Este trabalho teve como objetivo avaliar a deposição de calda bordalesa e sulfocálcica em plantas de soja, com a utilização de diferentes modelos de pontas de pulverização.

Autores:  GIBBERT, A.M. 1; CANAVESSI, H.1; KUHN, V.G.1; PASTORI, M.1; FERREIRA, S.D.1; COSTA, N.V.1;

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Com a disseminação de doenças na cultura da soja durante todo seu ciclo de desenvolvimento, faz-se necessário o uso de diferentes produtos para minimizar perdas de produtividade que possam vir a ocorrer nas lavouras comerciais. No entanto, com a seleção do fungicida, o seu posicionamento no alvo no momento correto, deve ser da forma mais adequada para um controle eficaz (Cunha et al., 2011).

Um dos fatores mais relevantes para bons resultados da aplicação é a escolha correta das pontas de pulverização a ser utilizadas para os diferentes tipos de produtos disponíveis no mercado (Fernandes et al., 2007).

Considerando que as caldas bordalesa e a sulfocálcica constituem uma alternativa para o controle de doenças fúngicas no cultivo em sistema orgânico, este trabalho teve como objetivo avaliar a deposição de calda bordalesa e sulfocálcica em plantas de soja, com a utilização de diferentes modelos de pontas de pulverização.

O experimento foi realizado na estação experimental da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, Campus Marechal Cândido Rondon, com altitude média de 420 metros, latitude 24º 46’ S e longitude 54º 22’ WGr.

A área experimental apresenta Latossolo Vermelho Eutrófico (LVe) de textura argilosa. A semeadura da soja foi efetuada na data 21 de outubro de 2016, com uma densidade de 13 sementes por metro linear, no espaçamento de 50 cm entre linhas. A variedade selecionada foi a NA 5909 RG, com inoculação de Bradyrhizobium.



O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, em esquema fatorial 2×2 (duas caldas x duas pontas de pulverização), com quatro repetições. O primeiro fator correspondeu às caldas bordalesa e sulfocálcica, na concentração de 1% v v-1, enquanto o segundo fator representou as pontas de pulverização jato cônico cheio sem indução de ar (Magno CH 100 amarela) e jato duplo leque (Magno AD-02/D amarela). Juntamente às caldas adicionou-se óleo vegetal (Natur’óleo) na concentração de 0,5% v v-1 e como traçador para avaliação de deposição, o corante alimentício azul brilhante (FD&C Nº1) na concentração de 1000 mg L-1.

As aplicações ocorreram nos estádios V5 (quinto nó; quarto trifólio aberto) e R5.3 (maioria das vagens entre 25% e 50% de granação), com o auxílio de um pulverizador costal pressurizado a CO2 e munido de barra com quatro pontas de espaçamento de 50 cm, e regulado para o consumo de calda de 200 L ha-1. Foram utilizadas as pressões de 3,2 Kgf cm-2 para o bico de jato cônico cheio e 1,65 Kgf cm-2 para o bico de jato duplo leque. As condições ambientais no momento de cada aplicação estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1. Temperatura (Temp.), umidade relativa (UR) e velocidade do vento (VV) durante as duas aplicações de calda bordalesa e sulfocálcica na cultura da soja. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018

As dimensões das parcelas foram de 3,0 x 5,0 m (15,0 m²), totalizando 240 m² de área experimental, a área útil para a coleta das plantas foram consideradas as três linhas centrais da parcela. Foi avaliada a deposição nos estádios V5 e R5.3, sendo coletadas 15 plantas de cada parcela, sendo que no estádio V5 foram avaliadas as plantas como dossel único, enquanto que no estádio R5.3 avaliou-se as plantas como dossel superior e inferior.

Após a aplicação dos tratamentos foi realizada a coleta das plantas, colocadas em sacos plásticos e levados ao laboratório, em que foi realizada a lavagem do material coletado com 100 mL de água destilada e agitação por 30 segundos, o líquido resultante foi vertido em um pote com tampa e, mantidos conservados ao abrigo da luz. Deste material foi realizada a leitura em um espectrofotômetro (Shimadzu modelo UV-1800) por meio da determinação da densidade óptica (absorbância de 630 nm).

Após lavagem das plantas, estas foram colocadas em sacos de papel e mantidas em estufa de circulação de ar forçada a 65°C por 48h. Ao atingirem massa constante, os materiais foram pesados em balança analítica com quatro casas significativas.

Os valores obtidos da espectrofotometria possibilitaram a transformação em mg L-1 de acordo com coeficiente angular da curva-padrão e os valores de depósito foram transformados em μL g-1 de matéria seca das plantas. Os dados em μL g-1 foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas pelo teste “t” Student (p>0,05).

De acordo com a Tabela 2, a interação entre caldas e pontas de pulverização não foi significativa em nenhum dos estádios.

Tabela 2. Deposição de traçador (µL g-1) nos diferentes estádios de desenvolvimento da soja por diferentes produtos e tipos de pontas de aplicação. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018.

Nos estádios V5 e R5.3 porção superior da planta, não houve diferença estatística tanto para as caldas quanto para as pontas avaliadas. Em contrapartida, no estádio R5.3 e na porção inferior das plantas de soja houve maior deposição quando utilizou-se a cala borbalesa e a ponta de jato cônico.


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As pontas do tipo jato cônico formam uma cobertura mais homogênea do alvo, devido ao menor tamanho das gotas que são formadas (Cunha et al., 2005). Apesar disso, não observou-se maiores depósitos na aplicação em V5, provavelmente, isso tem relação com um dossel menor que o estádio da soja apresentava. Estes dados corroboram Barcellos et al. (1998), que utilizaram bicos de jato cônico vazio e bicos de jato plano ao avaliarem a cobertura na deposição de gotas de pulverização no dossel da soja. Por outro lado, durante o estádio R5.3 as plantas de soja exibiam um dossel maior e mais fechado, devido ao engalhamento da cultura. Com isso, a penetração das gotas menores (jato cônico) foi favorecido em relação a aquelas produzidas pelo jato duplo leque (Cunha et al., 2004). Resultados semelhantes foram obtidos por Boschini et al. (2008), ao avaliarem diferentes pontas de aplicação e volumes na deposição de calda na cultura da soja, as pontas de jato cônico demonstraram-se mais eficientes quanto à deposição no dossel inferior.

As pontas de pulverização jato cônico cheio sem indução de ar (Magno CH 100 amarela) e jato duplo leque (Magno AD-02/D amarela) proporcionaram cobertura semelhante da parte aérea da soja no estádio V5, enquanto que no estádio R5.3 as pontas de jato cônico desenvolveram uma melhor cobertura do alvo.

Referências 

BARCELLOS, L.C., CARVALHO, Y.C. & SILVA, A.L. Estudo sobre a penetração de gotas de pulverização no dossel da cultura da soja [Glycine max (L.) Merrill]. Engenharia na Agricultura, v. 6, p. 81-94, 1998.

BOSCHINI, L.; CONTIERO, R.L.; MACEDO JÚNIOR, E.K.; GUIMARÃES, V.F. Avaliação da deposição da calda de pulverização em função da vazão e do tipo de bico hidráulico na cultura da soja. Acta Scientiarum. Agronomy, v. 30, n. 2, p. 171-175, 2008.

CUNHA, J.P.A.R.; TEIXEIRA, M.M.; VIEIRA, R.F.; FERNANDES, H.C.; COURY, J.R. Espectro de gotas de bicos de pulverização hidráulicos de jato plano e de jato cônico vazio. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 39, n. 10, p. 977-985, 2004.

CUNHA, J. P. A. R.; TEIXEIRA, M. M.; VIEIRA, R. F.; FERNANDES, H. C. Deposição e deriva de calda fúngica aplicada em feijoeiro, em função de bico de pulverização e de volume de calda. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 9, n. 1, p. 133-138, 2005.

CUNHA, J.P.A.R.; FARNESE, A.C.; OLIVET, J.J.; VILLALBA, J. Deposição de calda pulverizada na cultura da soja promovida pela aplicação aérea e terrestre. Engenharia Agrícola, v. 31, n. 2, p. 343-351, 2011.

FERNANDES, A. P.; PARREIRA, R.S.; FERREIRA, M.C.; ROMANI, G.N. Caracterização do perfil de deposição e do diâmetro de gotas e otimização do espaçamento entre bicos na barra de pulverização. Engenharia Agrícola, v. 27, n. 3, p. 728-733, 2007.

Informações dos autores:  

1Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon, PR.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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