, você pode conferir mais informações acessando aqui.

Em solo vizinho, na Argentina no ano de 2017 foi promovido o “Programa de Prevenção de Tucuras”. Os argentinos enfrentam problema a muitos anos com gafanhoto Dichroplus maculipennis, e o controle biológico com o uso do fungo Paranocema Locustae já é realidade em países como Estados Unidos e China, para isso eles acreditam que a melhor forma de atestar a eficiência é transformando as ideias em projetos pilotos aplicados.

Nos Estados Unidos, segundo dados da ABCBio, em 2016 o país já detinha 50,4% da fatia mundial do mercado dos biológicos e cerca 41% das patentes dos produtos. Ou seja, uma potência frente a venda destes produtos.

Embora os EUA, detenha certo domínio de produtos e tenha um consumo crescente destes, é o mercado consumidor europeu que devido ao seu grau de exigência tem forçado a uma produção livre de agroquímicos. Segundo o Parlamento Europeu “O mercado de produtos biológicos europeu está em expansão, representando cerca de 30,7 mil milhões de euros por ano.”

Serviços de estudos do Parlamento Europeu, Eurostat, Eurobarômetro, FIBL

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Já salientado, muitas vezes é difícil trocar o imediato do controle fitossanitário químico pelo biológico, e de fato quando os cifrões entram na conversa riscos e potencialidades devem ser cautelosamente avaliados.

As avaliações de periculosidade ambiental devem ser criteriosas, e as especificidades devem ser levadas em consideração para cada agente de controle, seja ele para controle de pragas, doenças ou plantas daninhas.

Sobre potencialidades, quando utilizadas de forma correta podem significar redução de dano ambiental quando em comparação aos químicos. Além de trabalhar com a questão “a longo prazo” e não só imediatista, o controle pode atingir níveis de eficiência igual ou maior do que o químico, e isso causando menor dano. Menor custo, quando se pensa em possível manutenção do mesmo no sistema e reposições menos frequentes (custo mais acessível).

Com ainda muito que esclarecer, estudar e testar é que segue a saga biológicos, em alguns lugares já realidade consolidada, e em outros promissora. Mas em todos pertinente e necessária.


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Fonte: Elaboração Equipe Mais Soja


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