Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

As cotações da soja, em Chicago, acabaram trabalhando com viés de alta nesta semana, na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado nesta quinta-feira (10). Além disso, o clima nas regiões produtoras dos EUA continuou sendo um elemento importante nas oscilações das cotações. Após o anúncio do relatório, a cotação para o primeiro mês recuou quase 20 pontos, atingindo a US$ 15,44/bushel no fechamento deste dia 10/06, contra US$ 15,49 uma semana antes. A notar que, enquanto o farelo recuava de preço na média semanal, o óleo bateu recorde histórico no dia 08/06, atingindo a 72,08 centavos de dólar por libra-peso naquela Bolsa.

O relatório não trouxe grandes novidades sobre o indicado em maio, apontando os seguintes números para a safra 2021/22:

  1. A produção de soja dos EUA foi mantida em 119,9 milhões de toneladas;
  2. Os estoques finais estadunidenses foram aumentados para 4,2 milhões de toneladas;
  3. O preço médio aos produtores estadunidenses ficou mantido em US$ 13,85/bushel;
  4. A produção mundial de soja ficou mantida em 385,5 milhões de toneladas;
  5. Os estoques finais mundiais foram elevados para 92,6 milhões de toneladas, ganhando 1,4 milhão de toneladas sobre o projetado em maio;
  6. A produção brasileira de soja ficou em 144 milhões de toneladas, enquanto a da Argentina seria de 52 milhões;
  7. As importações chinesas de soja foram mantidas em 103 milhões de toneladas.

Em paralelo, o plantio da soja nos EUA, até o dia 06/06, chegava a 90% da área esperada, contra a média histórica de 79%. Em torno de 76% das lavouras semeadas estavam germinadas naquela data, contra 59% na média histórica. Quanto às condições das lavouras, 67% estavam entre boas a excelentes, ficando três pontos percentuais abaixo das expectativas do mercado.

Quanto as exportações de soja pelos EUA, na semana encerrada em 27/05 o volume vendido da safra velha atingiu a 17.800 toneladas, enquanto o mercado esperava algo entre 100.000 e 200.000 toneladas. No acumulado do ano 2020/21 o volume atinge a 65,1 milhões de toneladas, contra 42 milhões na mesma época do ano anterior. Em relação à safra nova (2021/22) as exportações atingiram a 180.300 toneladas, ficando dentro do esperado pelo mercado. Pela sexta semana consecutiva a China não esteve presente no mercado comprador da safra nova estadunidense. Diante de margens muito ruins para a soja dos EUA, os chineses estão preferindo o produto brasileiro.

Neste contexto, as importações de soja pela China aumentaram em maio. O país asiático comprou 9,61 milhões de toneladas da oleaginosa no mês passado, com alta de 29% sobre o mês de abril, e um pouco acima do que havia sido comprado em maio de 2020. Os chineses compraram mais soja brasileira do que de outros fornecedores. Nos primeiros cinco meses do ano a China importou 38,23 milhões de toneladas de soja, com alta de 12,8% sobre o mesmo período do ano passado. Esperam-se mais 10 milhões de toneladas a serem importadas nos meses de junho e julho.



Enquanto isso, no mercado brasileiro, com o novo recuo do câmbio, que levou o Real a R$ 5,03 por dólar, e a relativa estabilização das cotações em Chicago, somada a continuidade de prêmios negativos em nossos portos, o preço da soja voltou a recuar. A média gaúcha no balcão ficou em R$ 160,53/saco, enquanto nas demais praças o preço oscilou entre R$ 153,00 e R$ 162,00/saco. No caso do balcão gaúcho, o auge do preço médio da soja ocorreu na última semana de abril, quando atingiu a R$ 170,90/saco. Portanto, em menos de 45 dias o produto perdeu pouco mais de 10 reais por saco no Estado.

Por enquanto, o mercado continua na dependência maior do comportamento de Chicago, em um contexto em que a comercialização desta atual safra já está bem avançada (75,6% do total), levando os produtores a segurarem nos estoques o produto restante. A atual comercialização está mais lenta, pois no ano passado 88,7% da safra nacional já havia sido negociada nesta data, embora a média histórica seja de 71,5%. Quanto a futura safra (2021/22), a comercialização antecipada atinge a 19,2%, contra 35,6% realizadas no mesmo período do ano passado, porém, acima da média histórica que é de 14% para esta época do ano. (cf. Safras & Mercado)

O número final da recente colheita de soja deverá atingir algo em torno de 137 milhões de toneladas. Neste quadro de uma produção maior do que o esperado, o Brasil deverá aumentar ainda mais suas exportações, podendo chegar a 86 milhões de toneladas em 2021, ou seja, 3 milhões acima do negociado no ano anterior. Por sua vez, o esmagamento de soja no Brasil deverá atingir a 46,7 milhões de toneladas, ficando 150.000 toneladas abaixo do registrado em 2020. Assim, a produção de farelo de soja deverá recuar 1%, se estabelecendo em 35,76 milhões de toneladas, e a de óleo de soja em 9,45 milhões, também com um recuo de 1% sobre o ano anterior. O uso do óleo de soja para biodiesel deverá cair em 3%, ficando em 4,5 milhões de toneladas no país. (cf. Safras & Mercado)

Por outro lado, a média diária exportada de soja pelo Brasil, na primeira semana de junho, atingiu a 824.800 toneladas, superando as 606.700 toneladas do mesmo mês do ano passado e as 781.110 toneladas da média diária de maio. Mesmo assim, estima-se que o total exportado em junho possa a ser menor do que o registrado em maio, ficando entre 9,6 e 11 milhões de toneladas, contra 11,9 milhões exportadas em junho de 2020. As exportações em maio teriam ficado em 14,4 milhões de toneladas (cf. Anec). Como se pode perceber, as estatísticas divulgadas, entre a Anec, a Secex e analistas privados, têm sido diferentes a respeito dos volumes exportados.

Pelo sim ou pelo não, o fato é que o Brasil, nos primeiros cinco meses do ano, teria exportado um total de 50,56 milhões de toneladas, contra 49,7 milhões em igual período do ano de 2020, segundo a Anec. Já a exportação de farelo de soja deverá alcançar a 1,96 milhão de toneladas em junho, contra 1,39 milhão em junho do ano passado e 1,7 milhão em maio deste ano.


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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1)

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUI).

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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