O objetivo desde trabalho é avaliar a influência do tratamento de sementes com diferentes combinações entre inseticida e fungicidas na germinação de sementes de soja. 

Autores:  Izabela Richena Barbosa1;Thais Stradioto Melo1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

A cultura da soja é uma das importantes e tradicionais no Brasil, e a mais importantes entre as culturas na economia mundial. No país, produzindo cerca de 119 milhões de toneladas de grãos, distribuídos em uma área de 35,2 mi de hectares (CONAB, 2018).

Entre os fatores que contribui para o máximo potencial produtivo das lavouras, está a qualidade das sementes, ou seja, o tratamento de sementes de soja é um importante técnica recomendada, entretanto desde que sejam utilizados ingredientes ativos ou combinações de ingredientes adequados, nas dosagens recomendadas pelos fabricantes. (PEREIRA et al., 2011). A utilização de inseticidas e fungicidas no tratamento de sementes, além de outros aditivos, vem se tornando comum, pois estes produtos aumentam a possibilidade das plantas estabelecerem um crescimento vigoroso e com melhor aproveitamento do seu potencial produtivo.

Entretanto, apesar dos possíveis benefícios esperados e, consequentemente, esta técnica se constituir em uma operação rotineira, pouco se conhece sobre a influência do tratamento de sementes na germinação e no vigor de plântulas de soja. Desta forma, objetivo desde trabalho é avaliar a influência do tratamento de sementes com diferentes combinações entre inseticida e fungicidas na germinação de sementes de soja.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na fazenda experimental do Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), localizada no município de Dourados, Mato Grosso do Sul. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Cwa (mesotérmico úmido com verões quentes e invernos secos), com precipitação média anual de 1.500 mm e temperatura média anual de 22ºC (FIETZ e FISCH, 2008). A área experimental situa-se na latitude 22º20’25”S, longitude 54º87’30”W e altitude ±420 m.

As sementes de soja, variedades NS 6767 RR e BMX Potência RR, foram submetidas ao tratamento com o inseticida (Saddler) combinado com diferentes fungicidas (Tabela 1), com seus princípios ativos nas concentrações e doses recomendadas (Tabela 2).

TABELA 1. Relação dos produtos comerciais (PC) utilizados via tratamento de sementes e suas respectivas doses utilizadas no experimento.

TABELA 2. Relação dos ingredientes ativos (IA) presentes nos produtos comerciais (PC) utilizados no experimento, com suas respectivas concentrações e doses aplicadas.

Após o tratamento, as sementes foram semeadas em parcelas de 1 metro linear com 100 sementes cada, com a cultura semeada a um espaçamento entre linha de 0,90m, sendo 4 repetições de 2 variedades. As plântulas foram contadas a partir da germinação até o cessar deste evento (BRASIL, 2009). Foram avaliados o índice de velocidade de emergência, a velocidade de através das fórmulas propostas por Maguire (1962), Edmond & Drapala (1958). Os dados obtidos a partir das médias entre as duas cultivares foram submetidos à análise de variância e, quando constatado efeito significativo, foram submetidos ao teste de Tukey a 5 % de probabilidade. As análises foram realizadas com o auxílio do software estatístico SAS 9.2.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A germinação (%) da cultura não demonstrou diferença estatística entre os tratamentos estudados. Já, para o índice de velocidade de germinação (IVG), observase que todos os tratamentos de sementes, compostos por Saddler + Certeza (T2), Saddler + Protreat (T3) e Saddler + Maxim (T4), apresentaram-se estatisticamente superiores à testemunha (Figura 1).

FIGURA 1. Porcentagem de germinação (A) e índice de velocidade de germinação (B) de plântulas de soja à campo após diferentes tratamentos de sementes. T1: Testemunha. T2: Saddler + Certeza. T3: Saddler + Protreat. T4: Saddler + Maxim. Letras diferentes sobre as barras indicam contraste de médias pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Dourados, MS.



O IVG está relacionado com o vigor das sementes, portanto, embora não haja diferença entre os tratamentos para a porcentagem de germinação, os tratamentos de sementes resultaram em uma emergência mais rápida e uniforme, garantindo um melhor estabelecimento da cultura à campo. Pereira et al. (2009), estudando diferentes tratamentos fungicidas em sementes de soja, também concluíram que alguns princípios ativos possuem a capacidade de auxiliar no vigor das sementes, melhorando o IVG. No entanto, na germinação existe diferença entre sementes com alto e baixo vigor, independente da presença ou não do tratamento, sendo o efeito dependente também do vigor prévio das sementes analisadas (GOMES et al., 2009).

CONCLUSÃO

A porcentagem de germinação não apresentou influencia sob os tratamentos de sementes. O índice de velocidade de germinação de plântulas de soja é influencia positivamente pelos do tratamento de sementes, independente da combinação de produtos utilizada.

REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Agricultura e da Reforma Agrária. Regras para análise de sementes. Brasília: SNDA/DNDV/CLAV, 2009. 399p.

CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira: grãos, décimo primeiro levantamento safra 2017/2018. Disponível em: <http://www.conab.gov.br>. Acesso em: 09 agosto de 2018.

EDMOND, J. B.; DRAPALA, W. J. The effects of temperature, sand and soil, and acetone on germination of okra seeds. Proceedings of the American Society for Horticultural Science, Leuven, 71:428-434, 1958.

FIETZ, C. R.; FISCH, G. F. O clima na região de Dourados, MS. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2008. 32p.

GOMES, D. P.; BARROZO, L. M.; SOUZA, A. L.; SADER, R.; SILVA, G. C. Efeito do vigor e do tratamento fungicida nos testes de germinação e de sanidade de sementes de soja. Bioscience Journal, Uberlândia, 25:59-65, 2009.

MAGUIRE, J. D. Speed of germination-aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Science, Madison, 2:176-177, 1962.

PEREIRA, C. E.; OLIVEIRA, J. A.; ROSA, M. C. M.; OLIVEIRA, G. E.; COSTA NETO, J. Tratamento fungicida de sementes de soja inoculadas com Colletotrichum truncatum. Ciência Rural, Santa Maria, 39:2390-2395, 2009.

PEREIRA, C. E.; OLIVEIRA, J. A.; GUIMARÃES, R. M.; VIEIRA, A. R.; EVANGELISTA, J. R. E.; OLIVEIRA, G. E. Tratamento fungicida e peliculização de sementes de soja submetidas ao armazenamento. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, 35:158-164, 2011.

Informações dos autores:  

1Mestranda em Agronomia, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD),Dourados/MS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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