O objetivo do presente trabalho consistiu na seleção simultânea de genótipos de soja capazes de suportar o ataque de percevejos e que apresentem alto rendimento de grãos, por meio da correlação de caracteres agronômicos superiores e diferentes índices de resistência da cultura ao complexo de percevejos.

Autores:  Diuli Caroline Pilon1; Antonio Pizolato Neto2; Guilherme Henrique Bevilacqua3; Débora Sousa Amaral4; Ananda Natália Guimarães Galanti5; Karoline Batista de Andrade6; Sandra Helena Unêda-Trevisoli7

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

Dos insetos-praga que ocorrem durante o ciclo da soja (Glycine max (L.) Merrill), o complexo de percevejos fitófagos, com destaque para a família Pentatomidae, são os principais responsáveis por perdas na produção da cultura, pois se alimentam diretamente dos grãos, causando danos irreversíveis à cultura (Panizzi & Slansky Jr., 1985; Ávila & Grigolli, 2014).

Programas de melhoramento genético de soja visam selecionar principalmente genótipos com alta produtividade de grãos. Entretanto, para garantir que estes sejam os mais competitivos no momento da seleção é desejável identificar os genótipos com maior capacidade de suportar o ataque destes percevejos (Sediyama et al., 2005).

A partir da análise de correlação, é possível obter o grau de associação entre variáveis, sendo levado em consideração os aspectos de direção, magnitude e a significância. Nestas análises, à medida que duas variáveis aumentam na mesma direção, existe uma correlação positiva entre as variáveis analisadas, em contrapartida as correlações negativas indicam a tendência de uma variável aumentar quando a outra diminui (Nogueira et al., 2012).

Mediante o exposto, o objetivo do presente trabalho consistiu na seleção simultânea de genótipos de soja capazes de suportar o ataque de percevejos e que apresentem alto rendimento de grãos, por meio da correlação de caracteres agronômicos superiores e diferentes índices de resistência da cultura ao complexo de percevejos.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido na área experimental da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP, em Jaboticabal/ SP, no ano agrícola 2017/2018, em delineamento experimental de blocos casualizados em esquema fatorial com três repetições, totalizando 120 parcelas (20 x 2 x 3), constituídas por quatro linhas de cinco metros de comprimento, espaçadas em 0,5 m entre si. . À resistência dos 20 genótipos comercias de soja ao complexo de percevejos foi avaliada sob dois sistemas de manejo: com controle químico de insetos (manejo I), e sem nenhum controle (manejo II). No manejo I, foram realizadas cinco pulverizações sistemáticas e preventivas.

Após a colheita, foi realizada a pesagem dos grãos colhidos na parcela útil, convertida em kg ha-1 e corrigida a 13% de umidade, obtendo-se a produtividade (PROD). O peso de sementes boas (PSB) foi obtido a partir da pesagem das sementes boas da parcela útil após o descarte de grãos chochos, verdes e mal formados, por meio de gravidade, com a utilização de um espiral. Por meio de índices foi avaliada a resistência dos genótipos ao complexo de percevejos, dessa forma a PROD do manejo I (ausência do estresse) e o PSB do manejo II (sob estresse), foram representados respectivamente, pelo rendimento potencial do genótipo (𝑌𝑃) e o rendimento dos genótipos (𝑌𝑆).

Seguindo metodologia de Fernandez (1992), foram estimados os índices de suscetibilidade ao estresse – 𝑆𝑆𝐼𝑖 = 1− 1−(𝑌𝑆𝑖⁄𝑌𝑃𝑖 ) /( Ῡ𝑆⁄Ῡ𝑃  ), tolerância – 𝑇𝑂𝐿𝑖 = 𝑌𝑃𝑖 − 𝑌𝑆𝑖, produtividade média -𝑀𝑃𝑖 =𝑌𝑆𝑖+𝑌𝑃𝑖 2, tolerância ao estresse – 𝑆𝑇𝑖 = 𝑌𝑠𝑖 𝑥 𝑌𝑃𝑖 Ῡ𝑃 2 e média geométrica – 𝐺𝑀𝑃𝑖 = √𝑌𝑃𝑖 𝑥 𝑌𝑆𝑖 2 . Análises de variância individuais, teste F e correlação de Pearson foram realizadas para os caracteres 𝑌𝑆, 𝑌𝑃 e para os índices estimados a partir destes. Para as variáveis com significância pelo Teste F, foi aplicado o teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir da análise de variância (Tabela 1) e do agrupamento de médias (Tabela 2), as diferenças significativas apresentadas entre os genótipos de soja para os caracteres 𝑌𝑃, 𝑌𝑆 e índices estimados a partir destes, confirmam a variabilidade genotípica, bem como o comportamento diferencial para a resistência ao percevejo existente entre os mesmos. Foram obtidos coeficientes de variação (CV) entre 4,72 e 19,98%, indicando boa precisão experimental para os caracteres avaliados.

Tabela 1. Resumo da análise de variância para os caracteres 𝑌 𝑆, 𝑌𝑃 e índices de resistência da soja ao complexo de percevejos para 20 genótipos, sob o sistema de manejo I e manejo II.

Os genótipos M-6972 e BMX Valente RR apresentaram os maiores rendimentos na presença (manejo II), e ausência do estresse biótico (manejo I), respectivamente. Entretanto, o BMX Valente RR se mostrou sensível ao manejo II, comprovando que a seleção de genótipos mais produtivos não garante a identificação dos que possuem maior resistência (Tabela 2).

Tabela 2. Rendimento médio de 20 genótipos de soja no manejo I, manejo II e diferentes índices de resistência da soja ao complexo de percevejos.

Através do caráter TOL, de acordo com o teste de Scott-Knott, cinco grupos foram formados, demonstrando a capacidade superior de resistir ao ataque de percevejos dos genótipos BMX Magna, BMX Vanguarda IPRO, IAC 100, M-6410, M-6972 e TMG 7161 RR (Tabela 2). Por sua vez, para o caráter SSI, além destes genótipos, pode-se incluir o TMG 7262 RR, sendo classificados em relação aos demais avaliados, como resistentes ao complexo de percevejos. Para os índices MP, STI e GMP, três genótipos apresentaram o melhor desempenho, sendo BMX Classe RR, BMX Valente RR e M-6972.


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Na Tabela 3, podem ser observados os valores de correlação obtidos, sendo alguns de magnitude elevada (acima de 0,6) e significativos, podendo ser positivas e negativas. As correlações positivas foram estabelecidas entre 𝑌𝑆 x MP, 𝑌𝑆 x STI e 𝑌𝑆 x GMP, uma vez que ocorre uma associação entre os valores elevados destes índices e a resistência do genótipo ao complexo de percevejos, demonstrando que 𝑌𝑆 é um parâmetro eficiente para essa seleção, bem como para a alta produtividade na presença ou ausência do estresse. Em contrapartida, as negativas foram entre 𝑌𝑆 com SSI e TOL, pois estes índices indicam respectivamente, genótipos com maior capacidade e maior suscetibilidade ao ataque dos percevejos.

Tabela 3. Coeficiente de correlação de Pearson (r) entre o rendimento dos genótipos no manejo II e os índices de resistência ao estresse.

CONCLUSÃO

Existe uma correlação elevada e positiva entre o caráter 𝑌𝑆 e os índices MP, STI e GMP, podendo os mesmos serem utilizados como critério de seleção indireta dentro do processo seletivo de genótipos superiores.

Entre todos os genótipos avaliados, o M-6972 foi alocado entre os melhores para o índice 𝑌𝑃, e apresentou os melhores resultados para 𝑌𝑆, SSI, TOL, MP, STI e GMP, demostrando ser capaz de suportar o ataque de percevejos com alto rendimento.

REFERÊNCIAS

ÁVILA CJ, GRIGOLLI JFJ. Pragas da Soja e Seu Controle. In: LOURENÇÃO ALF, GRIGOLLI JFJ, MELOTTO AM, PITOL C, GITTI DC DE, ROSCOE R. Tecnologia e Produção: Soja 2013/2014. Curitiba: Midiograf, p. 109-169, 2014.

FERNANDEZ, G.C.J. Effective selection criteria for assessing stress tolerance. In: KUO C.G. (Ed.). Proceedings of the International Symposium on Adaptation of Vegetables and Other Food Crops in Temperature and Water Stress. Tainan: AVRDC Publication, p. 257-270,1992.

NOGUEIRA, A. P. O., SEDIYAMA, T., SOUSA, L. B., HAMAWAKI, O. T., CRUZ, C. D., PEREIRA, D. G., MATSUO, E. Análise de trilha e correlações entre caracteres em soja cultivada em duas épocas de semeadura. Bioscience Journal, v. 28, p. 877-888, 2012.

PANIZZI, A.R, SLANSKY JR, F. (1985) Review of phytophagous pentatomids (Hemiptera: Pentatomidae) associated with soybean in the Americas. Florida Entomologist, 68(1):184-214. SEDIYAMA, T.; TEIXEIRA, R. C.; REIS, M. S. Melhoramento da soja. In: BORÉM, A. Melhoramento de espécies cultivadas. 2 ed. Viçosa: UFV, p. 553-603, 2005.

Informações dos autores:  

1Graduanda em Engenharia Agronômica, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Jaboticabal/SP.

2Doutorando em Genética e Melhoramento de Plantas, UNESP, Jaboticabal /SP.

3Mestrando em Genética e Melhoramento de Plantas, UNESP, Jaboticabal /SP.

4Graduanda em Engenharia Agronômica, UNESP, Jaboticabal /SP.

5Graduanda em Biologia, UNESP, Jaboticabal /SP.

6Graduanda em Engenharia Agronômica, Universidade de Araraquara (UNIARA), Araraquara / SP.

7Professora Doutora do Departamento de Produção Vegetal, UNESP, Jaboticabal /SP.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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