Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações da soja tiveram fortes oscilações nesta semana, porém, o primeiro mês cotado encerrou a mesma em alta, com a quinta-feira (15) ficando em US$ 10,62/bushel, contra US$ 10,50 uma semana antes.

O processo de alta se acentuou após o anúncio do relatório de oferta e demanda feito pelo USDA no dia 09/10. Embora o mesmo tenha indicado números já esperados pelo mercado, ele acabou confirmando uma safra e estoques finais menores nos EUA. Os principais números foram os seguintes, para o ano 2020/21:

  1. Safra estadunidense estimada em 116,2 milhões de toneladas, com um recuo de pouco mais de um milhão de toneladas em relação ao relatório de setembro;
  2. Estoques finais estadunidense estimados em 7,9 milhões de toneladas, com forte recuo ante os 12,5 milhões indicados em setembro;
  3. Produções brasileira e argentina mantidas em 133 e 53,5 milhões de toneladas;
  4. Importações chinesas aumentadas para 100 milhões de toneladas, após 99 milhões em setembro;
  5. Preço médio ao produtor de soja dos EUA elevado para US$ 9,80/bushel, contra US$ 9,25 em setembro e a média de US$ 8,57/bushel no ano anterior;
  6. Produção mundial de soja em 368,5 milhões de toneladas, com recuo ao redor de um milhão de toneladas em relação a setembro;
  7. Estoques finais mundiais em 88,7 milhões de toneladas, contra 93,6 milhões em setembro (são os mais baixos estoques dos últimos anos).

Dito isso, os embarques de soja por parte dos EUA, na semana encerrada em 08/10, atingiram a 2,2 milhões de toneladas, ficando no nível mais elevado das expectativas do mercado. Com isso, em todo o atual ano comercial, iniciado em 1º de setembro, os EUA exportaram 9,1 milhões de toneladas, contra pouco mais de 5 milhões em igual momento do ano anterior.

Já a área de soja colhida atingia a 61% do total no dia 11/10, estando bem acima do esperado pelo mercado e igualmente acima dos 42% da média histórica para esta data. Esta informação, juntamente com vendas por parte dos Fundos, derrubou sensivelmente as cotações no dia 12/10 (segunda-feira), porém, este movimento de baixa não se sustentou. Das lavouras ainda a colher, 63% se mostravam entre boas a excelentes condições.

Ainda na esfera internacional, as importações da China aumentaram em setembro na medida em que carregamentos atrasados começaram a chegar no país asiático. Com isso, o total do mês subiu para 9,79 milhões de toneladas de soja, ou seja, 1,9% acima do importado em agosto. Este volume é 19% superior ao importado em setembro de 2019.

Neste momento, os estoques de soja na China se encontram em níveis recordes, atingindo a 7,12 milhões de toneladas em 11 de outubro, levando a crer que o país asiático poderá reduzir o ímpeto importador nos próximos meses. Todavia, parte do mercado exportador continua apostando em novas e importantes compras chinesas nos meses futuros.

Nos primeiros nove meses de 2020 as importações de soja por parte da China alcançaram a 74,5 milhões de toneladas, ou seja, 15,5% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Por sua vez, as importações de óleos vegetais em setembro ficaram em 921.000 toneladas, com recuo de 5,6% sobre agosto.



Aqui no Brasil, a comercialização da nova safra de soja 2020/21 já atingiu a 53% do total esperado, ficando bem acima da média histórica para a época que é de 25%. Já a safra velha chegava a 98,4% de seu total vendido. (cf. Safras & Mercado)

Os altos preços propostos para o próximo ano, diante de um câmbio que voltou a ultrapassar os R$ 5,60 por dólar nesta semana, e de uma forte demanda chinesa, a qual mantém elevados os prêmios nos portos, associado a preços em Chicago agora acima de US$ 10,00/bushel, estimulam os produtores a negociarem seu produto antecipadamente. E isso, mesmo que os mais eufóricos no mercado cheguem a apontar que o saco da oleaginosa possa atingir a R$ 200,00 antes da nova colheita.

Por outro lado, o retorno das chuvas em muitas regiões produtoras, exceção feita ao Rio Grande do Sul em particular, não eliminou o atraso do novo plantio. Este fato igualmente está colocando pressão nos preços internos e externos da soja.

Neste sentido, até o dia 8 de outubro a área semeada chegava a 3,4% do esperado, sendo o plantio mais lento dos últimos 10 anos. Para se ter uma ideia do atraso, na mesma época do ano passado o plantio atingia a 11,1% da área. (cf. AgRural)

Graças a chuvas mais intensas no Paraná, este Estado chegou a 16% da área semeada durante a semana, contra 22% na mesma época do ano passado. O Paraná espera colher 20,4 milhões de toneladas de soja nesta nova safra, ou seja, 1% a menos do que o colhido no ano anterior. (cf. Deral)



Por sua vez, no Mato Grosso, a comercialização antecipada da nova safra atingia a 61% do total esperado, no início de outubro, contra a média histórica de 33% para a época. Já para a safra 2021/22, a ser plantada somente em setembro do próximo ano, as vendas antecipadas atingiam a 6,2% do volume esperado.

Neste contexto, os preços da soja voltaram a subir no Brasil. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 148,16/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços assim se estabeleceram: R$ 142,00 no Paraná; R$ 146,00 em Campo Novo do Parecis (MT); R$ 162,00 no CIF Maracaju (MS); R$ 139,00/saco em Rio Verde (GO) e Luís Eduardo Magalhães (BA). O indicador ESALQ/BMFBovespa chegou a R$ 155,85/saco em Paranaguá (PR) e R$ 153,53/saco no interior daquele Estado.

Segundo a Conab, o Brasil deverá semear 37,9 milhões de hectares de soja nesta nova safra, fato que poderá originar 133,7 milhões de toneladas, ou seja, 7,1% acima do colhido no último ano.

Enfim, o Brasil espera exportar 2,3 milhões de toneladas de soja em outubro e 5,3 milhões em milho. Já em farelo de soja o volume seria de 1,5 milhão de toneladas. Caso estes volumes se confirmem, as exportações brasileiras de soja, nos 10 primeiros meses do ano, chegariam a 81,6 milhões de toneladas, ou seja, 24% acima de igual período do ano passado; 25,4 milhões de toneladas de milho, ou seja, menos 24,7% em relação ao mesmo período do ano anterior; e 14,5 milhões de toneladas de farelo de soja, ou seja, 9,4% acima do exportado nos 10 primeiros meses de 2019.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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