No Rio Grande do Sul, tradicionalmente ocorrem dois momentos em que o cultivo de milho é realizado, o primeiro mais cedo, por volta dos meses de agosto e setembro, e o segundo mais tarde, entre os meses de dezembro e janeiro. Geralmente, os plantios mais tardios sofrem uma pressão maior de doenças. A importância de cada doença é variável entre anos e híbridos.

Dentre as medidas para manejo de doenças em milho, está o plantio em época adequada, de modo a se evitar que os períodos críticos para a produção coincidam com condições ambientais mais favoráveis ao desenvolvimento de doenças, o uso de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas, a rotação de culturas, o manejo adequado da lavoura, o uso de híbridos mais resistentes e a utilização de fungicidas.



Objetivo

O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do número e do estádio de aplicações de fungicidas sobre o controle de doenças e a produtividade de grãos em dois híbridos de milho (Zea mays), semeados no mês de dezembro.

Metodologia 

O trabalho foi conduzido na safra 2018/2019, na área experimental da CCGL em Cruz Alta, RS. Foram avaliados 2 híbridos de milho: P1630H e MG580. A semeadura foi realizada em 03/12/2018 e a colheita em 06/03/2019. Foram realizadas aplicações de fungicida em diferentes estádios do desenvolvimento da cultura, totalizando números distintos de aplicações entre os tratamentos.

O fungicida utilizado foi Piraclostrobina (260 g/l) + Epoxiconazol (160 g/l) na dose de 0,33L/ha com reforço de Mancozebe (750g/kg) na dose de 1,5kg/ha . O volume de calda utilizado foi de 150L/ha.

Foram realizadas avaliações de produtividade (sacos/ha) e eficiência no controle de mancha branca (Pantoea ananatis, Phaeosphaeria maydis) e helmintosporiose (Exserohilum turcicum), doenças ocorrentes nos 2 híbridos avaliados.

A eficiência de controle foi baseada na área abaixo da curva de progresso da doença (ASCPD) de cada tratamento, comparando-se com a testemunha.

As médias de pro dutividade e de controle de doenças foram comparadas entre si pelo teste de Skott-Knott a 5% de probabilidade de erro.

Os tratamentos realizados são apresentados na Tabela 1.

 

Resultados 

Nas condições do estudo, com semeadura realizada no mês de dezembro, para ambos os híbridos avaliados, uma única aplicação de fungicida, independente do estádio, não resultou em ganhos significativos de produtividade, embora tenha ocorrido redução na intensidade de doenças (Figura 1).

O híbrido P1630H apresentou maior incidência de mancha branca e de helmintosporiose do que o híbrido MG580. Esta diferença reflete-se claramente nas produtividades apresentadas pelos híbridos nos tratamentos sem fungicida (Figura 1Ae 1B).

O híbrido P1630H, mais suscetível, apresentou produtividade de 73 sacos/ha na testemunha sem fungicida (Figura 1A). À medida que se realizaram 2 ou mais aplicações
de fungicida, o incremento em produtividade foi significativo. Embora 2 aplicações tenham agregado em média 50 sacos/ha em relação à testemunha, 3 aplicações 81 sacos/ha e 4 aplicações 84 sacos/ha, não houve diferença estatística na produtividade entre 2 e 4 aplicações de fungicida (CV=19%).

Em relação ao controle de doenças, para mancha branca a tendência foi de melhores controles sendo observados nas aplicações iniciadas mais cedo, em V5 ou V8, independente do número de aplicações (Figura 1A – colunas amarelas). Os melhores controles de helmintosporiose foram observados nos tratamentos com mais de uma aplicação de fungicida e iniciados no estádio V5 (Figura 1A – colunas verdes).

O híbrido MG580 apresentou produtividade de 118 sacos/ha na testemunha sem fungicida (Figura 1B), o equivalente à produtividade média obtida em P1630H com 2 aplicações. Da mesma forma que o observado no híbrido P1630H, só foram observadas diferenças significativas em produtividade quando se realizaram 2 ou mais aplicações de fungicida.

Em média, 2 aplicações agregaram 27 sacos/ha em relação à testemunha, 3 aplicações agregaram em média 31 sacos/ha e 4 aplicações 43 sacos/ha. Porém, não houve diferença estatística na produtividade entre 2 e 4 aplicações (CV=10%).

O controle de mancha branca, em média, foi superior nos tratamentos iniciados mais cedo (Figura 1B – colunas amarelas). O controle de helmintosporiose seguiu a mesma tendência, com destaque para os tratamentos com 3 e 4 aplicações de fungicida (Figura 1B – colunas verdes).

Conclusões 

Embora as condições climáticas variem entre os anos, favorecendo a ocorrência de uma ou outra doença, é no cultivo de milho safrinha que a pressão de doenças é mais intensa. Em consequência, são observadas as maiores respostas em relação à aplicação de fungicidas. Assim, especialmente em condições de maior probabilidade de ocorrência de doenças, a utilização de híbridos com bons níveis de resistência se faz importante.

Como o potencial produtivo, através do número de fileiras por espiga e do número de espigas por planta, é definido cedo, entre os estádios V4 e V8, as aplicações realizadas mais cedo conferiram melhor controle de doenças em ambos os híbridos. Ainda, duas aplicações de fungicida foram suficientes para garantir incrementos significativos de produtividade.

Autor: Caroline Wesp Guterres – Doutora em fitotecnia com ênfase em fitopatologia – Pesquisadora da CCGL

Fonte: CCGL Tec

Texto originalmente publicado em:
CCGL - Pesquisa e Tecnologia
Autor: CCGL - Pesquisa e Tecnologia

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