No intuito de investigar o comportamento da cultura da soja em função de doses de potássio (K) nas culturas anteriores, associadas ou não à aplicação de K em soja, pesquisadores da UNESP desenvolveram um estudo, e este foi publicado na Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, vol. 22 n. 2 Campina Grande fev. 2018. Acesse o trabalho na íntegra aqui.

Pesquisas sobre tipos e formas aplicação de fertilizantes são muito comuns, contudo importantes e necessárias, principalmente quando se pensa em reduzir perdas e aumentar a eficiência. O cloreto de potássio (KCl), é o fertilizante K mais usado na agricultura ( Foloni & Rosolem et al., 2008 ) e a sua utilização na para o desenvolvimento da cultura da soja é indispensável.

Tendo em vista a possibilidade de racionamento da adubação potássica a agricultura moderna adotou  uma prática que é basicamente a fertilização precoce parcial ou total da cultura outono / inverno, visando o efeito residual e ciclagem de nutrientes para a cultura semeada no período primavera / verão ( Cibotto et al., 2016 ).


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Assim, este trabalho foi realizado no período de 2012 a 2015 em uma área experimental da Universidade Estadual Paulista (UNESP) da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira-SP.  Antes da experimentação da instalação em campo, amostras de solo foram coletadas na camada de 0-0,20 m para análise química.

Nas safras anteriores, o delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições, e os tratamentos foram: três safras anteriores (milho, sorgo e milheto) e quatro doses de K: 1 – controle, 2 – metade da dose recomendada para as safras anteriores (35 kg ha¹ de K 2 O), 3 doses recomendadas para as safras anteriores (70 kg ha¹ de K 2 O) e 4 doses recomendadas para as safras anteriores mais a doses exigidas pela cultura da soja no cultivo de verão (120 kg ha¹ de K 2 O), na forma de KCl (58% de K 2 O).

Em sucessão às culturas outono / inverno, a soja foi cultivada em delineamento inteiramente casualizado em esquema de parcela subdividida e os tratamentos foram dispostos da seguinte forma: soja plantada em três tipos de palha (milho, sorgo e milheto), resíduo das quatro doses de K e adubação de K para atender a exigência de soja, na dose de 50 kg ha¹ de K 2 O na forma de KCl (58% de K 2 O), aplicado por difusão.



Resultados obtidos com este trabalho

O milheto tem maior teor de K na palha do que o sorgo e o milho. E o teor de K que retorna ao solo com os resíduos de milheto é similar àquela promovida pelo cultivo de milho como safra anterior. O que pode ser observado na Tabela 1.

Tabela 1. Valores e médias de F para massa de matéria seca, teor de K em palha e potencial de retorno de K em função dos tratamentos utilizados

*, ** e ns correspondem, respectivamente, a significativos a 0,05, 0,01 níveis de probabilidade e não significativos pelo teste F

Observa-se também que as doses de K aplicadas nas culturas anteriores (milho, sorgo e milheto) não alteraram a quantidade de palha e teor de K nestas culturas, e a maior produtividade de grãos de soja foi obtida com a palha de milheto associada à adubação nitrogenada recomendada para a cultura da soja, independentemente da dose K aplicada na safra anterior, resultado este evidenciado na Tabela 2.

Tabela 2. Valores e médias de F para a população final da planta, teor de K da folha, número de vagens planta ¹, peso de 100 grãos e produtividade de grãos de soja em função dos tratamentos utilizados

*, ** e ns correspondem, respectivamente, a valores significativos a 0,05, 0,01 e não significativos pelo teste F. Médias seguidas por letras diferentes na coluna são estatisticamente diferentes pelo teste de Tukey a um nível de probabilidade de 0,05.

Com a realização deste estudo também é possível inferir sobre o uso do milheto antes do cultivo de soja, onde cobertura morta produzida por esta cultura favorece o desenvolvimento da soja em sucessão, contudo esta operação não dispensa a fertilização de K de cobertura, esta informação pode ser observada a seguir:

Tabela 3. Análise de seguimento da interação significativa entre lavouras anteriores e adubação potássica em cobertura na soja, para o parâmetro produtividade de grãos

Médias seguidas por letras diferentes, minúsculas nas colunas e maiúsculas nas linhas, são estatisticamente diferentes pelo teste de Tukey a um nível de probabilidade de 0,05

Segundo os autores a antecipação da adubação potássica na cultura antecessora pode ser benéfica para a cultura em sucessão. Porém, é importante que a cultura escolhida para fornecimento de nutrientes em safra anterior seja criteriosamente escolhida, e que a a adubação respeite as necessidades da analise de solo e de tecido, não sendo totalmente dispensada.

Autores: João W. Bossolani, Edson Lazarini , Luiz GM de Souza, Tiago de L. Parente, Sheila Caioni, Naira Q. de Biazi 

Universidade Estadual Paulista – UNESP

Este trabalho foi publicado na Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, vol. 22 n. 2 Campina Grande fev. 2018. Acesse o trabalho na íntegra aqui.

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