Quando se fala em percevejos em soja, danos e prejuízos são palavras sempre mencionadas, tanto no Brasil como em outros lugares do mundo. Na Argentina os percevejos também são pragas chaves na cultura da soja, sendo as principais espécies que assolam as lavouras: Nezara viridula, Piezodorus guildinii, e sentidos com menos frequência e em menor proporção de dano as espécies Edessa meditabunda e Dichelops furcatus.

As espécies de percevejos elencadas acima, tem seu dano potencializado dependendo de fatores como fase do ciclo da cultura e densidade de percevejos. Outros fatores que tornam preocupante o ataque de percevejo em soja são: capacidade de sobrevivência entre-safra, polifagia de alimentação, dinâmica populacional e reprodutiva, bem como comportamento dos indivíduos frente a cultura.

Por isso conhecer a distribuição espacial e o padrão de colonização das culturas em relação ao ambiente que o rodeia pode permitir tomas decisões de controle.



E para que a tomada de decisão seja segura é essencial monitorar a os danos, e  quantificação a pressão de percevejos, pois alguns estudos argentinos já mostram que o dano de percevejo pode acarretar no rendimento final da cultura mesmo em baixa densidade.

A informação é abundante no que diz respeito aos danos causados ​​pelas diferentes espécies de percevejos, embora na maioria dos trabalhos os limiares de danos foi determinada sob condições controladas de densidade e permanência em dias de insetos que nem sempre são coincidentes.


Na Argentina, em lavouras produtoras de grãos, os valores considerados para recomendar-se a adoção de controle são de 0,4; 0,7 e 1 percevejo por metro linear para os espaçamentos 26, 52 e 70 cm respectivamente. Esta população é válida para o período reprodutivo (entre R3-R5.5), Quando as lavouras forem destinadas a produção de sementes, o número de percevejos tolerados é reduzido pela metade.


Pensando em avaliar a influência da dinâmica dos percevejos em função dos limites estipulados para entrada do controle químico, é que pesquisadores argentinos desenvolveram este trabalho onde diferentes decisões de controle foram aplicadas com base nos valores de pragas obtidas por amostragem usando o pano vertical. As parcelas são classificados nos seguintes tratamentos: manejo típico da área (MTZ), manejo com densidade mínima de pragas (MSP),  manejo integrado (MIP) e controle sem aplicação de inseticida – testemunha (T). Nos tratamentos com inseticidas, foram aplicados inseticidas de diferentes modos de ação e seletividade sob diferentes densidades populacionais de acordo com os critérios de gestão.

As aplicações utilizadas foram as seguintes:

  • Manejo tipico da área (MTZ): 23/2/16: Flubediamida + Gama-cialotrina, 9/3/16: Esfenvarelato.  
  • Manejo da densidade mínima de pragas (MSP): 27/1/16: Flubediamida e Esfenvarelato.
  • Manejo Integrado (MIP): 16/3/16: Esfenvarelato.
  •  Testemunha (T): sem aplicação de inseticidas.

Fig.1: Densidade populacional de percevejos (maiores que 5mm e adultos) por metro linear de acordo com a data e estágio fenológico do cultivo de soja. As setas indicam as aplicações feitas em cada tratamento.

Enquanto no MIP a densidade de percevejos no início do enchimento de grãos era baixa, no final desse estado condições eram favoráveis para o desenvolvimento de percevejos (das espécies Nezara e Piezodorus) causando perdas de 500 kg em relação à parcela tratado em R6. Isso indica a importância do monitoramento constante dos lotes com intervenção apenas quando necessário (Fig. 2)

Fig. 2: Densidade populacional de percevejos (maiores que 5mm e adultos) por metro linear no início do estágio R6 em MIP e diferença obtida no momento da colheita dos tratamentos:


Os rendimentos obtidos mostram que não há diferenças entre os gráficos MIP e manejo típico da área – MTZ, o que reforça que os valores fornecidos pela bibliografia são adequados.

O rendimento obtido pode ser visto na Tabela 1.

Tabela 1: Análise do rendimento obtido pela aplicação dos diferentes tratamentos e comparação de médias com o teste de Fisher LSD.


Médias com letras iguais não diferem estatisticamente (p> 0,05)

Avaliações da incidência de fungos nas sementes, indicaram a presença de 96, 72, 71 e 52% de Fusarium; 0, 3, 3,2% de Cercospora kikuchii para os tratamentos Testemunha, MIP, Manejo com densidade mínima e Manejo tipico da área, respectivamente. Os valores obtidos na testemunha (96% x 52% no tratamento com menor população) nos indicam o potencial associado a patógenos de sementes atacadas.

Os menores valores de Cercospora foram vistos na Testemunha com alta carga de Fusarium e isso de deve  pela maior capacidade competitiva deste fungo.  Os valores de germinação relativa observados foram de 25, 52, 51 e 62% e de vigor medido como sementes germinaram aos 4 dias de 20, 45, 47, 52% para os tratamentos Testemunha, MIP, Manejo com densidade mínima – MSP, Manejo tipico da área – MTZ respectivamente.

Os resultados obtidos neste trabalho confirmam os descritos na bibliografia no que diz respeito à incidência de percevejos nas diferentes fases fenológicas da cultura e efeito combinado deste dano com o ataque de  patógenos a nível de produção de semente.

Dependendo dos patógenos encontrados nos grãos, recomenda-se realizar avaliações para a escolha de qual fungicida aplicar.

Autores: Flores, Fernando; Balbi, Emilia; Distéfano, Silvia; Lenzi, Lisandro. INTA Marcos Juárez.

O trabalho pode ser acessado clicando aqui.

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