Controle de Conyza summatrensis em diferentes estádios de desenvolvimento pelo herbicida Diclosulam+Halauxifen-methyl

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O objetivo deste trabalho foi avaliar o controle de Conyza summatrensis em diferentes estádios de desenvolvimento desta planta daninha

Autores: ZOBIOLE, L.H.S.1; MARTINI, L.F.1; PEREIRA, V.G.C.2, RUBIN, R.S.1; NEVES, R.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle, caracterizada por sua alta habilidade reprodutiva, ampla adaptação ambiental e diversidade genética, o que favorece a seleção de biótipos resistentes a herbicidas (CONSTANTIN et al., 2013). Atualmente, milhões de hectares agrícolas estão infestados por biótipos de buva resitente a glyphosate, principalmente nas culturas anuais do Estado do Rio Grande do Sul com a Conyza bonariensis (VARGAS et al., 2007), em culturas perenes como citrus no Estado de São Paulo a Conyza bonariensis e C. canadensis (MOREIRA et al., 2007) e no Estado do Paraná a Conyza bonariensis resistente a glyphosate e a Conyza summatrensis apresentando resistência múltipla a ao glyphosate e a chlorimuron (SANTOS et al., 2014). Esta espécie apresenta elevado potencial competitivo, podendo reduzir a produtividade de culturas de interesse econômico até mesmo em baixas densidades populacionais (PATEL et al., 2010).

Dentre as várias estratégias de manejo para evitar a resistência de plantas daninhas à herbicidas citadas na literatura estão: a utilização de herbicidas com mais de um mecanismos de ação, realização de aplicações sequenciais e uso de misturas de herbicidas com diferentes mecanismos de ação (VIDAL; MEROTTO JR., 2001). Nesse sentido, o manejo químico de plantas daninhas na pré-semeadura da soja é primordial para o sucesso na condução da cultura, visando a eficácia no controle de plantas infestantes, em especial a buva. Entretanto, devido a seleção de biótipos de Conyza spp. resistentes ao glyphosate, esta operação de dessecação torna-se mais difícil e onerosa, buscando-se herbicidas que garantam um nível de controle satisfatório.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o controle de Conyza summatrensis em diferentes estádios de desenvolvimento desta planta daninha, utilizando manejos químicos usualmente conhecidos e o herbicida diclosulam+halauxifen–methyl®.

Material e Métodos

Dois ensaios ensaios foram conduzidos em condições de campo durante o período de Setembro a Novembro de 2016. O primeiro ensaio foi instalado na cidade de Maracaju, MS (21º42’23,24” S e 55º09’50,77” O) e o segundo ensaio na cidade de Maripá-PR (24º32’44,27” S e 53º43’27,51” S). Em ambos experimentos, foi utilizado o delineamento em blocos casualizados (DBC) com quatro repetições e sete tratamentos distribuídos em parcelas de 3 m de largura por 6 metros de comprimento.

Os tratamentos foram compostos por:

T1 – testemunha sem aplicação;

T2 – glyphosate (1440 g.e.a ha-1) + diclosulam+halauxifen-methyl (5,06+25,52 g i.a ha-1)®;

T3 – glyphosate (1440 g.e.a ha-1) + diclosulam+halauxifen-methyl (5,06+25,52 g i.a ha-1)® seguido de aplicação sequencial após 10 dias utilizando paraquat (400 g.e.a ha-1);

T4 – glyphosate (1440 g.e.a ha-1) + 2,4-D (800 g.e.a ha-1) + Diclosulam (29,4 g.i.a ha-1);

T5 – glyphosate (1440 g.e.a ha-1) + 2,4-D (800 g.e.a ha-1) + Diclosulam (29,4 g.i.a ha-1) e aplicação sequencial após 10 dias com paraquat (400 g.e.a ha-1);

T6 – glyphosate (1440 g.e.a ha-1) + Saflufenacil (48 g.i.a ha-1);

T7 – glyphosate (1440 g.e.a ha-1).

Todos os tratamentos contendo halauxifen-methyl, foram aplicados utilizando o adjuvante éster metilado de soja a dose de 1,0 L/ha-1.

No momento da aplicação dos tratamentos, em ambas as localidades as áreas possuíam buva (Conyza summatrensis) entre 10 e 20 cm de altura e entre 20 a 30 cm de altura. Para as aplicações, utilizou-se um pulverizador costal de pressão constante (40 PSI) propelido a CO2, equipado com 4 pontas do tipo TEEJET AIXR 110.015 espaçadas a 0,5m entre si e posicionadas a uma altura de 0,5 m do alvo trabalhando a uma velocidade constante de 1 m/s, proporcionando volume de calda de 100 L ha-1. As condições meteorológicas no momento das aplicações encontravam-se ideais. A partir do levantamento prévio de infestação de buva nas parcelas, verificou-se a densidade de 5 e 32 plantas/m2 para Maracaju-MS e Palotina-PR, respectivamente.

As avaliações de controle foram realizadas aos 14 e 35 dias após a aplicação (daa), seguindo a metodologia proposta pela Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (1995) onde 0% é ausência de controle e 100% é a morte total da planta. Os dados foram submetidos a Anova e quando os valores de F foram significativos (p ≤0,05) aplicou-se o teste de média Tukey para comparar o efeito dos tratamentos.

Resultados e Discussão

Os resultados mostraram que os tratamentos contendo glyphosate+ diclosulam+halauxifen- -methyl (T2) e glyphosate+2,4-D+diclosulam (T4), para controle de buva menores que 20 cm, aos 14 aos dias após aplicação (daa), não apresentaram controle satisfatório considerado acima de 80% (Tabela 1). Esse resultado é esperado para os herbicidas auxinicos uma vez que os mesmos possuem translocação lenta dentro da planta, necessitando um periodo maior para apresentar seus efeitos deletérios.

Tabela 1. Controle de Conyza summatrensis em diferentes estádios de desenvolvimento aos 14 e 35 daa. 2016.

Entretanto, os tratamentos contendo as aplicações sequenciais do herbicida de contato (T3 e T5) apresentaram controle (88%) já aos 14 daa para o ensaio de Maripá-PR, com exceção ao ensaio de Maracajú-MS, que somente o T2 apresentou controle estatisticamente superior a T4.

Já a avaliação de controle realizada aos 35 daa, para buvas menores que 20 cm, demonstrou que o tratamento T2 foi superior ao tratamento T4, apresentando 91% e 80% de controle, sem o uso da aplicação sequencial de contato para Maracajú-MS e Maripá-PR, respectivamente. Quando comparado os tratamentos com aplicação sequencial (T3 e T5), ambos apresentaram o controle esperado da buva. Para todas as épocas de avaliação, todos os tratamentos, com exceção de glyphosate+saflufenacil, foram superiores estatisticamente da testemunha e do tratamento com Glyphosate isolado.

Bressanin et al. (2014), relataram que o estádio da buva no momento da aplicação é essencial para um bom controle. Estes resultados estão de acordo com o observado neste trabalho, cujos valores de controle aos 14 daa (Tabela 1), mostraram que para buvas em estádios mais avançados (maiores que 20 cm), nenhum tratamento apresentou controle satisfatório. Entretanto, aos 35 daa para a localidade de Maracajú-MS, os tratamentos contendo glyphosate+ diclosulam+halauxifen–methyl, sem ou com aplicação sequencial de contato (T2 e T3), foram os que apresentaram controle de buva. Já para o ensaio de Maripá, somente o tratamento glyphosate+diclosulam+halauxifen-methyl com aplicação de contato (T3), foi o que proporcionou 80% de controle para buva em estádio avançado.

Glyphosate+2,4-D+diclosulam, com ou sem aplicação sequencial, não apresentaram controle satisfatório de plantas maiores que 20 cm aos 35 daa, assim como as aplicações de glyphosate+saflufenacil.

Conclusão

O herbicida glyphosate+ diclosulam+halauxifen-methyl sem a aplicação sequencial de paraquat, mostrou-se eficaz para buvas menores que 20 cm.

Para plantas maiores que 20 cm, apenas glyphosate+diclosulam+halauxifen-methyl seguido de aplicação sequencial de paraquat foi o tratamento que garantiu níveis satisfatórios de controle acima de 80%.

Referências

BRESSANIN, F.N.; NETO, N.J.; MARTINS, J.F. ; MARTINS, J.V.F ; ALVES, P.L.C.A. Controle de biótipos resistentes de Conyza bonariensis com glyphosate+ clorimuron-etílico em função do estádio de desenvolvimento. Revista Brasileira de Herbicidas, v. 13, p. 68-72, 2014.

CONSTANTIN, J.; OLIVEIRA JR., R.S.; OLIVEIRA NETO, A.M. Buva: fundamentos e recomendações para manejo. Curitiba: Omnipax, 2013. 104p.

MOREIRA, M.S.; NICOLAI, M.; CARVALHO, S.J.P.; CHRISTOFFOLETI, P.J. Resistência de Conyza canadensis e C. bonariensis ao herbicida glyphosate. Planta Daninha, v. 25, n. 1, p.157-164, 2007.

NEWTON, M.; ROBERTS, F.; ALLEN, A.; KELPAS, B.; WHITE, D.; BOYD, P. Deposition and dissipation of three herbicides in foliage, litter, and soil of brushfields of southwest Oregon. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 38, p. 574-583, 1990.

PATEL, F.; TREZZI, M.M.; MIOTO J., E.; DEBASTIANI, F. Nível de dano econômico de buva (Conyza bonariensis) na cultura da soja. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS, 27., 2010, Ribeirão Preto. Responsabilidade social e ambiental no manejo de plantas daninhas. Ribeirão Preto: SBCPD, 2010. p.1670-1673. 1 CD-ROM.

SANTOS, G.; OLIVEIRA JR., R.S.; CONSTANTIN, J.; FRANCISQUINI, A.C.; OSIPE, J.B. Multiple resistance of Conyza sumatrensis to chlorimuronethyl and to glyphosate. Planta Daninha, v. 32, n. 2, p. 409-416, 2014.

SOCIEDADE BRASILEIRA DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS. Procedimentos para instalação, avaliação e análise de experimentos com herbicidas. Londrina: SBCPD, 42p.

VARGAS, L.; BIANCHI, M.A.; RIZZARDI, M.A.; AGOSTINETTO, D.; DAL MAGRO, T. Buva (Conyza bonariensis) resistente ao glyphosate na Região Sul do Brasil. Planta Daninha, v. 25, n. 3, p. 573-578, 2007.

Informações dos autores:

1Dow AgroSciences Industrial Ltda, Avenida das Nações Unidas, 14171, 04794-000, São Paulo-SP;

2Universidade Federal do Paraná, UFPR – Setor Palotina. Palotina, PR.

Disponível em: Anais da XXXVI Reunião de Pesquisa de Soja. LONDRINA – SC, Brasil.

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