Dispersão da resistência de capim-amargoso ao glyphosate no Brasil: seleções independentes ou apenas disseminação de propágulos?

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A hipótese deste trabalho é que a seleção destas populações resistentes possa ter ocorrido de forma independente.

Autores: Hudson Takano1, Rubem Silvério1, Jamil Constantin1, Maria Pires Machado1, Claudete Mangolim1, Maycon Bevilaqua1 e Eliezer Gheno1

Os primeiros relatos de resistência de Digitaria insularis (DIGIN) ao glyphosate ocorreram no Paraguai (2005) e, posteriormente, no Paraná (2008) e em São Paulo (2009). A hipótese deste trabalho é que a seleção destas populações resistentes possa ter ocorrido de forma independente.

Para testar esta hipótese, avaliou-se marcadores ISSR em 15 indivíduos de 5 populações de diferentes locais: 1 – Paraguai resistente (FR=5,3), 2 – Paraná resistente (FR=19,6), 3 – Paraná suscetível, 4 – São Paulo suscetível, 5 – São Paulo resistente (FR=10,9). Após a extração de DNA, 20 iniciadores ISSR foram utilizados e o produto amplificado pela reação de PCR separado em gel de agarose (1,5%).

A análise estatística foi feita com base na matriz de dados binários formada pela leitura dos géis. A distância genética foi calculada entre os genótipos pelo índice de NEI e o dendrograma pelo método UPGMA.

Os resultados revelaram que populações suscetíveis ao glyphosate apresentaram maior taxa de polimorfismo do que as populações resistentes. Isso ocorre devido à pressão de seleção exercida pelo herbicida, que atua como um agente redutor de variabilidade genética (“efeito gargalo”).

A matriz de similaridade e o dendrograma indicam que a origem da resistência do Paraguai e Paraná pode ser a mesma, o que também se explica em função da proximidade geográfica.

No entanto, a seleção de populações resistentes em São Paulo ocorreu independentemente dos outros locais, uma vez que resistência surgiu em populações que são altamente divergentes do ponto de vista genético (Gst=0,63) para as sequências ISSR.

As evidências são de que populações de DIGIN resistentes ao glyphosate foram selecionadas de forma independente no PR e em SP, uma vez que se tratam de populações fortemente estruturadas geneticamente (Gst= 0,66) e com nível baixo de fluxo gênico (Nm=0,25).

Seleções independentes de populações resistentes ao glyphosate de DIGIN podem estar contribuindo para a rápida disseminação do problema no Brasil.

1Universidade Estadual de Maringá, PR, Brasil.

Disponível em: Anais do XXX Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, Conhecimento e Tecnologia a Serviço do Agricultor. UFSC, 2016. 813 pg.

Acesse o Anais do congresso aqui.

Leia mais sobre o assunto no trabalho Eficiência de controle do Capim Amargoso (Digitaria insularis) resistente ao glyphosate na soja sob diferentes manejos em área de pousio

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