Por meio do processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN), bactérias do gênero Bradyrhizobium, em simbiose com a soja, fixam nitrogênio atmosférico e o disponibilizam para a soja em formas assimiláveis pela planta. Naturalmente essas bactérias podem ser encontradas no solo, contudo, nem sempre em populações suficientes para suprir todas a demanda de Nitrogênio da soja pela FBN.

Dessa forma, uma das principais medidas para potencializar a FBN é aumentar a população dessas bactérias no solo por meio da inoculação da soja. O processo de inoculação da soja consiste na adição de bactérias fixadoras de nitrogênio por meio de inoculantes, podendo ainda, ser possível adicionar outros microrganismos benéficos à cultura.

Segundo Prando et al. (2019), a inoculação anual da soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium pode proporcionar incrementos médios de produtividade de até 8% em comparação a soja não inoculada. Dentre as principais formas de inoculação, podemos destacar a inoculação no sulco de semeadura e a inoculação das sementes de soja, podendo nesse caso, ser utilizado tanto inoculante líquido quanto turfoso.



Visualmente, o inoculante turfoso possibilita a melhor verificação da cobertura das sementes, uma vez que sua coloração se destaca das sementes, contudo, alguns cuidados necessitam ser tomados na execução da inoculação, a fim de possibilitar a melhor eficiência do inoculante. A nível de campo, é comum observar a adição do inoculante turfoso diretamente na caixa de sementes da semeadora, entretanto, quando não se adiciona nenhuma substância adesiva, esse inoculante tende a se depositar no fundo da caixa de sementes, prejudicando a inoculação das sementes, logo, essa prática não é aconselhável.

Figura 1. Inoculação de sementes de soja utilizando inoculante turfoso e solução adesiva (a esquerda). Inoculação de sementes utilizando inoculante turfoso, simulando a inoculação direto na caixa de sementes da semeadora, sem o uso de substâncias adesivas (a direita).

Foto: Thomas Martin

Caso não seja recomendada nenhuma substância adesiva pela fabricante do inoculante, é possível utilizar solução açucarada a 10%, na dose de 300 mL/50 kg de sementes, para auxiliar na adesão do inoculante turfoso à semente (Nogueira & Hungria, 2014). Deve-se realizar o tratamento de sementes (TS) com inseticidas e fungicidas e após secar, realizar a inoculação das sementes (separadamente).

Além do uso da substância adesiva, é fundamental atentar para a ordem do processo de inoculação a fim de evitar a interação com produtos químicos. Embora seja muito usual, não se recomenda a realização do “sopão”, ou seja, adição de inoculante e produtos do TS simultaneamente. Utilizando inoculante turfoso, o ideal é que dentro do possível, seja seguida a ordem:  sementes; tratamento químico (inseticida + fungicida) e homogeneização; secagem das sementes; solução açucarada; adição da turfa e homogeneização; secagem das sementes.

Visando não sobrecarregar a semente de produtos, alguns micronutrientes como Cobalto e Molibdênio podem ser aplicados em pós-emergência da soja, junto a capina, durante os estádios V2 – V3.


Veja também: Aplicação de Cobalto e Molibdênio via foliar?


Referências:

NOGUEIRA, M. A.; HUNGRIA, M. BOAS PRÁTICAS DE INOCULAÇÃO EM SOJA. 40ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul – Atas e Resumos, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/126872/1/Boas-Praticas-de-Inoculacao.pdf >, acesso em: 11/10/2021.

PRANDO, A. M. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium E Azospirillum NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117312/1/Circtec156.pdf >, acesso em: 11/10/2021.

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