Os defensivos agrícolas – também conhecidos como agroquímicos, agrotóxicos, pesticidas, ou produtos fitossanitários – são substâncias químicas ou biológicas utilizadas para proteger as lavouras do ataque e da proliferação de fungos, bactérias, ácaros, vírus, parasitas, plantas daninhas, nematóides e insetos considerados pragas ou causadoras de doenças, garantindo alimento saudável à população. Além de reduzir a produtividade das culturas, as pragas podem tornar os alimentos impróprios para o consumo humano. Já as plantas daninhas competem com os cultivos agrícolas por água, luz e nutrientes do solo, prejudicando o pleno desenvolvimento das plantas.

No Brasil, o ataque de pragas é mais severo do que em muitos outros países devido às condições climáticas tropicais e subtropicais, com temperaturas altas e ambiente úmido. Já em países da Europa, no Canadá e em boa parte dos Estados Unidos, as temperaturas baixas do inverno e a ocorrência de neve reduzem as taxas de reprodução e sobrevivência das pragas. Assim, os produtores brasileiros enfrentam desafios maiores que os europeus e norte-americanos para garantir a produtividade de suas lavouras, necessitando o emprego de tecnologias como os defensivos agrícolas.

Segundo dados recentes da NASA, apenas 7,6% do território brasileiro é cultivado com lavouras, totalizando 63.994.479 hectares. O Brasil aumentou entre quatro a cinco vezes a produção agrícola numa mesma área em comparação à década de 70, indicando que as áreas de plantação têm sido melhor aproveitadas e que novas áreas vem sendo poupadas pelos agricultores. Hoje, 65% do território brasileiro permanece coberto por matas nativas. Portanto, a despeito das dificuldades de se cultivar alimentos em um país tropical, o produtor brasileiro é um dos que mais preserva o meio-ambiente em todo o mundo.

Isso tudo só é possível graças à utilização dos defensivos agrícolas. Entre os benefícios proporcionados por essa tecnologia, incluem-se: evitar a perda de alimentos pelo ataque de pragas e patógenos; tornar o preço dos alimentos mais acessíveis, incluindo a cesta básica, com mais alimentos disponíveis para o consumo; e contribuir para produzir mais em uma mesma área de cultivo, evitando o desmatamento de novas áreas para plantio.

Um estudo realizado pelo CEPEA/Esalq em 2016, sobre incidência de pragas e patógenos na agricultura brasileira, demonstra o grave impacto econômico em função do ataque de pragas não controladas por defensivos. Isso se reflete inclusive no bolso do consumidor, com perdas de produção nas culturas de milho, soja e algodão. A Figura 1 apresenta um resumo desses dados. Para consultar o relatório completo, clique aqui.

Figura 1. Principais pragas e doenças identificadas nos levantamentos da safra 2014/15 nas lavouras de soja, milho e algodão no Brasil, com estimativas de perdas de produtividade encontradas na literatura.

Fonte: SINDIVEG. Acesse a imagem original clicando aqui

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) estima que a produção agrícola mundial perde anualmente 20% a 40% de seu montante por conta do ataque de pragas. Desse modo, o uso de defensivos contribui para que os alimentos estejam disponíveis em quantidades suficientes e a preços acessíveis para a população global. Assim como intempéries climáticas (geadas, chuvas, seca) interferem no preço dos alimentos, o mesmo acontece quando pragas atacam as lavouras e não existem medidas de controle fitossanitário disponíveis para manejá-las de forma eficaz.

As pragas competem com o ser humano por alimento: atacar as plantações é a maneira que essas espécies encontram de sobreviver e se perpetuar. Os defensivos agrícolas são aplicados quando as pragas se aproximam do seu Nível de Dano Econômico (NDE), ou seja, quando estão prestes a prejudicar de forma irreversível a cultura, justificando o investimento em medidas de controle. Porém, existe uma série de métodos de manejo (Manejo Integrado de Pragas – MIP) cujo objetivo é combater de forma preventiva as infestações de pragas. O MIP inclui medidas como rotação de culturas, destruição de restos culturais contaminados por pragas, alteração da época de plantio ou colheita, poda ou desbaste, cultura armadilha, destruição de hospedeiros alternativos, uso de armadilhas físicas, destruição manual, fomento dos inimigos naturais, feromônios, entre outros. Quando o uso dessas ferramentas de menor impacto ambiental não for capaz de controlar as pragas, deve-se empregar os defensivos agrícolas.

A ausência de controle de pragas, seja por meio de defensivos agrícolas ou outras medidas de manejo, gera um impacto direto no volume de alimento produzido. Ao produzir menos do que seria possível de acordo com o potencial da cultura, os preços desses alimentos se elevam, já que a demanda se mantém alta e a oferta é reduzida à medida que as pragas utilizam os alimentos para o seu consumo. Assim, além de garantir o retorno financeiro para o agricultor, os defensivos ajudam a manter o equilíbrio econômico no mercado de alimentos e matérias-primas, reduzindo as perdas e tornando esses produtos mais acessíveis aos consumidores.

Figura 2. Como as pragas afetam o mercado de alimentos, reduzindo a oferta desses produtos e elevando seus preços para o consumidor final.

Fonte: SINDIVEG. Acesse a imagem original clicando aqui

As pragas podem desenvolver resistência aos métodos de controle utilizados, especialmente quando o mesmo método é empregado de forma contínua em um sistema agrícola. A indústria de defensivos agrícolas busca constantemente alertar para o risco de resistência das pragas, ressaltando a importância de reduzir a pressão de seleção dessas espécies. Para isso, é imprescindível que o agricultor realize a rotação dos modos de ação dos produtos químicos utilizados para o controle de uma mesma praga. Além disso, é preciso ter atenção especial com as janelas de semeadura e com a rotação de culturas, intervindo com produtos químicos somente quando necessário. Dessa forma, é possível reduzir a velocidade de evolução da resistência.

Todos perdem com a resistência: o agricultor que não consegue controlar as pragas, a indústria que perde anos de pesquisa e investimento, e o consumidor final de alimentos, que precisa pagar mais para ter acesso aos alimentos e outros produtos agrícolas (como fibras e combustíveis). Quando uma praga se torna resistente a um defensivo, a indústria tem o desafio de entender as causas e buscar soluções para esse cenário. O tempo necessário para o desenvolvimento de um novo defensivo (em torno de 10 anos) e para o registro do novo produto (em média 8 anos) potencializam esse desafio, elevando ainda mais os impactos econômicos. Isso ocorre porque o desenvolvimento de uma nova molécula de defensivo agrícola é uma atividade complexa, cuidadosa e onerosa. Além disso, a liberação do registro de novos produtos exige estudos que comprovem a eficiência no campo e a segurança para as pessoas e para o meio ambiente.

Figura 3. Número e custo de desenvolvimento dos defensivos agrícolas.

Fonte: SINDIVEG. Acesse a imagem original clicando aqui

Portanto, em um ambiente agrícola, a oferta de alimento para determinadas
pragas torna-se abundante. Somando-se isso ao clima tropical que predomina no Brasil, sem invernos muito rigorosos, temos as condições perfeitas para as pragas se reproduzirem. Diante disto, há a necessidade da intervenção humana para que as culturas sejam protegidas e tenham condições de produzir alimentos em quantidade suficiente para atender a população, uma vez que os predadores naturais são insuficientes para o controle dessas pragas. Dentre os diferentes métodos disponíveis para realizar esse controle, a utilização de defensivos agrícolas sobressai-se como uma das tecnologias mais eficientes e acessíveis aos produtores rurais.

Assim como um remédio para uso humano deve ser prescrito por um médico, o uso de defensivos agrícolas (que nada mais são do que remédios para as plantas) pode ser recomendado apenas por um engenheiro agrônomo, que é o profissional habilitado para essa função. Da mesma forma, as recomendações técnicas constantes na bula (como dose a ser ministrada e condições de uso) devem ser seguidas rigorosamente, garantindo que o remédio não se torne um veneno: o mesmo se aplica aos defensivos. O uso de doses acima do recomendado pode trazer riscos de contaminação ao trabalhador, aos consumidores e ao meio-ambiente, enquanto a subdosagem de defensivos pode resultar em baixa eficiência de controle e elevar os riscos de resistência. Assim, a utilização racional dos defensivos agrícolas de acordo com as recomendações técnicas fornece a proteção necessária aos cultivos agrícolas com o mínimo impacto ambiental possível, garantindo o alimento da população e o sustento financeiro dos produtores rurais.



Esse texto foi produzido com base em um informe técnico do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), a principal entidade representativa do setor de defensivos agrícolas no Brasil há mais de 75 anos. O material completo encontra-se disponível clicando aqui.

Revisão: Prof. Jonas Arnemann, PhD. e coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

 REFERÊNCIAS:

CEPEA/ESALQ. 2016. O impacto econômico das pragas agrícolas no Brasil. Disponível em: htps://www.slideshare.net/Agropec2/impactoeconmico-de-pragas-agrcolas-no-brasil

Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG).
2018
. O que você precisa saber sobre defensivos agrícolas. Disponível em: http://sindiveg. org.br/wp- content/uploads/2018/08/oquevoceprecisasabersobredefensivosagricolas.pdf

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