Neste trabalho visamos a identificação das cultivares com genes resistentes ao H. glycines para que se mantenha a produção mesmo em áreas infestadas.

Autores: Antônio Sérgio de Souza1; Rafaela Lanusse de Bessa Lima2; Pedro Ivo Vieira Good God3; Vinicius Ribeiro Faria4

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A soja (Glycine max (L.) Merril) está entre as mais importantes oleaginosas cultivadas no mundo, tanto por seu valor econômico como nutricional. Em razão de sua importância para a economia brasileira há uma crescente preocupação com o aumento dos problemas fitossanitários relativos a esta cultura. Dentre as doenças que atacam a soja, destacam-se os fitonematoides, organismos do solo que se não manejados podem causar grandes prejuízos, como a morte de plantas e consequente redução da produção.

Um fitonematóide de grande importância na cultura da soja é o nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines Ichinohe, 1952). Sua importância se dá pelos prejuízos que pode causar, pela facilidade de disseminação e o seu difícil controle. As perdas de produtividade de grãos podem alcançar 90%, dependendo do grau de infestação, suscetibilidade da cultivar, fertilidade do solo e raça do nematoide (Dhingra et al., 2009). Dentre os métodos de manejo mais eficientes, destacam-se o controle cultural e uso de cultivares resistentes, este último também se destacando sob o ponto de vista econômico.



Apesar da disponibilidade de vários materiais genéticos resistentes ao nematoide do cisto da soja, é necessária uma contínua busca por outras fontes de resistência, devido à variabilidade genética apresentada pelo patógeno. Neste trabalho visamos a identificação das cultivares com genes resistentes ao H. glycines para que se mantenha a produção mesmo em áreas infestadas.

MATERIAL E MÉTODOS

A população de nematoide de cisto da soja (NCS) utilizada neste estudo foi obtida a partir de amostra de solo e raízes coletadas em lavoura naturalmente infestada na estação experimental da Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba (COOPADAP), em Rio Paranaíba – MG. O solo foi coletado na profundidade de 0 a 20 cm, junto com as raízes, sendo acondicionados em sacos de polietileno e levados para laboratório para a extração dos fitonematóides.

Uma alíquota de 200 cm³ deste solo foi colocada em um becker contendo 2 L de água. A solução foi agitada até a homogeneização e permaneceu em repouso por 30 minutos. Em seguida a fase liquida foi filtrada em peneiras sobrepostas de 60, 100 e 400 mesh. O resíduo das peneiras de 100 e 400 mesh, que contém os cistos de ovos de nematoide H. glycines, foram recolhidos em um becker com o auxilio de jatos de água com o auxílio de uma pisseta.

Os cistos separados foram colocados em uma peneira de 200 mesh e esmagados com o fundo de um becker, sendo aplicando jatos de água com o auxílio de uma pisseta. Os ovos liberados foram coletados em uma peneira de 500 mesh e a suspensão foi calibrada para 400 ovos/mL.

Os isolados foram multiplicados em soja susceptível, para a obtenção de inóculo suficiente para o experimento. Posteriormente foram extraídos ovos e juvenis de 2° estágio (J2) de H. glycines do macerado das raízes das plantas usadas para multiplicação. Foi utilizado um conjunto de peneiras de 60 mesh e 400 mesh. Os ovos e J2 foram recolhidos da peneira de 400 mesh para um becker e quantificados em lâmina de Peters, calibrando a suspensão de inóculo para 1.000 ovos*J2/mL.

Foram cultivadas 25 linhagens de soja oriundas do Programa de Melhoramento da Qualidade da Soja (PMQS) da UFV e de outras entidades de pesquisa. As linhagens testadas foram: UFVCRP 33, UFVCRP 36, CD 206, Bramax, UFVCRP 35, UFVCRP 84, TMG 1179, PI 90763, PI 88788, MON 6972, FSPS Solar, TMG 1175, TEC 7849, Anta 82, Bramax Desafio, CD 201, Conquista, CD 202, Pecking, PI 95099, BRS 133, LEE 74, CD 217, CD 237, Pickett.

Para determinação da resistência ao nematoide do cisto, utilizou-se a série diferenciadora de genótipos de soja proposta por Golden et al. (1970). Os genótipos utilizados como padrão de resistência foram: Pickett (raças 1,3,7,8,11,12,13 e 16), Peking (raças 1 e 3), PI 88788 (raças 3 e 14), PI 90763 (raças 3 e 14). O genótipo Lee 74 foi utilizado como padrão de suscetibilidade.

O experimento foi conduzido em casa de vegetação, seguindo o delineamento inteiramente casualizado com cinco repetições. As plantas foram cultivadas em tubetes plásticos com diâmetro de 5 x 20 cm, contendo 200g de substrato estéril formado pela mistura de solo e areia (1:1). O experimento foi irrigado duas vezes ao dia. A temperatura media variou entre 25-30o C. Cada planta de soja foi inoculada no estádio V1.

Trinta dias após a inoculação, as plantas cultivadas foram retiradas dos tubetes com o sistema radicular íntegro. Após a limpeza do sistema radicular, número de fêmeas de H. glycines por raiz foi quantificada. A contagem foi realizada utilizando-se um microscópio estereoscópio. Para efeito de cálculo utilizou-se o genótipo PI 90763 como padrão de susceptibilidade tendo apresentado o maior número de fêmeas.


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Para cada genótipo foi calculado um índice de fêmeas (IF), isto é, IF (%) = (número médio de fêmeas obtido na cultivar em teste/número médio de fêmeas obtido em ‘PI 90763’) x 100. Cultivares com IF<10% é classificado como resistentes, entre 10% e 30% como moderadamente resistentes e com IF>30% como suscetíveis (Mapa, 2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram identificadas como resistentes, a raça de H. glycines presente no solo do experimento, as variedades UFVCRP 84, TNG 1179, CD 202 e BRS 133 conforme pode ser observado na Tabela 1. Contudo ouve predominância, 47,83% para as variedades que apresentaram resistência moderada. As variedades PI 90763*, FSPS SOLAR, TEC 7849 e TEC 7849 a presentaram índices superiores de 50% de susceptibilidade a raça de H. glycines presente na área infectada.

Tabela 1. Identificação das variedades susceptíveis a H. glycines, com base no índice de fêmeas (IF) expressado pelas variedades e linhagens diferenciadoras.

Apesar de já terem sido lançadas no país cerca de 50 cultivares de soja com resistência ao NCS, quase todas são adequadas apenas para as raças 1 e 3. Para as outras raças, existe carência de materiais resistentes (Dias et al., 2009). A identificação do NCS no Brasil é relativamente recente, sendo na safra 1991/92; atualmente já foi identificado em mais de 150 municípios em estados.

CONCLUSÃO

As variedades UFVCRP 84, TNG 1179, CD 202 e BRS 133 se mostraram resistentes, a raça de H. glycines presente no solo do experimento localizado na região do Alto Paranaíba em Minas Gerais.

REFERÊNCIAS

DHINGRA, O.D.; MENDONÇA, H.L.; MACEDO, D.M. Doenças e seu controle. In: SEDIYAMA, T. (Ed.). Tecnologias de produção e usos da soja. 1.ed. Londrina: Mecenas, 2009. p.133- 155.

DIAS, W.P.; SILVA, J.F.V.; CARNEIRO, G.E.S.; GARCIA, A.; ARIAS, C.A.A. Nematoide de cisto da soja: biologia e manejo pelo uso da resistência genética. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v. 33, n. 1, p. 1-16, 2009.

GOLDEN AM, Epps JM, Riggs RD (1970) Terminology and identity of intraspecific forms of soybean cyst nematodes (Heterodera glycines). Plant Disease Reporter 54:544-546 MAPA – SNPC/DEPTA/SDC. Anexo II, 06 de junho de 2007. Instruções para execução dos ensaios de distinguibilidade, homogeneidade e estabilidade de cultivares de soja (Glycine max (l.) Merrill).

Informações dos autores:  

1Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Campus Rio Paranaíba/MG.

2Engenheira Agrônoma;

3D.Sc. Genética e Melhoramento, Professor Adjunto II, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Campus Rio Paranaíba/MG;

4D.Sc. Genética e Melhoramento, Professor, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Campus Rio Paranaíba/MG.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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