Este texto é parte do livro: Controle de Plantas Daninhas – Métodos físico, mecânico, cultural, biológico e alelopatia com a edição de Maurílio Fernandes de Oliveira e Alexandre Magno Brighenti. Você pode fazer o download deste livro, gratuitamente no página da Embrapa.

O controle cultural consiste no uso de boas práticas agrícolas visando favorecer o crescimento da cultura em detrimento das plantas daninhas. Esse método de controle engloba a adoção de práticas comuns, como rotação de culturas, variação de espaçamento e população de plantas e cobertura verde, dentre outras, direcionadas à supressão das plantas daninhas (Silva et al., 2007b). Estas práticas auxiliam ainda na redução do banco de sementes do solo, diminuindo os níveis de infestação da lavoura nos anos subsequentes.
Uma das práticas mais positivas ao sistema produtivo é a rotação de culturas. Diversos estudos mostram redução na produtividade da soja e de outros cultivos agrícolas quando estes são plantados na mesma área, sem rotação (Crookston et al., 1991; Meese et al., 1991; West et al., 1996). A variação no espaçamento ou na densidade das plantas cultivadas pode contribuir para o maior sombreamento das plantas daninhas, reduzindo seu
estabelecimento, além de promover maximização da captação de radiação solar pela cultura (Herbert & Litchfield, 1984; Anaele & Bishnoi, 1992; Knezevic et al., 2003).

Áreas bem manejadas possuem desenvolvimento equilibrado e fatores prejudiciais dificilmente ocorrerão em altos níveis. Em termos gerais, as seguintes práticas devem ser preconizadas em todos os ambientes de produção agropecuária para a supressão das plantas daninhas:

Rotação de culturas – Proporciona a diversificação do ambiente, reduzindo a seleção das espécies e diminuindo a ocorrência daquelas mais problemáticas, ou de mais difícil controle;

Integração Lavoura-Pecuária – Quando viável, é um dos sistemas mais eficientes na supressão de plantas daninhas, por causa da grande variação no manejo  diferentes sistemas utilizados na área. O produtor que utilizar este sistema, e manejá-lo corretamente, raramente terá problemas com alta infestação de plantas daninhas;

Consórcios de cultivos – O principal sistema de consórcio no CentroOeste do Brasil é milho + braquiária na safrinha. Após a colheita do milho, a braquiária cresce e protege o solo, reduzindo o acesso das plantas daninhas à luz, até o cultivo subsequente. Outras opções de consórcio, no entanto, estão sendo estudadas;

Época de plantio e arranjo espacial de plantas – A cultura deve ser plantada na época recomendada pelo zoneamento agrícola da região pois será quando ela germinará mais rapidamente, fechando o dossel e suprimindo o crescimento das plantas daninhas. O arranjo das plantas – resultante do espaçamento entrelinhas e densidade de plantas – fará com que o dossel da cultura feche rapidamente.

Cobertura do solo na entressafra – Altamente eficiente em suprimir diversas espécies daninhas, incluindo a buva e o capim-amargoso. O solo nunca deve ficar sem cobertura.
Em áreas que não seguem pelo menos alguns dos preceitos apresentados, nem mesmo o melhor herbicida disponível será capaz de controlar as plantas daninhas de forma satisfatória (Figura 1). O reflexo da não utilização das práticas previamente descritas é visto no aumento dos custos de produção e nos problemas com plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Um dos principais objetivos em se adotar uma cultura de cobertura é substituir as plantas daninhas, de mais difícil controle, por plantas de mais fácil manejo por ocasião da implantação do cultivo subsequente (Ceccon; Concenço, 2014). Tanto a composição como o nível da infestação são influenciados pelo nível de cobertura da área, sendo que plantas daninhas de mais difícil controle estão associadas à cobertura deficiente do solo (Concenço
et al., 2014a).

Para obter sucesso no manejo das plantas daninhas de difícil controle, nem práticas de manejo nem uso de herbicidas, isoladamente, alcançará sucesso. Deve-se manejar a área corretamente, aplicando os defensivos no momento correto. A cobertura do solo na entressafra varia com a região, em função das espécies mais adaptadas às condições edafoclimáticas locais. Na região Centro-Oeste, os produtores têm sucesso no estabelecimento do milho safrinha pós-soja consorciado com braquiára; cultivo de trigo; com a utilização de plantas oleaginosas de inverno, como crambe, nabo ou canola; ou mesmo com plantio de crotalária – a opção mais adequada depende das características edafoclimáticas de cada região, do objetivo e dos problemas enfrentados pelo produtor.

O consórcio milho safrinha-braquiária

Na Figura 2 é demonstrado o nível de infestação por plantas daninhas no pré-plantio de uma lavoura de soja, em outubro, em áreas com diferentes culturas ou espécies cultivadas no período de safrinha anterior.


O nível de infestação de plantas daninhas em sistemas de monocultivo aumenta com o tempo de mal manejo da área. A semeadura de braquiária após a soja, tanto solteira como em consórcio com milho, é capaz de manter baixos níveis de infestação. Em sistemas com menor ocupação do solo, como milho solteiro no espaçamento de 90 cm entrelinhas ou feijão-caupi, aumenta a importância de espécies mais adaptadas ao sistema de cultivo, como buva, capim-amargoso, trapoeraba, corda-de-viola, erva-de-touro e outras.

A área deve estar sempre ocupada por espécie cultivada com fins econômicos ou não, que proporcione elevada quantidade de palha residual, com distribuição uniforme na superfície do solo. O sistema de consórcio milho + braquiária, adotado em algumas regiões do Brasil, resulta em menor nível de infestação por plantas daninhas em áreas de sucessão à soja, ao longo do tempo de utilização. Embora seja uma grande mudança de conceitos passarmos a plantar no meio do milho o que estávamos acostumados a matar (controlar), isto se faz necessário para garantia do sucesso dos nossos sistemas de cultivo.

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Fonte: Embrapa. Controle de Plantas Daninhas – Métodos físico, mecânico, cultural, biológico e alelopatia com a edição de Maurílio Fernandes de Oliveira e Alexandre Magno Brighenti.

Texto originalmente publicado em:
Embrapa
Autor: Embrapa

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