O objetivo do trabalho, avaliar o efeito da adição de fungicida protetor em diferentes estágios fenológicos sobre a ferrugem da soja e os componentes do rendimento.

Autores: KOTZ, J.E.S.1; BRIDI, L.1; LEUBET, R.A.1; BASTOS, P.F.B.1; LUDWIG, J.1; ADAMS, G.A.1; MACHADO, C.M.1; BREMM, N1; HANUS, C.M1. 1Universidade Federal da Fronteira Sul, Rua Jacob Reinaldo Haupenthal, 1580, CEP 97900-000, Cerro Largo-RS, josiasema1@hotmail.com.

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Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Introdução

De acordo com United States Department of Agriculture (USDA, 2016), a área cultivada com soja na safra 2015/2016 deve superar os valores registrados na safra 2014/2015, passando de 118,14 milhões de hectares, para 120,74 milhões na atual safra. A produção mundial deve ter um acréscimo de 1,54 milhões de toneladas, totalizando cerca de 320,21 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 2,65 toneladas por hectare. Os maiores produtores mundiais são Estados Unidos, Brasil, Argentina, China e Paraguai.

A cultura da soja é de suma importância para a agricultura mundial e brasileira, devido as diversas aplicações que o grão possui, seja na alimentação humana, de animais ou então para a produção de outros derivados, além de ter um importante papel sócio econômico no agronegócio (FERREIRA, 2012). No entanto, esta oleaginosa pode ser afetada por diversas doenças que limitam a obtenção de altas produtividades, dentre essas destaca-se a ferrugem.

Esta doença pode causar desfolha precoce reduzindo a produtividade da cultura, devido a sua interferência nos processos fisiológicos, causa redução no número de vagens e grãos por planta e do peso de grãos (RIBEIRO e COSTA, 2000).

Diante disso, foi objetivo do trabalho, avaliar o efeito da adição de fungicida protetor em diferentes estágios fenológicos sobre a ferrugem da soja e os componentes do rendimento.

Material e Métodos

O trabalho foi realizado na safra 2015/16, na área experimental da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Cerro Largo – RS. O preparo da área ocorreu utilizando-se herbicida dessecante. A cultivar de soja utilizada foi a BMX PONTA (7166) IPRO®. Para acompanhar os estádios fenológicos das plantas, obedeceu-se a escala fenológica da soja. Utilizou-se o delineamento experimental de blocos ao acaso (DBC), com quatro repetições.

O experimento foi implantado e conduzido em sistema de semeadura direta, sendo que as parcelas foram constituídas por 5 linhas de semeadura por 5 metros de comprimento e espaçamento de 0,5 metros. Considerou-se como área útil as 3 linhas centrais, descartando-se ainda 0,5 metros de cada extremidade, totalizando 6 m². A adubação foi realizada na linha, utilizando uma semeadora adubadora, na dose de 250 Kg ha-1 (28% de Super Fosfato Triplo e 72% de Cloreto de Potássio).

Para cada tratamento foram realizadas 3 aplicações de fungicidas, com intervalo de 15 dias entre as pulverizações. Na primeira, foi aplicada a mistura comercial Azoxistrobina + Ciproconazol (Priori Xtra®), na dose de 60 + 24 g i.a. ha-1 e na segunda e terceira aplicação a mistura comercial Azoxistrobina + Benzovindiflupir (Elatus®), na dose de 90 + 45 g i.a. ha-1. Naqueles tratamentos onde houve a adição do fungicida protetor, o produto utilizado foi o Mancozebe (Unizeb Gold®), na dose de 1500 g i.a. ha-1. Para todas as aplicações houve a adição de adjuvante Nimbus, na dose de 0,6 L ha-1. A primeira aplicação ocorreu quando as plantas encontravam-se em estádio V6 (antecipado) ou R1 (recomendado). Em ambos os estádios usou-se como estratégia a utilização do protetor associado ao fungicida na primeira e segunda aplicações ou sem adição do protetor. Sendo assim, os tratamentos foram: T1: primeira aplicação no estádio V6 adicionando fungicida protetor; T2: primeira aplicação no estádio V6 sem protetor; T3: primeira aplicação em R1 adicionando fungicida protetor; T4: primeira aplicação em R1 sem protetor. Para todos os tratamentos, na terceira aplicação, pulverizou-se fungicida sem protetor.

A estimativa da severidade da ferrugem asiática foi realizada com o auxílio da escala diagramática proposta por GODOY et al. (2006), no estágio R4 da cultura, através da coleta e avaliação, em laboratório, de 30 folíolos, igualmente distribuídos entre os terços inferior, médio e superior das plantas, em pontos aleatórios no interior da área útil de cada parcela (MELO et al., 2015).

As avaliações referentes aos componentes de rendimento da cultura da soja foram a altura de inserção da 1ª vagem: indicado pela distância compreendida entre a superfície do solo até o ponto de inserção da primeira vagem na haste principal de 10 plantas da área útil da parcela e, o número de vagens por planta: determinado pela contagem de todas as vagens presentes em 10 plantas distribuídas aleatoriamente no interior área útil da parcela. As notas de severidade da doença, bem como os valores referentes aos componentes do rendimento foram submetidas a análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade de erro, com auxílio do programa estatístico Assistat.

Resultados e Discussão

Apesar de não ter sido observada diferença significativa entre os tratamentos nos diferentes terços da planta, no que se refere a severidade da ferrugem asiática (Figura 1), vale ressaltar que a introdução de um fungicida protetor nos programas de controle pode ser uma importante ferramenta para melhorar o manejo da resistência da doença, visando preservar o tempo de vida dos fungicidas sistêmicos comumente aplicados na cultura da soja (REIS e REIS, 2015).

Entre as partes da planta avaliadas, os maiores níveis de ferrugem foram observados nos terços inferior e médio (Figura 1), concordando, em parte, com Furtado et al, (2009), que relataram maior incidência da doença no terço inferior.

Figura1 - Josias Severidade

Figura 1 – Severidade de ferrugem asiática nos terços inferior, médio e superior em plantas submetidas a diferentes tratamentos e avaliação realizada no estádio R4. T1: primeira aplicação em V6 adicionando fungicida protetor; T2: primeira aplicação em V6 sem protetor; T3: primeira aplicação em R1 adicionando fungicida protetor; T4: primeira aplicação em R1 sem protetor.

A adição de fungicida protetor à calda de pulverização não resultou em melhorias significativas quanto à altura de inserção da primeira vagem (Figura 2A) nem do número médio de vagens por planta (Figura 2B). Reis et al, (2007) também não encontraram diferenças significativas nas variáveis peso de mil grãos e produtividade, utilizando diferentes fungicidas na cultura da soja.

Figura2 - Josias altura de inserção

Figura 2 – Altura de inserção da primeira vagem (cm) (A) e número de vagens por planta (B), em plantas submetidas a diferentes tratamentos. T1: primeira aplicação em V6 adicionando fungicida protetor; T2: primeira aplicação em V6 sem protetor; T3: primeira aplicação em R1 adicionando fungicida protetor; T4: primeira aplicação em R1 sem protetor.

Vale ressaltar que as avaliações de produtividade e outros componentes de rendimento desse experimento ainda estão sendo compilados. No entanto, acredita-se que possa ter ocorrido perdas significativas nessas variáveis, uma vez que Juliatti et al. (2005), afirmam que podem ocorrer perdas de até 25 sacos por hectare quando a incidência do patógeno chega a 100% e a severidade a 25%.

Conclusão

A adição de fungicida protetor à calda de aplicação não resultou em efeitos significativos na diminuição da ferrugem asiática nem em aumento nos componentes de rendimento altura de inserção da primeira vagem e número de vagens por planta, segundo o experimento realizado.

Referências

FERREIRA, M.C. Critérios para o Início das Aplicações de Fungicida e Desempenho de Pontas de Pulverização no Controle da Ferrugem Asiática da Soja. 2012. 93 f. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2012.

FURTADO, G. Q.; ALVES, S. A. M.; CARNEIRO, L. C.; GODOY, C. V.; MASSOLA JÚNIOR, N. S. Influência do estádio fenológico e da idade dos trifólios de soja na infecção de Phakopsora pachyrhizi. Tropical Plant Pathology, Brasília, v. 34, n. 2, p. 118-122, 2009.

GODOY, C.V.; KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagrammatic scale for assessment of soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, v.31, p.063-068, 2006.

JULIATTI, F.C.; POLIZEL, A.C.; BALARDIN, R.S.; VALE, F.X.R. Ferrugem da soja: epidemiologia e manejo para uma doença reemergente. Revisão Anual de Patologia de Plantas, v.13, p.351-395, 2005.

MELO C.L.P.; ROESE A.D.; GOULART A.C.P. Tolerância de genótipos de soja à ferrugem-asiática. Ciência Rural, v.45, p.1353-1360, 2015.

REIS, E. F. dos; LIMA NETO, V. da C.; GODOY, C. V.; ROSA, C. T.; CASTANHO, H. E.; VICENTE, N. G. Controle químico da ferrugem asiática da soja na região sul do Paraná. Scientia Agraria, v.8, p.319-323, 2007.

REIS, E.M.; REIS, A.C. Mancozebe. Passo Fundo: Berthier, 2015. 80p.

RIBEIRO, A.L.P; COSTA, E.C. Desfolhamento em estádios de desenvolvimento da soja, cultivar BR 16, no rendimento de grãos. Ciência Rural, v.30, p.767-771, 2000.

United States Department of Agriculture. Foreign Agricultural Service, Global Agricultural Information Network, CAIN Report Number: BR 1607, March 2016. Disponível em: <http://gain.fas.usda.gov/Recent%20GAIN%20Publications/Oilseeds%20and%20Products%20Annual_Brasilia_Brazil_4-1-2016.pdf>. Acesso em: 10 abr.2016.

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