A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) realizam nesta semana levantamentos de custos de produção da soja, milho e algodão no oeste da Bahia.

A iniciativa faz parte do Projeto Campo Futuro. Na terça (30), a coleta de dados ocorreu em Luís Eduardo Magalhães. Produtores, representantes de sindicatos rurais, cooperativas e da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) participaram do encontro.

De acordo com o assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Alan Malinski, o painel constatou que o desenvolvimento das lavouras na região foi prejudicado pela estiagem e pela falta de luminosidade em meados de outubro de 2018 e janeiro de 2019.

“A queda de produtividade da soja foi de 15% em relação à safra passada devido à estiagem ocorrida no início do ano. Com relação ao milho, a ocorrência de dias nublados em outubro passado reduziu o potencial produtivo em 10%”.

Segundo Alan, os custos com insumos de soja tiveram incremento de 16%, com maior participação para os fertilizantes (15%), seguido pelos defensivos (27%) e mão de obra (10%).

“Devido ao incremento dos custos, juntamente com a redução da produtividade e menor preço de comercialização, as margens foram reduzidas em 56%, se comparadas à safra passada”.

No caso do milho, os custos com insumos tiveram acréscimo de 5%, sendo os fertilizantes responsáveis por 22% desse aumento, seguido dos defensivos com 11%. Com a queda de produtividade, assim como o menor preço de comercialização do cereal, as margens tiveram redução média de 32% em relação à safra passada.

“Mesmo com menor resultado que a safra passada, as margens tanto para a soja, quanto para o milho foram positivas e isso traz ânimos aos produtores para continuarem investindo na atividade. A compra dos insumos para o plantio que se inicia a partir de outubro está atrasada em relação à safra anterior, em razão da alta oscilação do dólar, assim como a baixa oferta de compras de soja e milho para a próxima safra”, explicou Malinski.

O assessor técnico da CNA afirmou que as estimativas indicam aumento de 5 a 7% nos custos para a próxima safra. Entretanto, ainda se espera um aumento de área com as boas perspectivas para o mercado da oleaginosa. “Os produtores deverão repetir o bom nível tecnológico que vem sendo utilizado nas últimas safras”.

O produtor Jacson Wallauer participou do encontro e afirmou que foi muito importante para conhecer a realidade da atividade de grãos na região, que vem sofrendo com defasagem de preço, aumento de custos e margem reduzida.

Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Cícero José Teixeira, o levantamento foi um aprendizado. “Precisamos aperfeiçoar cada vez mais o nosso conhecimento. Não adianta apenas se manter na atividade, não podemos colocar nosso patrimônio em jogo”.

Já o agricultor Jolcinei Marchezan afirmou que foi uma oportunidade de conhecer o real custo de produção de grãos. “Todos os produtores precisam anotar as despesas da atividade para ter as informações corretas na mão”.

Os próximos painéis do Projeto Campo Futuro ocorrerão na quarta (31), em Barreiras, para analisar os custos de soja, milho e algodão e na quinta (1), em Simão Dias, em Sergipe, para coletar os custos do milho na região.

Texto originalmente publicado em:
CNA
Autor: CNA

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